Léo Alves
O post de aniversário de cinco anos – que está atrasado dois meses - deste humilde blog como gosta de dizer o grande DB vai esperar um pouco mais. Esta semana a jornalista Cláudia Carvalho escreveu uma coluna no www.parlamentopb.com.br que nos faz refletir acerca de uma prática que se tornou comum no jornalismo paraibano e coloca em xeque a credibilidade da profissão Estado. Com a devida autorização de Cláudia, O Filhos da Pauta reproduz abaixo a coluna.
Síndrome de Estocolmo
Cláudia Carvalho*
Na Paraíba há um adágio que diz: você vale pelo mal que pode causar.
De adágio, virou estilo de vida. Rentável e eficiente, tornou-se lema para muitos que militam na imprensa do Estado. Igual a rastilho de pólvora, a fórmula contagiou muitos que nem tinham aptidão ou formação para a comunicação e nem sabiam qual sua destinação. Mas, isso também pouco importa. Basta repetir alfinetadas, ataques, chacotas, ameaças e constrangimentos até que a vítima peça arrego e abra a carteira.
Sem romantismo, essa prática não é minoritária no jornalismo paraibano. Ela se disseminou e virou sinônimo de prosperidade, prestígio e, claro, poder.
Até aí, não está tudo bem, mas é compreensível que a tática ofensiva, uma vez gerando resultados, seja repetida à exaustão por quem não tem muitos pudores. O que chama a atenção é a reação despertada nos "alvos".
A psicologia, desde a década de 70, chamou o estranho fenômeno em que a vítima desenvolve simpatia por seu algoz de "síndrome de Estocolmo", numa referência a um famoso assalto a banco ocorrido em 1973 e no qual os reféns defendiam seus captores.
Muito longe de Estocolmo e no calor dos trópicos, muitos paraibanos de estirpe se apalermaram com seus algozes. Ao mesmo tempo que reclamam, também dão Ibope, citam, repercutem e valorizam justamente quem lhes ataca.
Questão de gosto ou falta de gosto não se discute, já dizia outro sábio provérbio. Mas, eis que surge um complicador: apesar de nem todo mundo ser vilão na estória, acaba sendo enquadrado na generalidade e topando com as pechas vis que levam à vala comum.
Causar o mal é deleite para quem gosta dele. Quero estar longe perseguindo uma utopia que ensinaram na faculdade que teimei frequentar para ter direito a um diploma cujo valor expirou numa cacetada vingativa do STF. Mas, o que vale não é o papel. É um sentimento, a vontade de acertar e de ainda teimar em querer fazer o certo mesmo que ao redor digam que essa preocupação é típica dos fracos. E haja fraqueza para reagir, devolver as bordoadas e não quedar diante da tentação de aderir ao modus operandi da estação.
Deve ter sido em meio a uma crise deste naipe que Renato Russo concebeu os célebres versos de "Há tempos" que dizem: "Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é ter coragem".
Renato não era mais um na multidão. Não ficou rico nem dominou o mundo, mas continua sendo respeitado. É uma boa marca.
*Cláudia Carvalho é radialista e jornalista premiada, com especialização em Jornalismo Cultural. Pioneira no webjornalismo da Paraíba, é apresentadora da Rádio 101 FM e mantém o blog Parem as Máquinas!
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
O artigo da Cláudia merece todos os meus aplausos. Nos últimos anos, vimos surgir uma nova "elite" na imprensa paraibana. Gente desqualificada que, pelo misto da capacidade de adular, ser capacho, beijar (literalmente, inclusive) a mão dos "poderosos", e fustigar adversários, atacar, ofender e ridicularizar os adversários dos "poderosos" amigos, viu-se alçada à condição de grande nome de nossa imprensa. É doplorável.
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