Por Léo Alves
Entrei no curso de jornalismo a contragosto do meu histórico escolar. Havia concluído no segundo grau o curso técnico de eletrônica. Embora a única coisa que consegui fazer nessa profissão foi deixar minha casa toda no escuro (depois do curto-circuito) ao tentar trocar o botão liga-desliga da televisão da minha mãe. Ainda hoje o grito dela ecoa na minha mente:
- LeonaAAAAAAAAAardo, o que foi isso?
Depois de quase um minuto de silêncio (do medo) e outro grito da minha mãe (certamente achando que eu tinha morrido) consegui responder.
- Mãe, foi nada não. Só errei aqui um negócio. (Esse erro eu nunca descobri porque não segui a carreira para investigá-lo).
Se bem que noutra tentativa (não sei se foi antes ou depois do curto) fiz a ligação elétrica do meu quarto. Tudo aparentemente perfeito. Porém a tevê só ligava quando a luz estava ligada.
Mesmo com essas experiências frustrantes ainda insisti e fiz vestibular para engenharia (mecânica) e para jornalismo. Fui aprovado nos dois. Passei cerca de um ano e meio nos cursos, mas em 95 decido abraçar o jornalismo.
Inspirado por meu tio Gutemberg Simões - que é repórter esportivo - sempre sonhei em seguir esse caminho. O detalhe é que ele era contra (talvez por saber das mazelas que fazem parte do futebol). Como “titio” não quis me dar espaço em seu departamento de esportes fui levado para a rádio concorrente (a Caturité) pelo colega Morib Macedo, que na época também engatinhava na profissão.
Como plantonista esportivo não tive muito sucesso. Trabalhar com vários rádios chiando no meu ouvido (antigamente era assim, não tinha a net) para pegar os resultados dos jogos não era meu forte. Passei alguns meses, mas nem lembro se fui convidado a deixar o departamento ou sai por conta própria. Pouco tempo depois fui chamado pela própria rádio para tirar férias de um padre, que tinha um programa onde as pessoas enviavam cartas pedindo músicas religiosas.
Durante mais de um ano assumi o “Cartas e Canções”. Inicialmente gravava o programa com amigo operador Araújo, que me deu uma grande força nos momentos de nervosismo. Nesse tempo muitas ouvintes me confundiam e achavam que eu era “Padre Léo”.
Passada a experiência católica, meu tio me convida para ser repórter na rádio (a extinta Borborema, hoje Clube) em que ele trabalhava ao lado de Romildo Nascimento. Os dois me ensinaram os caminhos da reportagem. Nem assim consegui emplacar. Isso porque em 96 (era setorista do Treze) ainda era muito imaturo profissionalmente. Faltava-me o senso de responsabilidade e noção de jornalismo. Uma das maiores m* que fiz na carreira foi ler um jornal do dia anterior no programa esportivo que fui escalado para apresentar. Dá pra imaginar a quantidade de ligações que recebi (o bom é que ninguém lembra, só eu).
Novamente me afastei, só retornando em 98. Agora de fato para me seguir na profissão. Mais maduro e mais consciente do era o jornalismo esportivo passei mais de um ano sendo setorista do Campinense. Em 99 – já formado – chegava à rádio para fazer o noticiário e ao ler os jornais me perguntava como era que a “pessoa” conseguia encher uma página todos os dias.
E não é que em setembro de 99 fui chamado para um teste no Diário da Borborema. A experiência na rádio me ajudou a assumir a função (logo isso) de editor de esportes. Na verdade era repórter. Uma semana depois foi pedia minha contratação. Nesta época já conhecia o parceiro de blog, Daniel Brito.
Não fiz mudanças no estilo de fazer o jornal. Aliás o fato de ser tradicionalista torna-se uma falha como diz DB. Como Brito circulava bem entre os colegas de O Norte, que também faz parte dos associados, perguntei como estava sendo a repercussão por lá.
Ele disse que Expedito Madruga (então editor de esportes de O Norte) gostava dos textos, mas achava estranho na terça-feira ainda falar do jogo do domingo, quando todas as rádios e televisões já haviam mostrado a partida, o assunto era velho.
Como se percebe não tinha muita noção das rotinas do jornalismo impresso. Mudei isso e várias outras coisas, mas só passei seis meses no jornal. Por opção. Como este post já está grande, o motivo da minha saída e o resto da história conto no próximo, provavelmente na sexta-feira. Até lá.
Entrei no curso de jornalismo a contragosto do meu histórico escolar. Havia concluído no segundo grau o curso técnico de eletrônica. Embora a única coisa que consegui fazer nessa profissão foi deixar minha casa toda no escuro (depois do curto-circuito) ao tentar trocar o botão liga-desliga da televisão da minha mãe. Ainda hoje o grito dela ecoa na minha mente:
- LeonaAAAAAAAAAardo, o que foi isso?
Depois de quase um minuto de silêncio (do medo) e outro grito da minha mãe (certamente achando que eu tinha morrido) consegui responder.
- Mãe, foi nada não. Só errei aqui um negócio. (Esse erro eu nunca descobri porque não segui a carreira para investigá-lo).
Se bem que noutra tentativa (não sei se foi antes ou depois do curto) fiz a ligação elétrica do meu quarto. Tudo aparentemente perfeito. Porém a tevê só ligava quando a luz estava ligada.
Mesmo com essas experiências frustrantes ainda insisti e fiz vestibular para engenharia (mecânica) e para jornalismo. Fui aprovado nos dois. Passei cerca de um ano e meio nos cursos, mas em 95 decido abraçar o jornalismo.
Inspirado por meu tio Gutemberg Simões - que é repórter esportivo - sempre sonhei em seguir esse caminho. O detalhe é que ele era contra (talvez por saber das mazelas que fazem parte do futebol). Como “titio” não quis me dar espaço em seu departamento de esportes fui levado para a rádio concorrente (a Caturité) pelo colega Morib Macedo, que na época também engatinhava na profissão.
Como plantonista esportivo não tive muito sucesso. Trabalhar com vários rádios chiando no meu ouvido (antigamente era assim, não tinha a net) para pegar os resultados dos jogos não era meu forte. Passei alguns meses, mas nem lembro se fui convidado a deixar o departamento ou sai por conta própria. Pouco tempo depois fui chamado pela própria rádio para tirar férias de um padre, que tinha um programa onde as pessoas enviavam cartas pedindo músicas religiosas.
Durante mais de um ano assumi o “Cartas e Canções”. Inicialmente gravava o programa com amigo operador Araújo, que me deu uma grande força nos momentos de nervosismo. Nesse tempo muitas ouvintes me confundiam e achavam que eu era “Padre Léo”.
Passada a experiência católica, meu tio me convida para ser repórter na rádio (a extinta Borborema, hoje Clube) em que ele trabalhava ao lado de Romildo Nascimento. Os dois me ensinaram os caminhos da reportagem. Nem assim consegui emplacar. Isso porque em 96 (era setorista do Treze) ainda era muito imaturo profissionalmente. Faltava-me o senso de responsabilidade e noção de jornalismo. Uma das maiores m* que fiz na carreira foi ler um jornal do dia anterior no programa esportivo que fui escalado para apresentar. Dá pra imaginar a quantidade de ligações que recebi (o bom é que ninguém lembra, só eu).
Novamente me afastei, só retornando em 98. Agora de fato para me seguir na profissão. Mais maduro e mais consciente do era o jornalismo esportivo passei mais de um ano sendo setorista do Campinense. Em 99 – já formado – chegava à rádio para fazer o noticiário e ao ler os jornais me perguntava como era que a “pessoa” conseguia encher uma página todos os dias.
E não é que em setembro de 99 fui chamado para um teste no Diário da Borborema. A experiência na rádio me ajudou a assumir a função (logo isso) de editor de esportes. Na verdade era repórter. Uma semana depois foi pedia minha contratação. Nesta época já conhecia o parceiro de blog, Daniel Brito.
Não fiz mudanças no estilo de fazer o jornal. Aliás o fato de ser tradicionalista torna-se uma falha como diz DB. Como Brito circulava bem entre os colegas de O Norte, que também faz parte dos associados, perguntei como estava sendo a repercussão por lá.
Ele disse que Expedito Madruga (então editor de esportes de O Norte) gostava dos textos, mas achava estranho na terça-feira ainda falar do jogo do domingo, quando todas as rádios e televisões já haviam mostrado a partida, o assunto era velho.
Como se percebe não tinha muita noção das rotinas do jornalismo impresso. Mudei isso e várias outras coisas, mas só passei seis meses no jornal. Por opção. Como este post já está grande, o motivo da minha saída e o resto da história conto no próximo, provavelmente na sexta-feira. Até lá.
2 comentários:
boa, da silva. aguardamos ansiosamente a segunda parte da historia! e os motivos que o levaram a 'pendurar a chuteira (talvez por enquanto)'
a proposito, o conservadorismo é uma caracteristica que, na minha singela opiniao, nao combina com o jornalismo. tradicionalismo pode ser facilmente configurado como acomodacao ou mudo do novo, do diferente, dai minha critica.
pelo que eu sei, vc nao tem medo de fazer algo novo ou diferente.
Postar um comentário