Por Léo Alves
Eu publiquei no meu blog de esportes.
O Juca Kfouri no dele.
O colega Expedito Madruga do Jornal da Paraíba já estava com uma página pronta sobre o assunto.
A maioria dos jornalistas embarcou na (falsa) pesquisa Gallup sobre as torcidas no Brasil. Aqui na Paraíba o time do Treze chegou a publicar em seu site oficial.
A pesquisa fazia um levantamento da quantidade de torcedores de cem times brasileiros. Era intitulada “A Maior Pesquisa da História”.
Quando recebi o mail de um dos poucos leitores do meu blog o assunto já estava amplamente divulgado.
Como todo mundo já tinha divulgado não quis ficar pra trás.
Divulguei. Mas divulguei desconfiado.
Primeiro porque a pesquisa estava publicada apenas num blog, o gallupnobrasil.blogspot.com
Entrei no site do Gallup. A pesquisa não estava.
Achei estranho um instituto publicar uma pesquisa dessa proporção apenas num blog.
Outro fato me chamou atenção. É a única postagem do tal blog. As outras quatro são em inglês.
Desconfiado enviei um mail para a Editora Ática, que segundo a notícia teria pedido a pesquisa, e para o Instituto Gallup.
A “eficiente” assessoria de imprensa da editora nunca me respondeu. Não demorou mais de duas horas pro Gallup enviar a resposta desmentindo a pesquisa.
Nesse período outro blog desmentia a pesquisa. O Uol publicava uma errata. Juca Kfouri se desculpava: “Mil perdões! Errei feio. Cai num conto que não poderia cair. A "pesquisa" do Gallup não existe. Obra de algum engraçadinho para enganar trouxas. Como eu!”
Realmente fomos todos trouxas. Impulsionados pela velocidade da internet esquecemos o básico do jornalismo: checar a fonte.
Tudo bem que o texto do blog era até convincente.
Mas não tem desculpa. É um erro divulgar sem checar.
Esse fato apenas externou algo que vem acontecendo há alguns anos. A geração internet de jornalistas muitas vezes apenas reproduz o que está na internet. Nada de checagem.
É só “Ctrl C” e “Ctrl V”. Tudo resolvido.
A falsa pesquisa Gallup deu uma lição em todos nós. Aliás uma lição que todos já sabíamos, mas vez por outra, seja por acomodação ou por qualquer outra coisa, esquecemos: não se pode confiar em tudo que está na internet.
Não resta dúvida que é um excelente instrumento de trabalho para o jornalista, mas é nela que surgem as chamadas “lendas urbanas”.
“Lendas urbanas” são aquelas histórias repassadas por mail para vários lugares. Em cada estado é adaptada à realidade. E todo mundo conta como se fosse verdade.
Só para lembrar uma. Tem aquela do cara que está no cinema no shopping é seqüestrado dentro da sala. O seqüestrador o obriga a fazer várias compras usando o cartão de crédito no shopping.
Recebi esse mail de uma colega de trabalho para checar a informação. Também recebi outro de um possível eclipse. Nesse eu quase embarcara. Um astrônomo evitou o vexame.
Exemplos não faltam.
A “pesquisa” Gallup relembrou pra gente nunca mais - nunca mais mesmo – esquecer: não dá pra confiar em tudo da internet.
E nunca deixar de lado o que aprendemos nos bancos da faculdade: sempre checar a informação com a fonte. De preferência com mais de uma.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
3 comentários:
Pra mim, Léo, a internet só facilitou e piorou esse tipo de coisa. Desde os tempos mais primórdios, jornalistas são levados ao erro pela falta de checagem, preguiça e excesso de confiança nas fontes. Por isso, vários jornais tinham como norma a obrigatoriedade de os jornalistas ouvirem pelo menos cinco fontes para a mesma matéria - a Gazeta Mercantil era um deles. Hoje, acho que isso foi para o espaço. O importante é dar rápido, e não corretamente. Por isso a necessidade de sempre checar. Para depois não ter que se desculpar e perder um pouquinho de credibilidade.
Aiiiii!! pense numa coisa que me dá frio na espinha toda vez que eu me lmebro... Eu aprendi geral, com meus erros de "NÃO CHECAR A INFORMAÇÃO". Nunca mais eu acredito na conversa do vigário... só se o Bispo e/ou o Papa, confirmar a versão dele. Informação sem checar é o "O".
abraços leo
A Agencia France Presse (AFP) proibiu que seus repórteres utilizem o wikipedia como fonte. Mesmo que seja para saber o local de nascimento de um personagem. A americana AP, por sua vez, pede que o wikipedia seja citado no texto, quando consultado.
Melhor assim...
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