Pedro Henrique Freire
Com certeza o nosso amigo Daniel Brito pode falar melhor, com mais verdade e voracidade. Afinal, ele está cobrindo o Pan do Rio e já viu muita coisa por lá. Coisas que poucos brasileiros puderam ver. Não porque ocorreram dentro de quartos ou nos banheiros da Vila (isso também, mas não vem ao caso), mas pelo fato das TVs não mostrarem nada além da beleza panamericana.
Minha crítica começa com o estilo americanizado e parcial de se passar a informação. Pelos canais de TV, aberta, principalmente, tudo virou fantasia. Parece cinema de Hollywood. Basta algum brasileiro perder que a transmissão ganha ares de enterro. Se ganham, gritos, elogios e perguntas bobas (como você se sentiu na hora? Achou que tinha ganho o ouro? Está cansado?). Como diz um amigo, que explorou o assunto em seu blog (www.perceptivo.blogspot.com) – texto no qual me inspirei para este post – "para tudo se tem uma desculpa. Se perde no atletismo, foi o calor; no futebol, zebra".
Os repórteres/estrelas da Globo sofrem de um excesso de empolgação que acaba lhes empurrando para um poço de frustração. Eles, por exemplo, acabaram fazendo do jovem Thiago Pereira um fenômeno quase sem precedentes. Fenômeno brasileiro ele pode até ser. Mas é preciso pé no chão. Isso é Pan e não Olimpíadas. A cada melhada que o rapaz faturava, os próprios repórteres sonhavam com os jogos olímpicos. Agora, Thiago sentirá o peso da responsabilidade e a pressão que é chegar em Pequim como promessa de medalha. Será cobrado pelo povo brasileiro e escurraçado por ele, por culpa do sensacionalismo da TV.
Quero usar também comentários de Juca Kfouri. Ele também fez críticas a esse tipo de postura jornalística. "Thiago é um nadador extraordinário. Mas esqueceram de dizer que os melhores dos Estados Unidos e do Canadá não estão aqui". Juca aposta que o rapaz vai faturar um quarto lugar na próxima olimpíada. E ponto.
Por isso, aconselho, humildemente, que quem quiser saber do Pan, que leia os jornais. Sobretudo os dedicados ao esporte de fato. Eles trazem notícias da Vila e mostram o que realmente acontece por lá. Claro que existem exceções. Existem jornais que fazem uma cobertura medíocre. Mas outros exploram assuntos que só se pode ler nos periódicos. Na internet também.
Pois bem. É isso. Não vou me alongar. DB chega do Pan esses dias e já clamo por uma história sua. Se for possível, umas três. Afinal, nesse período no maior evento esportivo das américas, o que não devem faltar são idéias para posts.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
3 comentários:
Companheiro, vi que você foi abandonado pelo correspondente Daniel Brito. Concordo com suas colocações acerca do pan, a quinta divisão do esporte mundial e, acerca do tema, confira o texto que o meu companheiro de blog postou lá no site hoje.
Abs
REalmente, Grande Pedro, tenho várias histórias. So agora tive tempo para ler este post.
Mas, deixe-me fazer um comentario de abertura sobre a série de histórias do pan que tenho para contar.
Os otimistas podem dizer que ela é uma competição semi-profissional. Os realistas a chamam de semi-amadora. Pegue a lista de atletas do paraguai, uruguai, panamá, nicarágua, e outros países espalhados em ilhas no caribe ou menor representatividade no continente.
Os Estados Unidos, mesmo, mandaram uma ginasta de 15 anos, atual campea junior, com pouca experiencia no profissional. No Rio de Janeiro, ela conquistou quatro ouros sobre as nossas jades, danielles e laís.
No atletismo e na natação, somente os sextos colocados nas competições dos EUA vêm para o Pan. Muitos estao mais interessados em estudar do que em seguir carreira de esportista, mas já que aparece a oportunidade de viver esse clima olímpico em escala regional, ótimo, eles vêm.
Uma jogadora do time de futebol feminino do equador é assistente jurídica em Quito e, por ter sido visto jogando uma 'pelada', foi convocada para o Pan.
Nao adianta imaginar que o Brasil está repleto de herois. É claro, tem casos importantes, vitorias bonitas e recheadas de méritos, mas não podemos esquecer que a realidade do nosso esporte é outra.
Em Pequim, a gente comprova o que estou dizendo aqui.
Aí, sim, Grande Predo, veremos um bom jornalismo em prática. Contando histórias de herois brasileiros no Pan que não chegaram nem perto de um bom resultado nos Jogos Olimpicos.
Forte abraço
DB
Ótimas considerações.
Fiz também as minhas.
Mas me faltou falar do estrelismo dos repórteres da Globo. Muito bem lembrado Pedro.
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