01 outubro 2008

A revista que se vire?

Pedro Henrique Freire

Dias desses conversa com uma amiga jornalista e tive a feliz supresa de ouvir dela uma tese sobre o posicionamento dos mais diversos tipos de mídia, sobretudo de jornais e revistas, depois do "devastador" advento da internet.

Comentava com ela os últimos números do IVC (Instituto Verificador de Circulação) e discorria sobre a queda na tiragem de jornais diários e como os jornais populares (Extra, O Dia, SuperNotícias, Jornal da Tarde, Aqui e etc) crescem cada vez mais no país.

Chegamos, então, a conclusão que, por mais baratos que sejam, os jornais não vão alcançar o patamar de venda de outrora, quando alguns passavam dos 800 mil exemplares. Tudo por culpa da internet?

Nem tudo. Não podemos culpar a internet pela pouca circulação do jornal. Tudo evolui. E evolução, se tiver algum responsável, somos nós próprios. Cabe a nós encararmos e nos adaptar-mos a uma nova realidade. Tudo muda. Por que os jornais teriam o privilégio (ou a infelicidade) de ficar iguais?

E ai veio ela me falar de um pensamento que, com meus botões, eu já desenvolvia há uns três ou quatro anos. Em palavras simples, me disse:

- Não são os jornais que sofrem mais com a internet. São as revistas. A internet é factual, notícias na hora e ocuparam o espaço dos jornais, já que eles faziam isso antes. Mas, agora, para sobreviver, os jornais vão virar revistas...

- E as revistas que se virem? - perguntei eu:

- Os jornais vão virar revistas no sentido de fazer reportagens aprofundadas, com mais interpretação e com visual agradável e bem planejado.

Disse a ela que estava supreso por encontrar alguém que pensasse como eu nesse quesito, mas ponderei que a minha teoria, embora fosse exatamente essa, findava-se no jornal e não propunha nada para as revistas semanais ou mensais generalistas.

- Pois é. Então, as revistas que se virem... - disse eu, agora afirmando.

A tese dela, porém, estava mais madura, mas não completa. Me falou de suas impressões e acabamos por completar a tal teoria. Para ela, as revistas devem apostar em bons perfis e boas entrevistas e ser mais fragmentadas, com um público bem específico, construindo e desconstruindo "mitos".

Acrescentava que talvez também elas merecessem um ponto de vista mais forte, mais polêmico. Existiriam, disse eu, revistas de petistas, lulistas, de tucanos e das mais diversas ideologias. A diferença é que elas iriam guerrear entre si, cada uma defendendo seu lado, proporcionando ao leitor, com responsabilidade, opinião e informação. Tudo junto.

Acabei a conversa imaginando que pudéssemos ter desenvolvido um espaço para a revista dentro dessa viagem toda. Ou talvez não. Parece muito polêmico que uma revista com a personalidade forte como de um intelectual intransigente agrade (e desagrade?) milhares e milhares. Enfim... mas quanto aos jornais e os portais de internet, estou quase certo que seria o melhor caminho. Quase porque... tudo muda muito rápido!

3 comentários:

DB disse...

às revistas, grande predo, fica o jornalismo interpretativo. A intepretacao do escandalo, do furo, da atentado terrorista... è a alternativa mais interessante que eu vislumbro. E elas ja fazem sso hoje. No caso da veja, por exemplo, é opinativo mesmo. Assim como a carta capital.
Outra: na espanha, a venda de jornais cresceu. E o país passa pelas mesmas mudancas que nós, no que concerne aa midias. Só que é hábito da populacao ler algo no papel mesmo e nao na tela do computadior. somado a isso, eles conseguiram se adapatar bem aa concorrencia com a internet!
é isto.
volte sempre...eheh.

Babi Renault disse...

Oi Pedro.. qto tempo!
Sabe que esse seu pensamento é mais comum do que se pensa. Fui a um seminario promovido pela BBC há um tempo e era esse o pano de fundo: como estruturar os jornais na era da internet. E a conclusão é de que eles estão a passos lentos, já deviam estar neste formato há algum tempo. Veja como exemplo a quebra do lehman brothers. Enquanto todos os jornais de segunda-feira chegavam a minha mesa às 8h30 com a manchete "fresquinha" de que o banco podia quebrar, o UOL e cia já noticiavam que o banco havia anuciado falência desde às quase 8h. Acho que não há mais tempo para pensar...
Bjos,
Babi
PS: apesar de eu nunca comentar, sempre acesso os blogs!

Léo Alves disse...

Grande Pedro, que bom seu retorno. Concordo com você que os jornais precisam trazer algo mais que a televisão e a até a própria internet. Precisa ter reportagens mais aprofundadas. Não dá para abrir um jornal, por exemplo (lembrei dele), um dia após a escolha do papa e ver a manchete dizendo Bento XVI é o novo papa. Todos que são ligados em notícias já sabiam. Hoje leio o jornal com a impressão de que ele é velho porque traz as mesmas informações vistas em veículos mais imediatistas. Ai surge outra questão: como aprofundar numa correria da redação. Mas sou contrário a afirmação de Bill Gates de que os jornais impressos vão acabar (aliás ele previu isso para 2000 ou 2005). Os jornais precisam mudar o formato.