Fiz algumas amizades interessantes, ganhei dinheiro suficiente para me virar e aprendi muitas coisas sobre o mundo que nunca poderia ter aprendido de outra forma.
Como a maioria dos outros, eu procurava alguma coisa, vivia em movimento, nunca estava satisfeito e, às vezes, me metia nas mais imbecis enrascadas. Nunca ficava parado por tempo suficiente para me dar ao luxo de pensar, mas, de algum modo, sentia que meus instintos estavam certos. Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo, que estávamos num caminho honesto, e que os melhores dentre nós inevitavelmente chegariam ao topo.
Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos numa odisseia sem sentido. Era a tensão entre esses dois pontos -- um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminente -- que me dava forças para seguir adiante.
Trecho do livro "Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado", de Hunter S. Thompson
Trem bala (cover)
Há 8 anos
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