Por Léo Alves
No primeira parte desse post, o grande Pedro fez uma reconstrução histórica suscinta, mostrando que o fim do jornal impresso vez por outra volta à discussão. O impresso voltou a ser questionado com a chegada do Ipad. O assunto cessou um pouco nos últimos meses. Não significa que as publicações diárias deixaram de estar em xeque.
Há pelo menos sete anos escuto (época em que trabalhava em redação) que o jornal impresso dá prejuízo. Ressalto que esses comentários se restringem à Paraíba. Não conheço a fundo a realidade de outros centros. Mas no estado de Assis Chateubriand, o número de jornais vendidos (assinantes e avulsos) somado aos anunciantes não paga os custos de manutenção da publicação.
Os quatro maiores jornais do estado fazem parte de grupos de comunicação, que congregam rádio, TV e portais. E segundo os comentários de bastidores são as tevês - onde o volume de publicidade é muito maior e os preços mais altos - que bancam os jornais.
Se o jornal impresso na Paraíba dá prejuízo por que mantê-los?
É uma pergunta que pode ter várias respostas. O jornal impresso ainda tem seu charme, exerce poder. Quem o lê é o público (teoricamente) mais culto. Encerrar a publicação pode dar a ideia de que o grupo de comunicação está em decadência. Até na vaidade dos donos o jornal encontra suporte para se manter.
Não sei precisar, mas acho difícil um jornal impresso atingir a marca de 15 mil exemplares diários na Paraíba. E olha que essa é uma previsão muito otimista. E mesmo se chegasse a esse número de publicações acredito que não daria para cobrir as despesas.
O jornal impresso pode até chegar ao fim, mas ainda vai demorar um bom tempo. Ainda o veremos com suas manchetes estampando as bancas por muitos anos.
Porém, para se manter na ativa o jornal impresso precisa se reinventar. Há alguns anos defendo a ideia de que o jornal deveria ser distribuído gratuitamente. O valor de um exemplar (em média R$ 1,50) não acrescenta muita coisa no orçamento.
Depois da internet as pessoas se acostumaram a não pagar pela informação. E boa parte acha desperdício comprar um jornal que na maioria das vezes não traz além do que já foi publicado na rede.
Eu sou assinante de um jornal impresso há mais de um ano. Só renovei a assinatura porque mantiveram o valor da mensalidade do ano passado: R$ 14,90. Cada exemplar sai por 62 centavos. Menos da metade do valor da banca.
Como não disponho mais de muito tempo para ler as notícias na net, o impresso é suficiente para me manter informado.
Dei esse exemplo da assinatura para reforçar que realmente não é a assinatura, tampouco a venda avulsa que segura o jornal.
Alguém pode até dizer que distribuir tiraria o valor do jornal. Tem até um certo sentido, mas já temos experiências no Brasil, onde publicações são gratuitas. E essas vão muito bem. Os anunciantes tem a garantia que sua publicidade vai ser vista por um grande número de pessoas.
Tenho um amigo que faz um jornal em Tocantins que desde o início é distribuído gratuitamente. O empreendimento cresceu e hoje é um dos mais respeitados da região.
Na Paraíba, edito duas revistas que são distribuídas. Não sobra nenhum exemplar.
O jornal distribuído também evitaria encalhe.
Para quem quisesse receber o exemplar em casa pagaria uma assinatura para cobrir as despesas da entrega. Ou alguém tem dúvidas que os R$ 14,90 que pago por mês da minha assinatura dá pra mais alguma coisa?
A informação de graça certamente reavivaria o jornal impresso tão contestado ultimamente.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
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