25 junho 2008

Punição aos veteranos

Por Daniel Brito

Desde que inventaram essa história de país do futuro, uns cinqüenta anos atrás, foi estabelecida a ordem das coisas no Brasil. Ordem, aliás, ao avesso, como deve ser a ordem no Brasil.

Senão, vejamos.

Você passará a vida inteira se dedicando a algo até, depois de 35 anos de prestação de serviços, esperar uma recompensa para passar suas últimas décadas ou últimos anos de vida em paz e com a consciência tranqüila de dever cumprido.

Deveria ser assim.

Mas no Brasil, é preciso trabalhar mais que 35 anos para se aposentar, pagar uma bela parcela de seu salário para garantir uns trocados na velhice, e quando ela (a velhice) chega é preciso continuar pagando para receber.

Aliás, isso é uma das grandes fraudes do atual governo, que continua cinicamente taxando os inativos, quando passou duas décadas esperneando pelo fim do imposto.

Não adianta reclamar. As coisas simplesmente funcionam assim do lado de cá do Equador.

A iniciativa privada também adota o hábito de punir os veteranos, em vez de "premiá-los" pelo tempo de serviço.

Veja o exemplo da empresa para a qual eu dou minha humilde contribuição. Adotou pela segunda vez, após dois anos, o famigerado Plano de Demissão Voluntária (PDV), que de voluntária só tem o nome.

Caras que pelos últimos 20 anos deixaram parte de sua história pessoal naquela redação foram convidados a se retirar com uma bela grana no bolso, é bem verdade, mas seus esforços em fazer um jornal melhor acabaram em demissão.

Não tô defendendo aqui a sacrificação de novatos em detrimento dos veteranos. Mas, um tratamento diferenciado aqueles que fomentaram o nome e o respaldo da empresa perante a sociedade.

Alguém já me disse que relacionamento entre iniciativa privada e funcionário é como namorar com uma mulher gostosa mas de origem desconhecida. Por mais que você goste dela, dê tudo a ela, faça tudo que estiver a seu alcance para agradá-la, a vagabunda pode te dar um pé na bunda a qualquer momento por um motivo desconhecido, porque ela acha que tem sempre alguém que pode fazer mais por ela, por muito menos. (Vide o texto do nosso colaborador andino Jorge Wilstermann, no post abaixo)

2 comentários:

Mário Coelho disse...

É o capitalismo, meu caro: os mais velhos são dispensáveis. Uma pena; ainda mais em um momento onde as redações estão cada vez mais novas e inexperientes.

Léo Alves disse...

Verdade Mário, cada vez as redações estão mais novas e inexperientes. E o pior: com muito jornalista com preguiça de apurar, em que pese estarem no início da profissão. As empresas ficam entre a cruz e a espada. Demitem os mais velhos que estão "cansados" e fica com os mais novos preguiçosos. Resultado: queda de qualidade no material. Mas isso não é regra. Existe muito novato cheio de gás.