Por Daniel Brito
Desde que me mandaram o link no You Tube do 'clipe' de Faroeste Caboclo (http://www.youtube.com/watch?v=RLG1qUaOi08&mode=related&search=), alguns trechos da música de Legião Urbana ficaram grudados na minha mente.
Certo dia, em pleno Jogos Pan-Americanos, cantarolava pela Linha Amarela:
"..Sentindo o sangue na garganta João olhou para as bandeirinhas e pro povo a aplaudir. Olhou para o sorveteiro, para as câmeras e para a gente da tevê que filmava tudo ali...".
Não sou daquele tipo de gente que fica cantando enquanto trabalha, mas exatamente este trecho me veio à mente em um dia na competição de judô. O brasileiro que disputava a final chamava-se João Gabriel.
Após o empate com o cubano nos cinco minutos iniciais, eles foram para o golden score, ou seja, quem aplicasse o primeiro golpe corretamente em mais cinco minutos seria declarado o vencedor. Se a igualdade persistisse, a decisão seria dos juízes, um de pé e dois nas cadeiras. Há um nome técnico para este momento na modalidade, mas eu admito, não sei.
Anyway, o tal do joão judoca empatou com o cubano no tempo normal e na 'morte súbita'. os juízes decidiriam o medalhista de ouro levantando a bandeirinha da cor do kimono. O central levantou a bandeira branca, de João, e os de cadeira, atrás dos dois lutadores, levantaram a azul, do cubano.
Por engano, o árbitro central apontou para o brasileiro como vencedor, mas, diante do silêncio do ginásio, da cara de incredulidade do cubano e do brasileiro, olhou para seus auxiliares e reconheceu o erro. Colocou o braço direito, que indicava vitória de João, junto ao corpo e, com o esquerdo apontou o verdadeiro vencedor.
Foi uma cena típica de comédia pastelão. O árbitro, como já era de se esperar, foi vaiado.
Na hora de escrever a matéria, queria muito fugir do lead tradicional. "O brasileiro João Gabriel perdeu a medalha de ouro, ontem, porque o árbitro bla-bla-bla". Na hora de sentar na cadeira e escrever a matéria, todos os meus dois neurônios repetiam a frase:
"...João olhou para as bandeirinhas e para o povo a aplaudir..."
Perdi mais de 45 minutos sentado, em frente ao laptop, com meu deadline me esfolando, tentando agradar meus neurônios. Queria fazer a matéria parafraseando Renato Russo. Era uma situação muito parecida.
Tive dificuldades na hora de substituir apenas os dois trechos:
- o sangue na garganta
- o povo a aplaudir
João judoca não estava sangrando. O povo não estava aplaudindo, e sim, sem entender a decisão do árbitro.
Escrevia uma linha.
Apagava.
Dava CTRL+z no teclado.
Tentava readaptar.
Mas apagava.
Como se diz na minha pequenina, porém heróica, terra natal, foi um vai-e-vem danado no texto.
Sem resultado.
Optei pelo lead feijão-com-arroz.
Fim de papo.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
4 comentários:
Curiosamente, já citei esse trecho de música, esse trecho idêntico no texto da caganeira no LAos. Foi exatamente a sensação descrita.
Uma vez um editor executivo que já saiu do jornal baixou uma determinação (mais por capricho, eu acho) de que estavam proibidos titulos e referencias a trechos de musicas, filmes ou frases famosas. Pura rabujentisse. Ainda bem que hoje em dia isso é sossegado. Senão, eu não conseguiria fazer nenhum título no Aqui. Os melhores sao de frases do imaginario comum. E que remetem a uma historia ou situação conhecida.
Abração, continue se esforçando que uma hora sai.
Pois é DB, nem sempre a criatividade está à flor da pele. Mas como bem disse o grande Felipe continua exercitando que uma hora sai.
Abs
Querido Paraíba Salessssssss.. Que dilema! Morri de rir da sua briga com os neurônios!!! Vê se aparece meu irmão! Saudades de vc! Malu tá chegando!!! uhuuuuu!
É ruim quando, ao tentar começar o texto, nossa mente se prende a um foco, sem conseguir expandir as possibilidades de criação. Sua idéia era ótima, DB. Mas muito difícil de ser traduzida. Mesmo assim, brigou por ela. Pena que o dead line te esfolou de vez e o vai-e-vem danado acabou. Mas, como diz Felipão, uma hora sai! Abçs meu velho
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