01 junho 2008

Bola fora

Por Léo Alves

Eu publiquei no meu blog de esportes.

O Juca Kfouri no dele.

O colega Expedito Madruga do Jornal da Paraíba já estava com uma página pronta sobre o assunto.

A maioria dos jornalistas embarcou na (falsa) pesquisa Gallup sobre as torcidas no Brasil. Aqui na Paraíba o time do Treze chegou a publicar em seu site oficial.

A pesquisa fazia um levantamento da quantidade de torcedores de cem times brasileiros. Era intitulada “A Maior Pesquisa da História”.

Quando recebi o mail de um dos poucos leitores do meu blog o assunto já estava amplamente divulgado.

Como todo mundo já tinha divulgado não quis ficar pra trás.

Divulguei. Mas divulguei desconfiado.

Primeiro porque a pesquisa estava publicada apenas num blog, o gallupnobrasil.blogspot.com

Entrei no site do Gallup. A pesquisa não estava.

Achei estranho um instituto publicar uma pesquisa dessa proporção apenas num blog.

Outro fato me chamou atenção. É a única postagem do tal blog. As outras quatro são em inglês.

Desconfiado enviei um mail para a Editora Ática, que segundo a notícia teria pedido a pesquisa, e para o Instituto Gallup.

A “eficiente” assessoria de imprensa da editora nunca me respondeu. Não demorou mais de duas horas pro Gallup enviar a resposta desmentindo a pesquisa.

Nesse período outro blog desmentia a pesquisa. O Uol publicava uma errata. Juca Kfouri se desculpava: “Mil perdões! Errei feio. Cai num conto que não poderia cair. A "pesquisa" do Gallup não existe. Obra de algum engraçadinho para enganar trouxas. Como eu!”

Realmente fomos todos trouxas. Impulsionados pela velocidade da internet esquecemos o básico do jornalismo: checar a fonte.

Tudo bem que o texto do blog era até convincente.

Mas não tem desculpa. É um erro divulgar sem checar.

Esse fato apenas externou algo que vem acontecendo há alguns anos. A geração internet de jornalistas muitas vezes apenas reproduz o que está na internet. Nada de checagem.

É só “Ctrl C” e “Ctrl V”. Tudo resolvido.

A falsa pesquisa Gallup deu uma lição em todos nós. Aliás uma lição que todos já sabíamos, mas vez por outra, seja por acomodação ou por qualquer outra coisa, esquecemos: não se pode confiar em tudo que está na internet.

Não resta dúvida que é um excelente instrumento de trabalho para o jornalista, mas é nela que surgem as chamadas “lendas urbanas”.

“Lendas urbanas” são aquelas histórias repassadas por mail para vários lugares. Em cada estado é adaptada à realidade. E todo mundo conta como se fosse verdade.

Só para lembrar uma. Tem aquela do cara que está no cinema no shopping é seqüestrado dentro da sala. O seqüestrador o obriga a fazer várias compras usando o cartão de crédito no shopping.

Recebi esse mail de uma colega de trabalho para checar a informação. Também recebi outro de um possível eclipse. Nesse eu quase embarcara. Um astrônomo evitou o vexame.

Exemplos não faltam.

A “pesquisa” Gallup relembrou pra gente nunca mais - nunca mais mesmo – esquecer: não dá pra confiar em tudo da internet.

E nunca deixar de lado o que aprendemos nos bancos da faculdade: sempre checar a informação com a fonte. De preferência com mais de uma.

3 comentários:

Mário Coelho disse...

Pra mim, Léo, a internet só facilitou e piorou esse tipo de coisa. Desde os tempos mais primórdios, jornalistas são levados ao erro pela falta de checagem, preguiça e excesso de confiança nas fontes. Por isso, vários jornais tinham como norma a obrigatoriedade de os jornalistas ouvirem pelo menos cinco fontes para a mesma matéria - a Gazeta Mercantil era um deles. Hoje, acho que isso foi para o espaço. O importante é dar rápido, e não corretamente. Por isso a necessidade de sempre checar. Para depois não ter que se desculpar e perder um pouquinho de credibilidade.

Unknown disse...

Aiiiii!! pense numa coisa que me dá frio na espinha toda vez que eu me lmebro... Eu aprendi geral, com meus erros de "NÃO CHECAR A INFORMAÇÃO". Nunca mais eu acredito na conversa do vigário... só se o Bispo e/ou o Papa, confirmar a versão dele. Informação sem checar é o "O".

abraços leo

DB disse...

A Agencia France Presse (AFP) proibiu que seus repórteres utilizem o wikipedia como fonte. Mesmo que seja para saber o local de nascimento de um personagem. A americana AP, por sua vez, pede que o wikipedia seja citado no texto, quando consultado.
Melhor assim...