Encerrou-se na sexta-feira, 23 de abril, meu ciclo na editoria de Cidades do Correio Braziliense. Foram cinco meses de correria tremenda e aprendizado idem que muito vão me ser úteis no desafio que se avizinha.
De dezembro de 2009 até o dia do meu desligamento do jornal passei por experiências incríveis. Os (cada vez menos) poucos leitores deste blog acompanharam uma delas sobre as madrugadas insone na porta da Polícia Federal de Brasília, à espera de alguma tragédia do governador preso, José Roberto Arruda. Texto aqui.
Fora isso, ainda tiveram mais uma madrugada dentro da futura sede da Câmara Legislativa; dias inteiros debaixo de sol em frente à casa de políticos e corruptos (perdão pelo pleonasmo); intermináveis viagens a Luziânia em busca de uma solução para o mistérios dos meninos desaparecidos; fiz ronda pelos becos de Brazlândia em busca de traficantes; almocei em Águas Lindas de Goyaz, uma das cidades mais pobres do país; contei mentiras aos nervosos camelôs de Ceilândia e Taguatinga; abordei sem-tetos que moram embaixo das pontes para reportagens que nunca saíram; vi mendigo chorar; tive grandes discussões com assessores preguiçosos (perdão pelo pleonasmo) da Esplanda dos Ministérios; presenciei várias tragédias de perto; aprendi ainda mais sobre a fantástica história de Brasília; chorei vários leads desconstruídos e esculhambados pelos redatores e subs; vibrei pela terceira, quarta e quinta vezes na carreira por matérias que me levaram a manchete do jornal.
Em cinco meses, vi tanta coisa, publiquei apenas metade delas. Nem se eu quisesse conseguiria colocar tudo aqui. Aprendi que repórter de cidades é quase como bombeiro, fica sempre à espera de uma tragédia. A diferença é que às vezes o repórter pode provocar uma tragédia, às vezes, "um pequeno mal para um bem maior", como filosofava Dostoievski.
Escrever sobre acidentes de carro ou de greve dos servidores federais num mesmo dia foi um desafio que tomei para mim, para desespero e menosprezo de alguns, mas não o considero completado. Acredito que um dia eu possa voltar a trabalhar com essa diversificação de assuntos, não exatamente greve/acidentes (daqui uns 15 anos, who knows?).
Antes, tenho um outro super desafio, e não tenho desculpas para não cumpri-lo bem.
Nesta semana me apresento à Folha de S. Paulo. Retorno à editoria de Esportes, setor no qual me especializei e atuo desde 1996, onde sei exatamente onde pisar e por as mãos para fazer um material muito mais interessante do que fui capaz de produzir em Cidades nesses cinco meses.
Desejo sorte a mim mesmo e agradeço ao Correio por ter me acolhido novamente, mesmo que por pouco tempo.
* Crédito: Iano Andrade
** Legenda: Madrugada na futura sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ao lado de jornalista da Folha, que dorme na parede em frente a que eu descanso minha cabeça.
3 comentários:
Cara, apesar de já termos esgotado o assunto e eu ter preguiça mental por você só de pensar em mais uma mudança (logisticamente falando), te dou toda a força que possa dar nessa nova empreitada.
E agora é aquilo: se não der agora, não dá nunca mais. Mesmo que você não se eternize na Folha (eternizar-se em qualquer lugar é ruim), vai abrir muitas portas e, infelizmente para nos candangos, não voltará pra cá nunca mais.
MAs estaremos acompanhando avidamente suas peripécias na terra da garoa.
Boa sorte!!!
Boa viagem e sucesso em Sampa. Sentiremos sua falta por aqui. Não deixe de visitar os amigos e pintar, quando possível, num torneio de Fifa Soccer - quem sabe um dia o Felipe marca num fim de semana? Quando eu estiver de passagem pela terra da garoa, procurarei o senhor para tomarmos umas cervas. Abração!
Parabéns, Daniel! Sucesso por lá.
Você terá o privilégio de cobrir várias vitórias do Mengão na megalópole - tomara que com gols olímpicos do Pet. E continue deixando relatos dos bastidores aqui. Abraço!
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