02 agosto 2010

O fim está próximo?

Pedro Henrique Freire

O rádio nasce. Será o fim dos jornais. A tevê nasce. Será o fim dos jornais. A internet nasce. Será o fim dos jornais. Agora os e-readers, os tablets chegaram... Será o fim dos jornais? Estamos diante, pra variar, de mais uma conjuntura apocalíptica para os jornais. Depois que a Apple inventou o Ipad, um tablete digital que só falta falar, a discussão gira em torno da existência (e persistência) do impresso de cada dia.

Em setembro, o tradicional e marcante Jornal do Brasil fecha seu parque gráfico após 119 anos em circulação. Economicamente, bom pra ele: não irá gastar mais com chapas, tinta, toneladas de papel, manutenção de máquina, entre outros custos inerentes a produção de um impresso.

Mau porque perde sua marca, seu charme de ser chamado de jornal, sua influência, seu leitores e sua credibilidade. Agora vai existir apenas na internet. Não será mais o Jornal do Brasil. E, sim, o Portal do Brasil. Não é a mesma coisa, convenhamos.

O que fazer para reverter essa tal “decadência”, há décadas discutida e incompreendida por todos? Eis que com os e-readers e tablets surge uma nova interpretação da crise, amadurecida naturalmente pelos trancos e barrancos causados pelo rádio, tevê e internet. Não queremos fugir do afogamento, mas estudar o melhor modelo de mergulhar e explorar com profundidade o mar dessa nova tecnologia.

“O desafio é usar os e-readers e tablets para vender conteúdo, evitando os ‘erros’ cometidos com a migração para a web. Os efeitos da gratuidade ainda assombram”. Quem fala é o estudioso em comunicação Kerry Northrup, da Western Kentucky University, que acompanha a alarmante adesão à nova tecnologia pelos Estados Unidos.

É um passo. Afinal, hoje investimos em tecnologia quase por uma imposição da modernidade. Somos obrigados a acompanhar as novidades do meio e implementá-las. Se pudermos gastar ganhando, mais justo. A crise, ninguém esconde que há. Mas é uma crise dos jornais. E não do jornalismo. E ela existe há muito tempo. A morte deste papel já esteve próxima por diversas ocasiões. Será que agora ela chegou? Não creio.

Um comentário:

Léo Alves disse...

Grande Pedro a volta foi em grande estilo. Quando a tevê surgiu a previsão é que o rádio iria se acabar. E o jornal no meio disso. O que se viu com o tempo foi que mídia se readaptou às novas tendências. Não há dúvidas que o jornal (as revistas também) passa por uma crise. E o pior é que as empresas ainda não acharam a fórmula para recuperar leitores. O grande problema é depois da net as pessoas não querem pagar por informação se as têm de graça na rede. E os jornais enfrentam isso. Defendo uma teoria (por experiências pequenas em revistas) de que os jornais deveriam ser distribuídos gratuitamente. Afinal o número de assinantes e o de venda avulsa não paga as despesas. O que paga (vc pode falar melhor que eu a respeito) são os anunciantes. Não acredito que seja o fim do jornal impresso, mas vislumbro o fim do jornal impresso pago. Lógico que quem quisesse receber em casa pagaria uma assinatura pelo serviço de envio. Agora mesmo renovei minha assinatura de um jornal local por 14,90 mensais. O exemplar sai por 57centavos. Na banca é vendido por 1,50. O assunto merece outro post.