Por Léo Alves
Pense na seguinte situação: você foi escalado para cobrir um evento musical. Nele você vai entrevistar aquela banda (ou cantor) que é fã.
É correto - você como jornalista - pedir autógrafo? Ou pedir para tirar uma foto com seus ídolos?
O jornalismo faz com que tenhamos acesso às celebridades. Certamente no exercício da profissão um dia vamos nos encontrar com uma personalidade que temos admiração, talvez sejamos até fãs.
E esse acesso às personalidades de certa forma explica o fato de o curso de jornalismo ter sido o mais procurado no maior vestibular do país ano passado mesmo sendo a “pior profissão do mundo” como disse em outro post o Jorge Wilstermann*.
Pode parecer uma análise muito simplista da minha parte. Mas muita gente opta pelo jornalismo por causa desse glamour (ou falso glamour) que a profissão oferece.
Já vi inúmeras vezes colegas – depois de uma entrevista – numa sessão de fotos com o entrevistado.
Outra cena comum é tirar fotos com outros jornalistas, principalmente com os globais. O apresentador do Jornal Hoje, Evaristo Costa, esteve em Campina Grande, no São João, e foi solícito com todos os colegas que queriam registrar o momento.
Há quem diga que é totalmente errado, que o jornalista deve manter sua postura. E que ele está perto do ídolo como jornalista e não como fã. Difícil para muita gente é separar as duas coisas.
Existe outra turma de jornalistas que acha normal esse tipo de tietagem. Desde que seja feita depois que o trabalho for concluído.
Outros acham que tirar uma foto é registrar o momento. É uma forma de “provar” que um dia já entrevistou ou esteve perto de uma personalidade. E as fotos podem servir um dia para publicar um livro de memórias, por exemplo.
Talvez não existam respostas definidas para as perguntas que fiz no início deste post. Talvez dependa de cada um.
O certo é que a tietagem também está presente na nossa profissão.
* Jorge Wilstermann não é nenhum dos quatro integrantes deste blog. Ele tem 27 anos, é jornalista e, apesar de tudo, não desiste da pior profissão do mundo.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
7 comentários:
Oi, Leo, legal teu texto e abordagem. E concordo contigo. Há uma dificuldade imensa dos nossos colegas e dos alunos futuros jornalistas de separar as coisas. Eu pessoalmente odeio tietagem ou desespero atrás de um ídolo. Sou fã do U2, mas jamais faria como muitos que passam três dias e três noites acampados até a abertura da bilheteria. O problema é que muitos não fariam o mesmo a situação fosse ficar pelo menos uma noite com a mãe no hospital. Acredito que o jornalista não passa uma boa imagem para um entrevistado quando fica na tietagem e insistindo por fotos ao lado deste. Não que seja o pecado mortal tirar uma foto ao lado de alguèm que consideramos importante, mas acho que deve ser feito com muito cuidado e eventualmente. O profissionalismo deve prevalecer. Se você não trata o entrevistado com profissionalismo ele também não vai te tratar assim. No caso de Evaristo Costa a tietagem foi incomum. Acho que a quantidade de fotos que foi tirada dele em Campina Grande supera os 40 anos de registro fotográfico de Madonna. Coordenei um projeto na UEPB em que os alunos tinha contato direto com os artistas e o difícil era segurá-los. O meio jornalístico é rodeado de tanto "glamour" que as pessoas esquecem qual sua função como jornalista.
Valeu Fernando. É sempre bom ouvir sua opinião. Aliás lendo seu texto senti saudade de nossos debates. E sobre Evaristo basta dar uma olhada nos orkuts da vida que você vai ver esses registros.
Abs
Eu morro de vergonha!!! Concordo plenamente com o coments de Fernando: "Se você não trata o entrevistado com profissionalismo ele também não vai te tratar assim."
Acho, que essa tietagem exagerada atrapalha muitas vezes a imagem do profissional... muitas vezes, parece que o "outro jornalista" é estrela de cinema ou um artista ultra-hiper-famoso, quando é alguém parecido conosco, um jornalista que faz o seu trabalho muito bem, obrigado!!! Mas, parece que o que conta somente é a aparência legal do "jornalista estrela".
E admito que colegas do tempo da universidade iam para as palestras, entrevistas e etc com jornalistas renomados, para tietar e nem sempre iam pelo aprendizado mas, na verdade, pela foto que iriam tirar depois da entrevista, para postar nos orkut's da vida.
UMA PENA!!!
excelente texto leo, vale reflexão para a sala de aula. A conscientização tem que começar pelo abre-alas ( a Universidade)
Xêro e tava com saudade dos seus posts.
É Léo, acho que não tem resposta pronta mesmo. Eu sou um que não consegue ser tiete em qualquer situação. Medo do ridículo, sei lá. Enfim, acho que tem certas coisas são difíceis de separar e que editores têm que tomar certas precauções. Por exemplo, colocar um torcedor do Flamengo pra cobrir Vasco e não deixar o fã do Rolling Stones cobrir o show e resenhar o disco. Pequenos cuidados assim podem evitar muita coisa ruim.
Concordo com o Mário. Tietagem já beira ao ridículo. Ainda mais quando estamos a trabalho. Não tenho opinião formada sobre isso. Mas já entrevistei gente famosa, que admiro, mas não tive coragem de pedir autógrafo ou tirar uma foto. Até me deu vontade.. Mas, sabe como é, o artista está a trabalho e nós também.. Não vale importunar..
Abçs
Sou jornalista, mas não sou repórter, não me vejo assim e não sei se algum dia vou fazer esse trabalho, mas se a questão é se segurar na tietagem... Tiro de letra. Detesto esse tipo de coisa e apesar de admirar alguns artistas não os vejo como astros intergaláticos. São apenas profissionais que fazem um bom trabalho.
Quanto ao Evaristo Costa... tudo bem ele é global, mas será que teria o mesmo fuzuê se fosse o Paulo Henrique Amorim? Bom vcs sabem, o Evaristo é lindo.... kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Abraço Léo!
eu nao consigo entender o motivo pelo qual alguém PEDE um autógrafo. Mesmo que seja fã. Foto, eu acho razoável. Entrevistei o Parreira numa viagem entre Madri e São Paulo, três anos atrás, e tirei uma foto com ele ao final da entrevista. Poxa, afinal tirado foto até do meu almoco no dia anterior, por que nao com Parreira?
Agora, uma coisa é resgitar um momento. A galera da redacao tirou uma foto ontem, com todos juntos, por exemplo. Normal, porque nao tem nenhum global por la. Mas tirar foto como forma de mostrar proximidade, contar vantagem para os coleguinhas de classe ou parecer algo que não é...aí já passou do ponto, não é mesmo?
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