08 maio 2009

A mídia e as bravatas

Pedro Henrique Freire

Não gosto de políticos. Por um simples motivo: eles mentem. Faz parte da essência política, de sua desenvoltura. Mentir, fingir, teatralizar é a maneira que eles tem de sobreviver. Esqueçam outra alternativa. Não adianta tentar ser um político diferente. Se insistir nisso, for sincero demais e tentar quebrar paradigmas de sopetão, será engolido.

Exemplo recente: deputado Silvio Costa (PMN-PE). No escândalo das passagens do Senado, defendeu as viagens para suas mulheres. Tudo pelo bem do seu casamento. Fez isso abertamente. Assim como o maranhense Pedro Fernandes (PTB), que discursou na Câmara admitindo que deu passagem a quem lhe pediu.

Conheço os dois do tempo em que cobri Congresso Nacional, em Brasília. Costa sempre foi um dos nomes mais polêmicos do baixo clero. Tudo porque sempre tentou falar a verdade, admitindo aquilo que os outros deputados não teriam coragem de falar em público.

Fernandes é mais afeito a articulações. Tem paciência, com a imprensa e com os pares. Mas também defende posições firmes e polêmicas como o nepotismo (ele tinha familiares no gabinete, os considerava competentes e assíduos e, portanto, não vê mal nenhum em empregar parentes) e a flexibilização no uso das passagens.

No tititi mais recente da Câmara, a dupla resolveu falar a verdade. Não deu outra. Foi para o paredão, com direito a segundos no Jornal Nacional. A maioria dos deputados, que defende o uso indiscriminado - ou flexibilizado - de passagens como os dois ai, ficou na moita, fugindo da imprensa, evitando comentar o assunto. Mas eles estavam estufando o peito e sendo sinceros.

Confesso. Por aquilo, admirei-os porque tiveram coragem de dizer o que a maioria ali nunca teve nem nunca terá. Admirei-os não pela forma, mas pelo procedimento. Foram sinceros. Ao acompanhar a repercussão, vi logo que iriam se arrepender. Não deu outra. Costa mudou de idéia sobre levar a mulher em todo voo que pegar. E Fernandes disse que foi mal interpretado.

Pra mim, fica a pergunta: e a mídia, ajudou a moralizá-los ou a continuarem mentindo e omitindo suas opiniões?

2 comentários:

soldadonofront disse...

Excelente texto de Pedro Henrique Freire.

!!@v@nte!!

DB disse...

eu vejo ai, grande predo, um mistura de vaidade com 'inocencia' de principiantes. eles sao do baixo clero, quem é o pmn na historia do brasil? todo deputado gosta de aparecer. quem tem conteudo, ta direto no noticiario tratando de questoes importantes. quem nao tem, arruma um jeito de botar a cara na janela. mesmo que seja para levar pedrada, como é o caso dos dois. Agora eles viram que é melhor ser baixo clero do baixo clero do que tentar ser 'honesto'. Tenho certeza que o exemplo deles vai ser esquecido logo e virao outros cacarecos cometendo os mesmos deslizes. pena que nao dê para fiscalizar 400 e cassetada de deputados.