22 abril 2007

Fucking checagem!!!

Por Daniel Brito

Depois de passar alguns dias rodando os Estados Unidos com uma banda de rock, o garotinho protagonista do filme Quase Famosos, escreve um texto contando todos os podres do grupo. Sexo grtupal com fãs, drogas de todas as espécies e shows alucinantes.

Uma matéria espetacular. Capa da revista Rolling Stones. No filme, a publicação o pagara para acompanhar a turnê da tal banda. Acontece que o garotinho (dizem ser o próprio diretor do filme, Cameron Crowe) tinha lá seus 15, 16 anos e pensava que tudo que visse poderia ser publicado livremente.

Os editores adoraram a história de Crowe adolescente, mas quando ela passou pelo setor de checagem da Rolling Stones, os caras ligaram para os personagens da matéria. Eles, claro, desmentiram as informações do garoto. Ele (Crowe adolescente) ficou como mentiroso.

O filme se desenrola e ele acaba se perdendo no meio do história com os roqueiros.

No New York Times existe uma editoria de checagem também. Ela só funciona quando alguma fonte suspeita de informações já publicadas. Então, a checagem entra em campo. Pede, oficialmente, o bloquinho de anotações do repórter, envia outro repórter para o local onde a informação original foi apurada.

No Brasil, até onde eu sei, isso não existe.

Certa vez, o diretor do time de basquete de Brasília confirmou ao meu editor que um jogador norte-americano da equipe dele havia atuado sem visto de trabalho no Brasil. A informação foi repassada em OFF.

Quando partir para apuração, juntei dados do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal. Ambas as instituições confirmavam que o atleta não tinha visto de trabalho. Em ON, o dirigente negou que o time tivesse deixado o jogador sem a autorização. A entidade que organiza o basquete se negou a informar se havia recebido a cópia do passaporte do gringo com o documento.

De qualquer maneira, eu já possuía tudo que precisava, menos a declaração do jogador.
Na pressa para fechar a matéria, liguei duas ou três vezes para o celular do cara. Ele me atendeu uma vez. Fez que a ligação estava falhando e desligou. Depois, não me atendeu mais.

Achei o suficiente para detonar a matéria no jornal. Fui criticado por não ter checado a denúncia com o jogador, mas eu tinha a certeza, em OFF, que ele estava irregular.

Checagem requer paciência e inteligência para abordar as fontes.

Um colega me confidenciou, recentemente, que um senador do DF pediu o auxílio moradia que todos os parlamentares têm direito aos R$ 3 mil para alugar um apê. Quem já é de Brasília, óbvio, abre mão. Mas esse senador fez questão, de acordo com essa minha fonte.

Repassei a informação para uma jornalista de uma publicação de alcance nacional. Ela passou a notícia para o chefe, que reservou o espaço para a notícia na edição da semana passada. A jornalista ligou no senado, buscou suas próprias fontes, acionou seus conhecidos para confirmar a informação.

Não conseguiu.
O espaço foi ocupado por outra notícia.

E se ela não tivesse checado???

5 comentários:

Anônimo disse...

O moleque escrevia para a Rolling Stone. Rolling Stones é a banda. Ah, a Veja tem um setor de checagem. Mas não sei se eles vão atrás de informações de todas as matérias. Pelo menos números, contas, distâncias, esse tipo de coisa, eles verificam.

Abs

Felipe disse...

Quem trabalhou na Veja me disse que o setor de checagem de lá toca o terror com o repórter. Principalmente na madrugada de quinta para sexta-feira.

E essa repórter da revista de grande circulação nacional eu imagino muito bem quem seja. Mas é bom não desistir na primeira não-publicação. É importante entao procurar outras fontes, pra conseguir, aidna que há duras penas, algo que sustente a publicação de uma notícia assim.

Abs

Toty Freire disse...

concordo com o felipe. não deu na primeira, continua tentando que uma hora se consegue levantar a história... abçs

DB disse...

Realmente, MR. Rabitt, faltou checagem até neste post. Eu até pesquisei na internet a grafia correta do diretor de Quase Famosos, mas nem percebi a(s) diferença (s) entre o nome da revista e da banda. Mas acredito, humildemente, que a mensagem foi compreendida!

Anônimo disse...

Sim, mestre, captamos vossa mensagem.