Por Daniel Brito
Quem reclama do imperialismo norte-americano, mudaria de opinião se o imperialismo dominante fosse o chinês. Olha a confusão no Tibete aí para não me deixar mentir.
Antes que me xinguem de "amigo do rei", deixe-me esclarecer que foi o exemplo mais prático que pude encontrar para entrar no assunto da China. Essa comparação, inclusive serve para um post futuro (todos os posts deste blog ficaram para o futuro. Uma pena...) sobre a briga Record x Globo.
Aliás, se a Olimpíada de 2008 fosse nos Estados Unidos, o mundo pediria boicote ao evento por causa da ingerência norte-americana no Iraque, por exemplo?
Humpf...
Mas o governo chinês já encontrou um culpado para o caso de seus jogos olímpicos ficarem marcados por protestos, revoltas populares e invasões: a imprensa internacional.
A partir do momento que as agências repassam para o resto do planeta as imagens e notícias de tentativa de sabotagem da inocente tocha olímpica nas ruas das cidades mais simbólicas do planeta, elas incentivam mais e mais protestos.
Quando a tocha desfilou escoltada por dezenas de soldados na Inglaterra ou na França, não me lembro bem, uma atleta paraolímpica da China chegou a abraçar a tocha para evitar que alguém tentasse roubá-la de suas mãos. Essa atleta virou heroína para os chineses. O gesto foi bonito, mas no mesmo dia os jornais de lá noticiaram outra história além disso.
Eles preferiram mostrar o lado festivo do evento e criticaram o que chamaram de atitude ''desprezível'' dos grupos pró-Tibete. "Os protestos foram 'irrelevantes e insignificantes'', lembrou uma reportagem, que copio e colo aqui.
Para o governo, controlar os chineses, tudo bem...A começar pela imprensa. Até porque, a maior parte dela é oficial. O grande lance vai ser evitar os gringos, que vêem como combustível as notícias de protesto com amplo destaque pelo mundo afora.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
Um colega jornalista, que foi meu calouro na faculdade, costuma relatar algumas dificuldades para ter acesso à informação na China no seu blog - amantenachina.com.br. Nessa época de tumultos no Tibete, ele contou que o You Tube, entre outros sites, ficaram bloqueados por um bom tempo. Além de outras coisas.
O Pedro Bassan, correspondente da Globo na China, fez uma matéria uma vez sobre um restaurante onde os chineses vão para quebrar coisas. Na passagem da matéria, ele deu uma cutucada de leve no regime: "E a gente quebra por causa da censura". Foi lá e jogou um objeto na parede, logo depois da frase.
O regime vai fazer de tudo para controlar a multidão de jornalistas ocidentais que chegarão à China para cobrir a Olimpíada. Quem quiser fazer matéria que não seja esportiva vai ter problema.
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