Pedro Henrique Freire
Qualquer campanha quer sensibilizar para convencer. Seja eleitoral, ambiental, comercial. Nossos políticos, sabidos do jeito que são, se utilizam por vezes de ferramentas que balançam na corda bamba do antiético para sensibilizar e, no final, ganhar votos. Uma dessas artimanhas irresponsável, porém, eficiente, é utilizar o sofrimento humano como cabo eleitoral.
Conheço um deputado que se elegeu com pouco mais de 20 anos de idade após seu pai ter sido assassinado a tiros no meio de uma cidade no interior do Maranhão. O pai, um político famoso. Ele, um rapazote que mal sabia falar (até hoje não sabe direito). Após o crime, tirou umas fotos e colocou seu número nas urnas, pedindo ajuda para fazer a justiça pelo pai morto. Resultado: foi um dos federais mais votados em 2006.
Na reeleição de 1998, a hoje (pela terceira vez) governadora do Maranhão, Roseana Sarney, mal fez campanha. Estava doente. Curava-se de um câncer (outro). Na época, não saiu às urnas, não pediu votos esbarrando ou cumprimentando eleitores. Bastou aparecer na televisão, envolta em uma boa campanha de marketing que lhe apontava como uma "guerreira", sofrida, lutando para sobreviver e para "melhorar a vida do povo maranhense". Resultado: levou no primeiro turno, de lavada.
Agora, aparece no Brasil a pré-candidata preferida do Lula, Dilma Rousseff. Está com câncer linfático. Coisa sério, mas nem tanto, se comparada ao do seu colega de república José Alencar, o vice de Lula. Como descobriu no começo, o linfoma dificilmente irá matá-la. Mas vai ajudá-la a ganhar alguns votos.
Sabida do jeito que é, tratou de divulgar a doença para sensibilizar a mídia e o eleitorado. Tudo com ajuda do presidente Lula. Está conseguindo. Sobretudo porque conta com a ingenuidade dos meios de comunicação. Podem reparar. Todos caíram nas graça do linfoma da Dilma. Todos os dias falam nisso na TV, nas rádios e jornais. E perguntam ao Lula. E perguntam aos ministros. Até o Dirceu sentiu pena da sua substituta na Casa Civil.
Deram audiência a sua doença e estão ajudando a elegê-la em 2010. Coincidência ou não, o Data Folha saiu às ruas dois dias depois do Brasil saber que a "madrinha do PAC, preferida do Lula e pré-candidata à presidência" estava com câncer.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
6 comentários:
interessante a abordagem destemida. a doença existe, é grave, mas, como voce falou, é remediavel. ate onde eu vi, dilma tem sido sobria nas entrevistas sobre sua saude. sem fazer alarde. alias, é curioso porque se estivesse em estagio avancado, muito provavelmente ela esconderia para nao prejudicar a imagem. Agora é preciso ter atenção aos movimentos da candidata em potencial para não 'engolir o oficial'.
Um cara que escreve isto não é só um filho da pauta:
"Sabida do jeito que é, tratou de divulgar a doença para sensibilizar a mídia e o eleitorado".
Se fosse com alguém da oposição até acreditaria.
Destemida, talvez, com bom senso, não necessariamente. E se a Ministra (para não se aproveitar...) não contasse nada e daqui a um ano "descobrissem" que ela estava fazendo tratamento? Não haveria uma crítica de que o eleitorado tinha o direito de saber que sua candidata pode morrer? Não parece haver muita opção, parece, mesmo que isso possa eventualmente favorecer a Mi nistra.?
Eu já acredito que, com todo o infortúnio da doença, ela também está se aproveitando da doença para intensificar sua campanha à presidência, afinal qualquer eleitorado rende voto.
O pior é que ela é tão amoral que está usando da sua doença, o linfoma, pra também se promover. Ela faz o que quiser da doença dela, mas tem que respeitar os outros pacientes.
Enquanto ela voa de jatinho para ser atendida o povo pasta nas filas do SUS sem atendimento, faltando recursos modernos, a lista de remédios não é atualizada há 10 anos. Ou seja, os principais tratamentos e que garantem uma melhor qualidade de vida e até a pausa nas quimios, como rituximab, não estão disponíveis para quem não pode pagar.
Só espero que quando ela "chegar lá" ela pense nisso, na mesma óptica.
Não sei e pouco interessa quam pagou a conta do tratamento da Ministra Dilma, ou mesmo do Vice-Presidente José Alencar. Nós que pagamos a cada ano mais impostos não temos acesso ao tratamento com medicamentos mais eficazes porque simplesmente não estão na lista do SUS. Quando o debate é a vida de um acometido pelo cãncer, contam em dias e meses o tempo de vida. Mas o que determina a escolha de quem terá acesso é o conehcimento da lei para brigar incessantemente pelo preceito constituconal a saúde. Não sou amigo do Rei, assim se o medicamento é caro minha vida vale menos... afinal o custo do tratamento pode não salvar a minha vida. Perguntam estão para que o medicamento se o que vamos é prolongar meses de vida. EU GRITO ENTÃO - QUANTO CUSTA UM MÊS DA MINHA VIDA PARA O SENHOR MINISTRO TEMPORÃO ??
A culpa não é da Dilma, mas dos parasitas da mídia. Jornalista não produz nada. Só fica esperando desgraça para poder vender jornal ou tempo na TV.Por outro lado, qualquer análise séria verá a má vontade que os playboys donos donos dos principais jornais e revistas brasileiras possuem em relação ao presidente.L:iberdade de expressão tem que ser do povo, e não dos carrpatos donos de jornal.
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