30 Dezembro 2006

Fidel, Andy e a mídia

Por Pedro Henrique Freire

Andy Garcia e a mídia mundial tem algo em comum. O filme CidadePerdida, dirigido pelo ator, mostra uma Cuba injusta nas mãos deFidel Castro e Ernesto Che Guevara. Uma Cuba que reprime a arte e tiradas pessoas o direito de morar em suas casas que construíram comtrabalho e suor. Uma Cuba que confisca propriedades e faz dos ricospobres e dos pobres mais pobres.

Garcia (que representou o calculista e ambicioso Vicent Corleone em OPoderoso Chefão – Parte III) levou para o cinema o desejo e a opiniãode uma leva de neoliberais e figuras capitalistas – que demarcamterritórios nos EUA e no resto do mundo.

Assim como na saga dos Corleone.

Caso alguém pergunte sua opinião sobre o regime de Fidel Castro, instalado há 47 anos, o que você responderia? Uns dizem que é quaselírica a resistência que Fidel e sua família fazem aos EUA de Bush etantos outros presidentes. Mas o socialismo instalado ali representaum atraso. Por um fato simples: não existe democracia.

Outros diriam que aqueles que lutaram por um ideal na insurgência que levou o ditador ao poder devem hoje perceber que o ideal não era ademocracia camuflada e asfixiada pelo então general Batista. O idealera Fidel e suas vontades. Trocaram uma ditadura por outra. Uma a la Pinochet: desenvolvimentista e violenta. E outra atrasada e cheia decensuras.

Uns terceiros podem até falar que o socialismo é o caminho. Que a economia inegociável e uma figura que governa, há tanto tempo, seu povo sob as teorias de Marx é uma avenida de igualdade e liberdade, embora não seja de tanta fraternidade assim.

Enfim, é por isso que quando meu amigo Daniel Brito me propôs um texto sobre como a mídia mundial reagiria com a morte de Fidel (o que não está muito distante, dizem). Respondi que muitas matérias viriam recheadas de confetes, preparando terreno para que o império americano intervenha de maneira quase imediata (imprensa dos EUA).

Outras viriam com um quê de imparcialidade, mostrando as supostas atrocidades do ditador, os atrasos em Cuba e, claro, a magnífica subida ao poder ao lado de Guevara e centenas de barbudos revolucionários. Mesmo assim, a imagem de um socialismo fracassado estaria latente (mídia brasileira e outras).

Ao final do império de Fidel, portanto, a mídia reforçaria a imagem de Cuba como o país que se perdeu dentro de suas teorias impraticáveis e revelaria que aprendeu bastante ao viver em uma democracia de verdade, podendo ouvir, ver e falar o que quiser.

O jornalismo é liberdade.

A mídia é capitalista.

Para felicidade de Andy Garcia e tristeza de Fidel.

26 Dezembro 2006

Análise dos grandes portais

Por Daniel Brito

Aos poucos, a internet vai substituindo a televisão na vida dos brasileiros de classe média/alta. Em vez de correr para a frente da tevê para ver um noticiário ao chegar em casa, o hábito agora é disputar a cadeira do computador para acessar a internet.

Aqui em casa é mais ou menos assim.

Isso gera o (excelente) hábito da leitura e destaca a figura do "sabe-tudo". Aquela pessoa que tudo viu, tudo leu e tudo entendeu. É diálogo comum em mesas de botecos de Brasília:

- Deu no Globo.com que Clodovil xingou Marisa Monte.
- Ah, é? O que ele falou?
- Eu só vi a chamada lá, ele dizendo que ela só canta para comer...
- É mesmo? E quê mais?
- Ah, nem li o resto da notícia, só vi o título lá mesmo.

Isso é só uma ilustração do que as notícias da internet costumam causar nas pessoas. Deve acontecer em todos os cantos do país, claro. Tipo: "Eu vi, mas não li até o final".

É muita notícia disponível facilmente se esfregando na cara do internauta. Muitas delas inúteis, como esta de Clodovil, por exemplo. Mas são essas que fazem o sucesso de um portal.

Veja o caso do próprio Globo.com. Logo na Home dele tem quatro grandes espaços para notícias. Um no alto, para a manchete, e três "tripinhas" embaixo da manchete: uma para notícias gerais (inflação, Iraque, Lula), uma para esportes e outra para "entretenimento" (popularmente chamado de FOFOCA).

Na espaço da manchete há a principal notícia do dia. Hoje, por exemplo, é sobre a auditoria na TAM, e o resto, neste momento, estão lá, logo abaixo:
1 - Saddam será executado em 30 dias;
2 - Pelada reúne Diego, Robinho e Elano, em SP;
3 - Uma Thurma é operada após acidente;
Foto-legenda: China revela porcos que brilham no escuro.

De notícia, notícia mesmo, aquela que vai estar nos jornais amanhã, talvez até na primeira página deles, apenas a da TAM (que é a manchete do site) e a de Saddam. O resto é amenidade para os leitores "sabe-tudo".

Tudo bem que a Globo criou o G1 para fazer jornalismo de verdade, mas a página principal é voltada para curiosos e pessoas interessadas em fofocas.

O G1 concorre diretamente com o UOL. Pertencente ao Grupo Folha (de S. Paulo), o Universo On-Line (UOL) é o maior (e melhor) portal da internet verde-amarela. Tem de tudo. Muito do que se vê nos jornais impressos e nos telejornais aa noite saiu do UOL.

É a minha primeira parada quando acesso aa internet. Dá destaque ao jornalismo hard news e não deixa de colocar as amenidades, porém, em menor destaque na parte de baixo da página principal. Desde horóscopo aos manjados sites de bate-papo, passando por dicas de turismo até trânsito de São Paulo.

O Estadão poderia fazer frente ao UOL, mas não me parece interessado em marcar terreno no mundo virtual.

A terceira maior força no jornalismo "internético" na minha modesta, opaca e pálida opinião, é o Terra. Investe muito em formas de acesso: banda larga, internet phone, coisas do tipo. Na Home do site há mais destaque para publicidades do que para notícias. Pode entrar lá e ver.

Talvez por isso, o Terra esteja em todos os lugares. Eles têm jornalistas em vários cantos do planeta. Tinham seis ou cinco na Copa do Mundo da Alemanha, por exemplo.

Justamente porque vendem bem os espaços na capa do seu site. É muito difícil vender anúncios na internet (tema para outro post).

Sem limite de tempo e espaço e com a opção de ser lido, visto e ouvido, o jornalismo da internet está deixando de engatinhar e começando a andar com as próprias pernas.

É bom ficar atento, para não perder nenhum passo nessa revolução.

23 Dezembro 2006

Nova geração de jornalistas

Por Daniel Brito

Já ouvi uma meia dúzia de três ou quatro jornalistas mais antigos dizerem de boca cheia:

"Ainda bem que nem todo mundo sabe escrever"

É uma brincadeira, claro, mas é verdade.

Se TODO MUNDO escrevesse bem, (ou, pelo menos, organizasse as idéias corretamente em uma folha de papel) o que teria de jornalista e escritor no mundo não seria brincadeira. Mas escrever não é fácil.

Um exemplo: tentei explicar como foi feita a escolha do Prêmio Esso de Jornalismo deste ano e meu texto gerou dúvidas nos nossos quatro ou cinco leitores fiéis.

Foi mal escrito?
Pode ser.

Não tem problema, eu ainda aprendo a explicar melhor minhas idéias. Como esta que vou tentar aqui agora.

A internet fez com que mais pessoas lêssem mais e escrevessem mais. Quanto mais se lê, mais vontade se tem de escrever. Quem esccreve, gosta de ser lido e assim sucessivamente.

A partir desta idéia, acredito que estamos prestes a presenciar um BOOM de jornalistas. Sim, porque a internet abriu espaço para que contabilista, bombeiro, arquiteto, advogado, estudantes de ensino médio (principalmente eles), até mesmo jornalistas escrevam à vontade sem limite de tempo e espaço na Rede Mundial de Computadores.

Escrevi algo parecido a isto no artigo "Ergonolepticamente falando", no início do ano.

Já viu a quantidade de blogs soltos por este mundo?

É gente interessada em ser lida. Existem duas maneiras básicas de saber se está sendo notada:

1 - Os comentários deixados no seu blog;

2 - Trabalhando por um grupo de comunicação (desde jornal, tevê, portais de internet) e escrevendo textos ainda mais interessantes.

Quanto mais pessoas escrevem na internet (repito, principalmente os estudantes), mais jornalistas e/ou escritores surgirão. Esse hábito vicia. Eu, Da Silva e Predo estamos aí para confirmar a tese.

A nova geração de jornalistas que virá daqui cinco ou dez anos será especializada em textos na internet.

Isso aí já é assunto para outro post.

19 Dezembro 2006

A conquista do Prêmio Esso

Por Daniel Brito

Concorrente na categoria Regional Centro-Oeste no Prêmio Esso de Jornalismo 2006, a série de reportagens Amores Possíveis, da repórter Conceição Freitas surpreendeu a todos, na noite do último dia 12, no Copacabana Palace. Inclusive seus companheiros de Correio Braziliense.

O Prêmio Esso de Jornalismo, para quem não sabe ou não se lembra, é a máxima distinção no jornalismo nacional. Neste texto aqui, quero contar um pouquinho do que consegui apurar sobre a vitória de Conceição Freitas deste ano.

Em 11 matérias, a jornalista do Correio Braziliense, lotada na editoria de Cidades, contou histórias de amor que fugiram do lugar comum. Como um casal de idosos que retoma o namoro depois de 40 anos separados; a moça que aprende a linguagem de surdo e mudo para se casar com um deficiente auditivo; a catadora de lixo apaixonada por um companheiro de profissão que é viciado em bebida alcóolica, mas não o larga porque sabe que "nunca é traída".

São, realmente, história curiosas e MUITO bem contadas por Conceição. Não tenho muito contato com ela na redação do CB, mas tenho profunda admiração por seu estilo de texto.

Isso fez a diferença (não a minha admiração, mas o estilo dela).

A comissão julgadora do Esso gostou tanto da série que tirou Amores Possíveis da categoria regional e a colocou na categoria principal (melhor reportagem do ano). Normalmente, quem ganha o Prêmio Esso de melhor reportagem são os repórteres de política.

Ano passado, Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo, levou pela entrevista do mensalão com Roberto "Canalha" Jefferson. Em 2000, o Correio havia ganho com a denúncia de desvio de dinheiro da obra do TRT de São Paulo pelo então senador Luiz Estevão.

A escolha dos vencedores é feita, inicialmente, pela comissão de 26 jornalistas de diversas partes do país. Eles reúnem-se duas ou três semanas antes da noite de cerimônia e escolhem os melhores em cada categoria.

No dia do evento, pela manhã, cinco jornalistas que NÃO fizeram parte da comissão dos 26, lêem os trabalhos e escolhem os melhores entre os melhores. Todos os anos esse grupinho de cinco jornalistas muda.

Em 2006, o chefe da comisssão final era um camarada chamado Audálio Dantas. Se você tem menos de 25 anos, não deve ter na memória o imenso trabalho que esse alagoano já fez pelo jornalismo brasileiro.

Coloco, abaixo, um trecho de um texto da Unisinos que conta algumas das ações de Audálio nas redações deste país:

Trabalhou na revista O Cruzeiro, Quatro Rodas, Realidade e Veja. Cobriu, sem querer, a guerra entre Honduras e El Salvador, enquanto fazia uma reportagem sobre os pontos turísticos do México.
Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, presidente da FENAJ, da Imprensa Oficial de São Paulo, e do Conselho da Fundação Cásper Líbero.
Como escritor, escreveu três livros, porém existe um principal. "Quarto de Desejo", relata a vida da favelada Carolina Maria de Jesus. Outro livro bastante famoso de Audálio Dantas é "O Circo do Desespero", de 1976, no qual ele reúne suas principais reportagens.

Ele era presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP quando Wladimir Herzog foi assassinado.

Pois bem, como você pôde perceber pelo breve currículo, Audálio, hoje com 77 anos, é mestre da escola do jornalismo social/psicológico. Aquele que observa as coisas simples da vida e transforma numa grande reportagem.

O livro sobre a empregada doméstica mineira Carolina Maria de Jesus, que virou famosa depois do Quarto do Desejo é um exemplo.

Mais ou menos que Conceição fez com a série Amores Possíveis.

Concorrendo com a reportagem que denunciou a máfia da compra irregular de ambulâncias pelos deputados sanguessugas (também feita pelo Correio), Conceição Freitas foi contemplada com o Prêmio Esso de Jornalismo 2006.

Graças a Audálio Dantas.

Profissão perigo

Uma notícia dessa nós não poderíamos deixar de ler. Afinal, são atentados contra jornalistas e contra o jornalismo. Abaixo, uma notícia da Agência France Presse. Com a seguinte constatação: 2006 foi o ano em que mais jornalistas morreram em serviço. Matança parecida só havia ocorrido na Segunda Guerra Mundial.

94 jornalista morrem em serviço em 2007

GENEBRA (EUA) - Mais jornalistas foram mortos em 2006 do que em qualquer outro ano, com o Iraque aparecendo como o local mais mortal do mundo para funcionários da mídia pelo terceiro ano consecutivo, informou nesta terça-feira um grupo suíço de defesa da imprensa.

A organização Press Emblem Campaign (PEC), sediada em Genebra, registrou a morte de 94 jornalistas no exercício da profissão em 2006, o que representou um aumento de 38% com relação aos 68 mortos em 2005. As mortes de funcionários da mídia no Iraque quase dobraram de 25 para 48 no mesmo período. Pelo menos 103 jornalistas morreram no Iraque desde a invasão americana, em 2003, tornando a guerra naquele país o conflito mais sangrento para jornalistas desde a Segunda Guerra Mundial, destacou a PEC em um comunicado.

A organização registrou ainda o assassinato de oito jornalistas no México em 2006, sem que os criminosos tenham sido levados à Justiça, e de quatro na Rússia, entre os quais a repórter investigativa e crítica do Kremlin Anna Politovskaya. Quatro jornalistas foram mortos tanto no Sri Lanka e nas Filipinas; três em Paquistão e Colômbia; dois em China, Índia, Angola e Líbano; e um em Brasil, Equador, Venezuela, Somália, República Democrática do Congo e Sudão.

Os registros da PEC incluem mortes de jornalistas funcionários de organizações, freelancers, cinegrafistas, fotógrafos, assistentes e técnicos, mas não agentes de segurança, motoristas e intérpretes.

O secretário-geral da PEC, Blaise Lempen, disse que na maioria os jornalistas foram mortos por milícias, insurgentes, grupos paramilitares e serviços de segurança.

14 Dezembro 2006

O esdrúxulo também é notícia

Pedro Henrique Freire

Uma amiga minha aqui da redação do CorreioWeb sempre diz a seguinte frase: “O esdrúxulo também é notícia”. E é mesmo! Notícias assim fazem do jornalismo uma fonte inesgotável de criatividade. E mais: são responsáveis por deixar o dia mais leve, sem tanta informação sobre tragédia, escândalos e aquelas coisas que já estamos “por aqui” de ler, ouvir e assistir.

Portando, para o bem das notícias esdrúxulas e do jornalismo curioso, ai vão algumas notícias (em forma de pílulas), que a Agência France Presse publicou neste ano de 2006.

Da France Presse
PARIS (França) - O ano de 2006 foi cheio de histórias insólitas com protagonistas diversos e inesperados.

Baleia no Tâmisa
Em 20 de janeiro, os londrinos perderam sua fleuma tradicional ao descobrir uma baleia nas águas do rio Tâmisa. O cetáceo, uma espécie de golfinho primitivo de 5,85 metros, estava ferido e morreu no dia seguinte, devido à água doce.

Cordeiro de seis patas
Em 19 de março, na Bélgica, uma ovelha de Limburgo pariu um cordeiro de seis patas. Como o animal era incapaz de se locomover por sua própria conta e se aproximar da mãe, o criador teve que alimentá-lo com mamadeira.

Pavões com gosto eclético
A polícia britânica informou em 17 de junho que Mister P., um pavão apaixonado, passava 17 horas ao dia fazendo a corte a uma bomba de gasolina em Brierly (sudoeste). Os irmãos de Mister P. também demonstraram o mesmo problema: um está louco por um gato e outro quer conquistar um semáforo.

Ovo divino
Em 13 de julho, uma galinha cazaque deixou perplexos seus donos ao pôr um ovo que na casca trazia inscrita a palavra "Alá" em árabe. Os agricultores da cidade de Stepnoi, nordeste do Cazaquistão, registraram o ovo e sua inscrição na mesquita local.

Placa da sorte
Uma placa com o número "888", que na China significa boa sorte, foi leiloada em 22 de abril por 237.000 iuanes (cerca de 30.000 dólares) em Cantão. As estradas chinesas são apontadas como as mais perigosas do mundo. Segundo números oficiais, em 2005 houve 456 mil acidentes e 99.000 mortes.

Rum assassino
Operários descobriram em 3 de maio um tonel de rum jamaicano enquanto restauravam uma casa na Hungria, e beberam o conteúdo de 300 litros de álcool antes de descobrirem, horrorizados, que o barril também continha o corpo mumificado de um homem nu. Uma investigação policial determinou que o corpo pertencia a um diplomata húngaro morto há 20 anos na Jamaica.

A correspondência mais demorada do mundo
Um cartão postal demorou 96 anos para chegar da Bélgica a um povoado da Normandia (França), onde foi entregue em 16 de maio à família da destinatária, falecida em 1978. Enviada em 29 de setembro de 1910, a correspondência chegou dias depois ao escritório dos correios de Mesnil-Guillaume, cidade situada a 3 km da residência de Yvonne Boucher, e ali ficou até 1978.

Pastor morre afogado ao tentar imitar Jesus
Um pastor da Igreja do Despertar (pentecostal) se afogou em 28 de agosto em uma praia da capital do Gabão, Libreville, quando tentava caminhar sobre as águas como fez Jesus Cristo. O religioso, de origem camaronês, quis cruzar a foz do rio Komo, travessia que dura 20 minutos de barco, mas afundou na presença de um fotógrafo que estava presente para imortalizar a façanha e de vários fiéis que esperavam uma cura milagrosa.

Para juízes egípcios beleza não é fundamental, já a higiene...
Um tribunal do Cairo negou em 5 de março o pedido de divórcio de uma mulher que queria se separar do marido por um estrabismo que, segundo ela, a deixava "de cabelo em pé". O marido tirou os óculos na frente dos magistrados e perguntou: "Assusto vocês?". "Não", respondera, e a esposa perdeu o caso. Em 28 de setembro, outra mulher pediu o divórcio por incompatibilidade de odores com o marido e os juízes não a levaram muito a sério. Mas quando o marido apareceu, os magistrados não puderam suportar o mau cheiro e suspenderam a audiência de reconciliação.

"Masturbatona"
Mais de 250 pessoas participaram em 5 de agosto, em Londres, da primeira "masturbatona", uma competição destinada a financiar a luta contra as doenças sexualmente transmissíveis. "Eu não sei nadar, nem correr bem, mas isto eu posso fazer por uma boa causa", declarou à imprensa um dos competidores.

11 Dezembro 2006

Quando venci a preguiça

Por Daniel Brito

A preguiça dos tempos de colégio insistia em me perseguir.

Apurar, para quê?
Vou copiar...

Perguntar?
Deixa o entrevistado falar à vontade...

Escrever...melhor copiar o release.

Há 10 anos começava no jornalismo. Carregava essas verdades-absolutas. Era repórter de rádio em João Pessoa. Afinal, em apenas seis meses de atividades, já conseguia falar ao vivo num programa de rádio sem gaguejar.

"É muito fácil ser jornalista", presumi em setembro de 1996. Nesta mesma época já não freqüentava o colégio diariamente. Resolvi largar os estudos e me dedicar ao jornalismo.

Santa ignorância.

Não adiantava apelo de pai, mãe, irmãos, namorada, amigos, pais dos amigos. Meu negócio não era estudar. Era trabalhar em rádio. Mais precisamente dentro do estúdio da rádio "103,3 - FM O Norte".

Recebia a pauta de ir ao jogo de futebol de areia e derrubava a pauta. Apresentação de mestres de Kung Fu... nada feito. "Não tinha ninguém lá para falar sobre o evento", justificava a ausência. Resultados dos jogos do Campeonato Paraibano realizados no domingo à noite: "Tarde demais".

Queria apenas falar na rádio. Falar e ser ouvido. Como se tivesse SEMPRE algo interessante a dizer.

Duas frases mudaram a minha idéia sobre o resto da minha vida.

1 - "Ou você apura as informações direito, ou você será um profissional tão bom quanto o estudante que é agora".

Frase do meu pai às 21h de domingo, enquanto ligava para as rádios do interior da Paraíba para pegar os resultados dos jogos de mais uma rodada do Campeonato Paraibano de 1996.

Para um adolescente que reprovara duas vezes o ensino médio, o comentário atingira átrio e ventrículo direitos.

2 - "Quanto mais você for visto, quanto mais você circular, quanto mais matérias fizeres, mais chances terás de ser lembrado em oportunidades melhores lá na frente".

A frase está melhor escrita do que a maneira como foi dita, há 10 anos. Foi proferida pelo saudoso amigo Werton Soares, falecido há seis anos, e um grande professor, alertando sobre os perigos de minha indisposição de fazer matérias na rua.

Átrio e ventrículo esquerdos destroçados.

Foi o suficiente para entender que ficar trancado na redação pegando a rebarba dos outros e auto-elogiando minhas atuações me transformaria no pior dos profissonais.

Enquanto me derem a chance de escolher, prefiro continuar fazendo minhas "materinhas repetitivas".

Humildemente

04 Dezembro 2006

Post de aniversário

Saudamos os nossos sete leitores mensais com as melhores frases e citações dos primeiros 12 meses de existência dos Filhos da Pauta.

A seleção foi feita por Daniel Brito, Leonardo Alves e Pedro Henrique Freire e dividida por "editorias".

Se você quiser contribuir conosco, deixe, no local destinado aos comentários, qual melhor citação ao longo deste ano.

Frases/diálogos de impacto
4 de dezembro de 2005
- Boa tarde, o senhor já fez exame de próstata?
- Já, respondeu um senhor de aproximadamente 60 anos, com a cara de safado.
- Teve preconceito?
- Não... Ele fez um silêncio. Eu continuei com o microfone como se esperando mais alguma coisa. E não é que veio.
- Não, não tive preconceito. Ele só colocou um ferro no meu ‘furico’, disse o senhor se referindo ao exame de toque retal.
Imediatamente liguei pra redação.
- Adriana, o fala povo caiu.
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14 de maio de 2006
"Repórter de esportes é o cara mais burro de uma redação de jornal. É o tipo de pessoa que não foi aceita em nenhuma editoria do jornal e acabou tendo que fazer futebol mesmo"
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17 de agosto de 2006
“Olha, Pedro”, disse o deputado, “honra de homem se lava com sangue. Tu toma cuidado”.Não tive muito tempo para me recompor da declaração. Só soltei um tímido: “Quê isso, deputado!”. A única coisa que conseguia pensar era num gravador.
Que droga!
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11 de setembro de 2006
- Noventa e nove por cento das pessoas do planeta trabalham, para o bem ou para o mal, para pagar a hipoteca.
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6 de novembro de 2006
“Meu trabalho como jornalista pode ajudar mais a sociedade onde vivo do que o meu voto. Não preciso votar. Vou anular!"
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Opiniões marcantes
12 de fevereiro de 2006
Seu contato com a fonte pode durar apenas poucos minutos. E nesses poucos minutos você tem que pegar todas as informações. Se isso não ocorrer, já era. Existem outros casos que não dependem do repórter. Principalmente em tevê, onde o resultado do trabalho depende muito do cinegrafista.
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11 de abril de 2006
Eu não sou nada malicioso, mas gosto de fazer mais ou menos assim.
1 - Converso amenidades com o entrevistado;
2 - faço perguntas óbvias (tipo: "é muita emoção?");
3 - Tento conquistar a "amizade" do entrevistado;
4 - Dou a "facada", ou seja, entro no assunto espinhoso.
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11 de maio de 2006
São dois pesos e duas medidas. Dois estados, dois jornais e dois tipos de jornalistas. Um dia, todos entenderão, ao menos, o sentido básico do jornalismo: os dois lados. Pois em muitos cantos, isso tem que ser rechaçado em função de alinhamento político.
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12 de julho de 2006
Pode ser que eu mude de idéia. Mas, no momento, acho que jornalismo é um mar e nós, repórteres, navegamos nele. Ou melhor, somos levados por ele. Então, como mudar a rota do barco se não sabemos de onde vem a chuva? Como reservar espaço para matérias que nem mesmo sabemos se é notícia?
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8 de agosto de 2006
Alguns esportistas não admitem perguntas estúpidas, principalmente de quem não é da área. Quando o repórter é da área o cara até releva. Porque conhece o repórter. Falo por experiência própria. Já fiz perguntas imbecis, mas tive respostas pelo menos educadas
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18 de outubro de 2006
Tomo os devidos cuidados para não cometer erros absurdos, checo todas as informações vitais de uma matéria e reviso com freqüência meus textos. Mas não me prendo a detalhes. Coisa peculiar aos perfeccionistas. Talvez por isso minhas matérias saem com erros aqui ou acolá. Não é porque eu quero.
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Histórias curiosas
28 de novembro de 2005
Conversamos por 15 minutos. Tirei uma foto ao lado dele. Em seguida, perguntou do Brasiliense. Contei que o time estava mal, mas ganhara do Santos. Quando falaria que o Santos não jogou nada, principalmente Ricardinho, me lembreique tava conversando com ninguém menos que o técnico da Seleção Brasileira. E o técnico da Seleção Brasileira está pensando em levar Ricardinho para a Copa.
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17 de março de 2006
Eu quase caio da cadeira. Não acreditava que o cara fosse me passar tudo de bandeja. Pelas histórias que li, o repórter tem que ter sorte para descobrir os dados da denúncia. Vibrei por dentro. Procurei agir com naturalidade para mostrar que não estava surpreso. E que estava para apurar as denúncias mesmo.
E ele continuou:
- Estou aqui com uma lista de 35 pessoas beneficiadas que são parentes de funcionários da prefeitura.
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23 de março de 2006
De tanto cobrir os treinos do time de vôlei feminino, o camarada passou a sair na night com as jogadoras, e receber ligações a cobrar das atletas. Ao final da temporada, ele traçou duas grandalhonas (no mal sentido mesmo).
Vamos ser companheiros de trabalho, mas daí a virar amante já é exagero...
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3 de abril de 2006
Os filhos dos jornalistas (eram dois repórteres, um homem e uma mulher) começaram a sofrer ameaças, eles passaram a ver a mesma pessoa com cara ameaçadora na portaria do prédio delas, na porta da escola do garoto e coisas do tipo. Teve uma repórter que pediu demissão do jornal por causa disso.
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20 de abril de 2006
Dizem que ele tomou umas e outras num bar perto do jornal. Depois, pegou uma marreta, arrombou a porta e quebrou o parque gráfico. Quando voltou para o bar contou o feito. Alguém perguntou: “quebrasse a redação também?”. Tem sempre alguém que quer a desgraça maior. Não deu outra, Edson Gaudêncio voltou e quebrou a redação.
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21 de junho de 2006
Saí para ganhar a metade. Só pararam de tentar me seduzir quando disse que poderia chegar a ser presidente do BB, mas toda vez que lesse uma notícia no jornal que não fosse eu que tivesse escrito, ficaria triste.
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1º de novembro de 2006
Sarney deixava o povo burro. Sério! Se ele fizesse o povo pensar, perderia votos. Depois, acionava dezenas de rádios, a TV (Globo-MA) e o jornal em prol de sua campanha. Bom, então ele unia a asneira do povo, os veículos de comunicação e seu talento político... e pronto! Estava eleito e elegia quem quisesse.
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20 de novembro de 2006
Você chega na redação e fala: tenho isso, isso, isso e isso. Quero começar meu texto com isso. Achei mais forte e foi o assunto mais polêmico que apurei. Aí vem a resposta: “Bom, mas nós não podemos publicar. Começa mesmo com o assunto tal”.
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Humildes Constatações
13 de janeiro de 2006
Quase todos os jornalistas têm uma assessoria pra complementar o salário. Como gostam de dizer alguns políticos “é uma laminha que a gente paga”. Basta dar uma lida nas colunas políticas que logo se percebe de que lado o colunista está. Por aqui na Paraíba é assim.
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30 de julho de 2006
Minha maior dificuldade é entrevistar crianças. Sinceramente não consigo ser compreendido por elas. Na maioria das vezes o máximo que consigo na primeira resposta é um “é..”. Tento mais uma vez. E tenho um balançado de cabeça como resposta. Tentativas esgotadas.
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13 de agosto de 2006
A crítica, quando bem feita, evita que a outra pessoa te trate com o pior dos sentimentos: a indiferença.
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19 de setembro de 2006
Quando você acorda, toma banho, e pensa que, quando chegar ao trabalho, a primeira coisa que fará é procurá-la. E, partir daquele momento, ela guiará seu dia. Tudo que ela quiser, você fará. Ela é a musa, dona da inspiração, chefe do seu dia (às vezes da noite). Por isso, é fácil amá-la e odiá-la, tudo ao mesmo tempo.
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25 de setembro de 2006
O legal de trabalhar em esportes é que, durante o plantão de final de semana, você vai a lugares que já iria se estivesse de folga. E mais: ainda pode falar com os protagonistas da história.
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29 de setembro de 2006
Talvez não percebamos, mas o que ocorre hoje pode ter um significado definitivo na formação dos nossos filhos e netos. Eles irão aprender na escola quem é o Lula e seus comparsas. Enquanto tudo isso não passa, vamos registrando, apurando,discutindo, criticando, escrevendo.
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12 de novembro de 2006
No jornalismo, você ajuda hoje para ser ajudado amanhã. Esse meio é imprevisível: ninguém é chefe para sempre e ninguém é subordinado para sempre.