Por Daniel Brito
Os jornais dos Estados Unidos agonizam. Os brasileiros, comemoram recordes de vendas. Lá, eles debatem fórmulas de como voltar a atrair os leitores. Aqui, só se pensa em maneiras de conseguir mais dinheiro do governo.
Até o jornal mais influente do mundo, o New York Times, sofre com a crise do mercado. O Chicago Tribune está para pedir concordata. Com ele, iria o Los Angeles Times, que é do mesmo grupo. Bem mesmo, nos Estados Unidos, está o Wall Street Journal. Coincidência ou não, ele é voltado para o mercado financeiro.
O Brasil registra o boom dos jornais populares. Baratos, de leitura fácil, rápida e de conteúdo diversificado. Há alguns anos eles vendem mais que os grandes, Folha, Estado, Globo, e inspiram a criação de mais jornais neste estilo.
Um ex-editor da revista Time, nos Estados Unidos, acredita que o problema dos jornais impresso dos EUA é a internet. Ele propõe deixar de lado esse blablablá de que os impressos precisam mudar e sugere uma criação de um Inews: uma espécie de Ipod de notícias. Não o aparelho em si, mas a venda de notícias por centavos. Você entra no site do NYT e vê uma manchete sobre o Afeganistão que te interessa? Clica lá, paga X centavos pela notícia e lê.
Os leitores estão sendo cada vez mais esquecidos no processo jornalístico "verde-amarelo". O que importa hoje é faturar. Como a iniciativa privada não é suficiente para bater metas orçamentárias, o grosso da receita dos jornais vem dos cofres públicos. Mas essa verba não vem em forma de anúncios, e sim de artigos jornalísticos, reportagens assinadas e tidas como verdadeiras. Muitas vezes são verdadeiras, mas só interessam a quem está pagando. O jornal deixa de prestar um serviço ao leitor e por consequência à cidade, e passa a se transformar num balcão de negócios. Loteando e revendendo linhas do jornal para propaganda do governo.
O NYT escandalizou seu público ao estampar um anúncio na capa do jornal. Jamais o jornal havia permitido o departamento comercial "contaminar" o jornalístico em sua área mais nobre, a capa do jornal. Mas ou era assim, ou rolava demissões. Os jornalistas entenderam. Aparentemente. Já os leitores...
Assim como no Brasil, os jornais do Reino Unido e da Espanha também registraram aumento na tiragem e publicidade nos últimos anos. Diferentemente daqui, eles fazem um trabalho efetivo visando a convergência de mídias. Estão aí as versões on line do Telegraph, do El Mundo e do Guardian para não me deixar mentir. No Brasil, o máximo que se faz é repetir conteúdo do impresso ou apresentar um áudio ou um vídeo na internet (repetitivos) para dizer que está se adaptando à nova realidade.
Como se vê, o cenário jornalístico internacioal está bem polarizado.
Resta saber qual dos lados é mais cruel.
Só pro assunto não morrer…
7 horas atrás