Por Léo Alves
Há entrevistados e entrevistados.
A classificação deles é feita com base no histórico das entrevistas.
O primeiro tipo é aquele super gente boa. Dá boas entrevistas e ainda por cima trata bem o repórter.
Na maioria das vezes depois da entrevista ainda rola uma conversa informal.
Todos os repórteres falam bem desse tipo de entrevistado. É querido nos meio dos jornalistas.
O segundo tipo é o terror dos repórteres. É aquele que todo mundo precisa entrevistar, mas é marcado pela chatice, má educação.
Esse tipo faz questão de ser chato. Adora maltratar os repórteres. Responde como se estivesse fazendo um favor aos jornalistas.
Tive oportunidade de entrevistar dois que são conhecidos por sua chatice com a imprensa.
O primeiro foi Nelson Piquet. Esse dispensa apresentações.
Piquet era craque em receber o Troféu Limão dado pelos jornalistas esportivos para o piloto mais antipático da temporada.
O ex-piloto esteve em Campina Grande para divulgar o produto de sua empresa a Autotrac, que é um sistema de monitoramento via satélite de caminhões.
Nos contatos preliminares a assessora de imprensa marcou a hora da entrevista. Mas deixou claro que Piquet não falaria de Fórmula 1.
Não estava nem um pouco interessado nas ações mercadológicas da Autotrac. Queria uma entrevista sobre Fórmula 1.
Mesmo sabendo da chatice de Piquet decidi arriscar.
Estávamos eu e outro colega apenas.
Acertamos começar com perguntas sobre a Autotrac. Em seguida passaríamos para Nelsinho Piquet e por fim a Fórmula 1.
Deu certo.
Paramos quando percebemos que Piquet já demonstrava estar chateado com as perguntas.
Consegui minha entrevista.
Outro osso duro foi Emerson Leão.
Leão vinha de uma polêmica com a repórter da Record, Marília Ruiz.
O agora ex-técnico do Timão havia se irritado com uma pergunta de Marília. E chamado-a para o motel.
O Corinthians tinha se hospedado em João Pessoa.
Na capital paraibana, Leão disse que não dava entrevista enquanto a repórter da afiliada da Record não saísse.
Estava cobrindo o jogo Treze x Corinthians (Copa do Brasil), em Campina Grande, com a colega Manuella Soares.
Antes da partida, ela se escalou logo para entrevistar o técnico do Treze, Arnaldo Lira.
Disse que não queria correr o risco de ouvir alguma grosseria de Leão.
Não seria deselegante em pedí-la para entrevistar Leão.
Sobrou pra mim.
Pensei: “Só falta arrumar uma confusão ao vivo com Leão”.
Só tinha a certeza de que ele não me chamaria pro motel como fez com a Marília.
Terminada a partida desci para os vestiários.
O assessor anunciou que cada repórter poderia fazer duas perguntas ao treinador.
As rádios de São Paulo começaram.
As quatro perguntas feitas pelos repórteres estavam na minha lista.
Como já tinham queimado todas as minhas perguntas fiz uma básica, em cima da hora:
- Leão a série de desfalques por suspensão e problemas de contusão tem prejudicado até que ponto o time?
- O que? ..... não entendi., com aquela cara de abuso típica do treinador.
Pensei que ele estava se preparando para soltar a patada.
Repeti a pergunta esperando uma descortesia. Ainda bem que não veio.
- O Corinthians é um time que preciso de conjunto para vencer...e tal, tal, e tal.
Escapei do rugido do Leão.
Até que neste dia ele estava bem humorado. Um colega de rádio repetiu a pergunta que eu acabara de fazer.
Mesmo com a cara amarrada, respondeu educadamente.
Depois dessa pergunta sai de perto.
Não dá pra confiar muito em um Leão.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
4 comentários:
Certa vez entrevistando um ex vereador fialiado ao pt, na época da crise do partido encerrei com a seguinte bobagem "fulano existe algo que não lhe foi perguntado que você gostaria de ter dito?" ele me olhou e soltou "a minha função é responder suas perguntas, se vc não perguntou tudo que devia..."
É vivendo e aprendendo.
aconteceu coisa semelhante comigo numa coletiva com a marisa monte. ela é famosa pela discrição e por não falar muito com a imprensa. cheguei lá preparado para uma entrevista difícil. mas, para minha surpresa, ela não é nada do que imaginava. trata os jornalistas como poucos!
O Nelson Piquet é insuportável mesmo. Mas se você demonstra conhecimento do assunto, se não é um despreparado, consegue levar. Com o Leão, não temjeito. Ele é intragável. Já ouvi histórias também relatando o quão metido a besta é Robert Scheidt.
Abs
Uma das histórias sobre Scheidt é minha. Alias, uma, nao. Duas...
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