Por Léo Alves
Como dito no último parágrafo do post anterior, seis meses depois de entrar no Diário da Borborema, saí para assumir um cargo (concursado) no Banco do Brasil em abril de 2000. Esqueci de dizer que antes de ir pra o Diário havia feito o concurso e um teste para repórter na TV Paraíba, no qual fui reprovado.
A vida no BB me oferecia um salário melhor, folgas nos feriados e finais de semana, além da famosa estabilidade. Aparentemente não sairia mais dali. Porém, passados 10 meses, uma angústia tomou conta de mim. Primeiro, porque a vida de bancário não é menos estressante que a de jornalista. Além disso, tinha que viajar todos os dias mais de 60 quilômetros – dos quais em 22 tinha 72 curvas (contava para não dormir ao volante) para chegar à agência onde trabalhava na região do Cariri.
Dois meses depois, surgiu a oportunidade para voltar ao Diário da Borborema, agora como repórter esportivo. A negociação para minha volta foi intermediada por Daniel, que era repórter da TV Borborema na época. O gerente do banco não queria me liberar, pois em poucos meses havia me tornado responsável pela agência. Até que disse pra ele:
- Eu posso chegar a ser presidente do Banco do Brasil, mas vou estar infeliz porque sempre que ler uma notícia vou me lembrar do que podia estar fazendo.
Liberado do BB, aceitei a proposta, mesmo reduzindo meu salário pela metade. Era o preço para voltar ao jornalismo, já em 2001. O preço foi muito bem pago. Poucos meses depois voltei a ser editor (o salário melhorou) e no final do ano a editora Neide Nascimento me convidou para ser repórter da TV Borborema, onde havia participado de um debate esportivo na condição de editor do jornal.
Relutei de início, mas aceitei. O colega Daniel afirmou categoricamente que “televisão numa era a minha praia”. Em parte, ele tinha razão porque nunca me senti muito à vontade com a reportagem. Mesmo assim, passei quase cinco anos na TV e no jornal até ser chamado para a TV Paraíba para ser repórter.
Senti-me como um jogador de futebol que é dispensado de um time e oito anos depois é contratado por ele. Em 2005 chegava à afiliada Globo com a consciência de que anos atrás realmente não tinha condições profissionais de assumir o posto a que me candidatei. Fui reprovado na época de forma merecida.
Meu primeiro desafio foi convencer o editor-chefe, Rômulo Azevedo (meu professor na UEPB), que estava pronto para a função.
Como dito no último parágrafo do post anterior, seis meses depois de entrar no Diário da Borborema, saí para assumir um cargo (concursado) no Banco do Brasil em abril de 2000. Esqueci de dizer que antes de ir pra o Diário havia feito o concurso e um teste para repórter na TV Paraíba, no qual fui reprovado.
A vida no BB me oferecia um salário melhor, folgas nos feriados e finais de semana, além da famosa estabilidade. Aparentemente não sairia mais dali. Porém, passados 10 meses, uma angústia tomou conta de mim. Primeiro, porque a vida de bancário não é menos estressante que a de jornalista. Além disso, tinha que viajar todos os dias mais de 60 quilômetros – dos quais em 22 tinha 72 curvas (contava para não dormir ao volante) para chegar à agência onde trabalhava na região do Cariri.
Dois meses depois, surgiu a oportunidade para voltar ao Diário da Borborema, agora como repórter esportivo. A negociação para minha volta foi intermediada por Daniel, que era repórter da TV Borborema na época. O gerente do banco não queria me liberar, pois em poucos meses havia me tornado responsável pela agência. Até que disse pra ele:
- Eu posso chegar a ser presidente do Banco do Brasil, mas vou estar infeliz porque sempre que ler uma notícia vou me lembrar do que podia estar fazendo.
Liberado do BB, aceitei a proposta, mesmo reduzindo meu salário pela metade. Era o preço para voltar ao jornalismo, já em 2001. O preço foi muito bem pago. Poucos meses depois voltei a ser editor (o salário melhorou) e no final do ano a editora Neide Nascimento me convidou para ser repórter da TV Borborema, onde havia participado de um debate esportivo na condição de editor do jornal.
Relutei de início, mas aceitei. O colega Daniel afirmou categoricamente que “televisão numa era a minha praia”. Em parte, ele tinha razão porque nunca me senti muito à vontade com a reportagem. Mesmo assim, passei quase cinco anos na TV e no jornal até ser chamado para a TV Paraíba para ser repórter.
Senti-me como um jogador de futebol que é dispensado de um time e oito anos depois é contratado por ele. Em 2005 chegava à afiliada Globo com a consciência de que anos atrás realmente não tinha condições profissionais de assumir o posto a que me candidatei. Fui reprovado na época de forma merecida.
Meu primeiro desafio foi convencer o editor-chefe, Rômulo Azevedo (meu professor na UEPB), que estava pronto para a função.
Explica-se: minha contratação foi pedida pelo editor regional, Luiz Augusto Pires (hoje na Rede Amazônia), mesmo contra a vontade de Rômulo. Uma pessoa foi fundamental para minha chegada ao Grupo Paraíba, o editor Expedito Madruga, com quem havia trabalhado nos Associados anteriormente, e que levou minhas reportagens para Luiz.
Com trabalho consegui convencer Rômulo que não estava ali por acaso. Mais pra fente, ele mesmo comentou numa festa de confraternização que cometeu um erro ao ser contrário a minha ida para a TVPB.
Pouco mais de ano sob as orientações do professor Rômulo até que uma nova chefia assumiu a TV. No segundo semestre de 2006, saiu Rômulo e assumiu Carlos Siqueira, que estava na casa havia quase 20 anos como repórter e apresentador.
Nos primeiros meses de Siqueira, mais uma mudança: saí da reportagem e fui deslocado para a produção. Confesso que não encarei com naturalidade a mudança. Pensei em sair. Tive proposta para voltar aos Associados, mas decidi ficar para aprender mais.
E a partir de 2006 descubri que telejornalismo é muito mais (muito mais mesmo) que apenas botar o rosto no vídeo. Com a confiança de Siqueira (que me ensinou muito sobre a arte de ser chefe), fui produtor, chefe de produção, editor assistente do Globo Esporte local e editor de telejornais. A experiência me fez entender um pouco mais sobre os caminhos da notícia.
Tudo na vida é um ciclo e o meu na TV Paraíba chegou ao fim.
Com trabalho consegui convencer Rômulo que não estava ali por acaso. Mais pra fente, ele mesmo comentou numa festa de confraternização que cometeu um erro ao ser contrário a minha ida para a TVPB.
Pouco mais de ano sob as orientações do professor Rômulo até que uma nova chefia assumiu a TV. No segundo semestre de 2006, saiu Rômulo e assumiu Carlos Siqueira, que estava na casa havia quase 20 anos como repórter e apresentador.
Nos primeiros meses de Siqueira, mais uma mudança: saí da reportagem e fui deslocado para a produção. Confesso que não encarei com naturalidade a mudança. Pensei em sair. Tive proposta para voltar aos Associados, mas decidi ficar para aprender mais.
E a partir de 2006 descubri que telejornalismo é muito mais (muito mais mesmo) que apenas botar o rosto no vídeo. Com a confiança de Siqueira (que me ensinou muito sobre a arte de ser chefe), fui produtor, chefe de produção, editor assistente do Globo Esporte local e editor de telejornais. A experiência me fez entender um pouco mais sobre os caminhos da notícia.
Tudo na vida é um ciclo e o meu na TV Paraíba chegou ao fim.
Como diz o título deste post, o ciclo de redações foi encerrado (pelo menos por enquanto). Saí para encarar o desafio de um mestrado. Desde 2004 – paralelo à vida de jornalista – passei a dar aulas no curso de jornalismo da UEPB. A partir de então, busquei um mestrado para encarar com mais foco a academia. Como a realização, decidi abdicar da vida em uma redação para cursar com mais dedicação a pós.
Não foi fácil tomar essa decisão, mas ela já vinha sendo amadurecida havia alguns anos. Afinal chegam momentos na vida que é preciso decidir entre uma coisa e outra.
Nesse tempo todo aprendi muito mais que ensinei. Ri muito mais que chorei. Os momentos de tristeza foram tão poucos que são superados pelos inúmeros de alegria. Tenho muito mais a agradecer que ser agradecido. Nesse tempo, fiz muito mais amigos. Algumas amizades - é verdade - não resistiram e não resistirão à falta de contato na redação. São os amigos de trabalho. Não menos importantes que outros. Certamente devo ter feito alguma inimizade, mesmo que ela nunca tenha sido revelada. E isso faz parte da vida. Como diz o poema de Vitor Hugo:
“Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo”
Independentemente do estresse do dia-a-dia (que me levou a um cateterismo), das alegrias, das poucas tristezas, o importante é que durante o tempo em que estive nas redações me realizei profissionalmente, algo que com certeza não teria acontecido se tivesse sido engenheiro ou bancário. E por isso, “somente” por isso, esses anos de jornalismo valeram muito a pena.
Não foi fácil tomar essa decisão, mas ela já vinha sendo amadurecida havia alguns anos. Afinal chegam momentos na vida que é preciso decidir entre uma coisa e outra.
Nesse tempo todo aprendi muito mais que ensinei. Ri muito mais que chorei. Os momentos de tristeza foram tão poucos que são superados pelos inúmeros de alegria. Tenho muito mais a agradecer que ser agradecido. Nesse tempo, fiz muito mais amigos. Algumas amizades - é verdade - não resistiram e não resistirão à falta de contato na redação. São os amigos de trabalho. Não menos importantes que outros. Certamente devo ter feito alguma inimizade, mesmo que ela nunca tenha sido revelada. E isso faz parte da vida. Como diz o poema de Vitor Hugo:
“Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo”
Independentemente do estresse do dia-a-dia (que me levou a um cateterismo), das alegrias, das poucas tristezas, o importante é que durante o tempo em que estive nas redações me realizei profissionalmente, algo que com certeza não teria acontecido se tivesse sido engenheiro ou bancário. E por isso, “somente” por isso, esses anos de jornalismo valeram muito a pena.
7 comentários:
Muito lúcido seu texto leo. Espero que a nossa amizade permaneça. Aprendi com você que "jornalismo é muito mais do que a gente imagina e que em uma redação saber lidar com os colegas é tão mais importante do que a própria apuração"
beijos e eu Desejo muita sorte nessa sua nova etapa. Torço por você sempre!!
Lane não tenho dúvidas que nossa amizade permanecerá. Até porque foi construída além-jornalismo. E acima de tudo porque temos valores parecidos. E pode ter certeza que nos últimos meses aprendi muito com você, pois as conversas foram fundamentais para enfrentar certas situações. Bjos
Excelente citacao de Vitor Hugo. Frejat depois fez uma musica bem legal baseado nesse poema.
bueno, desejo sorte e quero dizer que nao me lembro exatamente bem se disse categoricamente que vc nao tinha jeito, talvez tenha dito que faltava muito para pegar o jeito, sei la.De qualquer maneira, peço desculpa se fui indelicado. De alguma maneira, sua trajetoria provou que eu estava errado.
aproveitando que vc vai na frente, depois me fala como seguir o caminho do mestrado, que eu pretendo seguir sooner or later.
sucesso!
Belissimo texto. Felismente já tive a honra de ouvir essa trajetória incrivel em uma de suas aulas. Desejo toda sorte do mundo Professor Léo. Da mesma forma que você escolheu o jornalismo ao BB, e fez uma ótima escolha, tudo vai da certo nessa nova etapa. SUCESSO!!
Abraços.
olha aí professor, faltou ensinar a marcela que infelizmente ela não aprendeu que 'felizmente' é assim que se escreve. Pra você, eu desejo sorte.
Obrigada Michel por seu interesse em avaliar os erros gramáticos dos outros. Agora eu já aprendi que se escreve "feliZmente". Quando tiver mais dicas, não esqueça de avisar. Abraços.
Léo! Tenho plena certeza que mais uma vez você tomou a decisão certa. Torço por você!!!
Sucesso!
Bjs! Michele
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