03 fevereiro 2009

Quem aceita crítica

Por Daniel Brito

Aqueles que mais destilam suas críticas são os que menos aceitam críticas. Sim, os jornalistas são avessos a comentários contra seu próprio trabalho.

Alguma coisa neste sentido já foi dita dois posts atrás, sobre a vaidade jornalística.

Eu mesmo passei por uma situação semelhante há dois anos, aqui neste blog. Fiz um comentário sobre o vencedor do Prêmio Esso de 2006 inocente, sem segundas intenções, sem duplo sentido. Apenas um relato da conquista do prêmio, e recebi um comentário anônimo pedindo para eu me explicar melhor.

Fiquei p*to da vida e rebati o comentário. De réplica e tréplica, o post chegou a 14 comentários, quase um recorde para esse humilde e (agora) esquecido espaço. Em uma das respostas do anônimo, ele disse "Daniel, acompanho o blog há algum tempo e não fiz crítica alguma ao seu texto, apenas pedi para que sua opinião fosse um pouquinho mais aprofundada".

É difícil ver jornalistas que seguram a onda diante de críticas. Eu mesmo, nesta história do Esso, me embananei todo com as idéias e com a pressão dos anônimos. Comecei a escrever errado, a falar besteira, mesmo reforçando que estava apenas contando uma história e não julgando a conquista de ninguém.

Anyway, ainda há os que gostam de brigar. Partem para a agressão verbal, às vezes física, diante dos comentários negativos sobre seu material publicado.

Não entender e não dar ouvidos aos críticos faz parte daquela máxima jornalística cujos problemas do jornal são "os leitores e os anúncios".

Uns quatro anos atrás, mandei um email para um jornal da Paraíba reclamando que a repórter confudiu as bolas e errou informações. Era para falar sobre alhos e ela escreveu sobre bugalhos. O editor do jornal me respondeu rispidamente com as seguintes palavras:

"É incrível como as pessoas gostam de se meter em certos assuntos..."

A culpa era minha por apontar o erro.

Acontece muito com produtos recém-lançados. Há todo um planejamento de marketing, estudo de mercado e tendências do público para que aquele jornal ou programa de TV seja lançado da melhor maneira possível. Aí vem uma cartinha para o editor dizendo que o jornal é apelativo ou sei lá qualquer coisa que não fora prevista no estudo dos marqueteiros.

A redação se desespera com o comentário e nos dias seguintes toda pesquisa de campo pré-lançamento vai por água abaixo. Por quê??? Uma alma bondosa se pronunciou sobre o produto.

Até cinco, oito anos atrás, quando os blogs jornalísticos não eram tão populares, a distância do repórter para o público era infinita. Não se via, não se ouvia, não se lia nada do lado de lá, para quem interessa a notícia. Era preciso contar com a disposição do leitor de escrever uma carta, ir ao correio, mandá-la para a redação e torcer para ser publicada. Se fosse crítica, não seria compreendida.

A história está bem diferente hoje em dia. Graças à internet, o público se sente na obrigação de participar do processo. Não só criticando, mas sugerindo, cobrando, indicando, perguntando, respondendo...

Eu, como jornalista, ainda tenho dificuldades em assimilar as críticas. Mas ainda assim gostaria de contar com elas sempre.

4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Daniel,tudo bem? Primeiro quero dizer que add seu blog no meu, tá? (depois olha lá meu humilde espaço tb e comenta sempre que for possível); Em segundo quero dizer que você foi muito feliz ao escrever sobre crítica e assim como você eu também tenho dificuldade de receber..mas venhamos e convenhamos que na nossa área tanto é difícil criticar como ser criticado. Acho que só com o tempo e a experiência é que a gente apreende a filtrar o que de fato é uma crítica e o que é despeito, inveja ou qualquer outro sentimento sobre nosso trabalho. Talvez seja mais difícil para um jornalista receber crítica de um outro jornalista do que ele receber do seu público (leitor, internauta, telespectador, ouvinte..etc.)
Abraços! :-)

Anônimo disse...

Oi Daniel,tudo bem? Primeiro quero dizer que add seu blog no meu, tá? (depois olha lá meu humilde espaço tb e comenta sempre que for possível); Em segundo quero dizer que você foi muito feliz ao escrever sobre crítica e assim como você eu também tenho dificuldade de receber..mas venhamos e convenhamos que na nossa área tanto é difícil criticar como ser criticado. Acho que só com o tempo e a experiência é que a gente apreende a filtrar o que de fato é uma crítica e o que é despeito, inveja ou qualquer outro sentimento sobre nosso trabalho. Talvez seja mais difícil para um jornalista receber crítica de um outro jornalista do que ele receber do seu público (leitor, internauta, telespectador, ouvinte..etc.)
Abraços! :-)

Paulinho Mesquita disse...

achei seu texto uma merda. e não vale ficar putinho!

auehaeuheuhaeuaehuaeheuahaeuaehuehuaehaeuheueheuaheuaehueahaeuaheuaeh

na real, crítica é chato. ninguém está preparado para ouvi-las e dificilmente as aceitamos.
mas acho também que poucos são os que criticam buscando uma melhoria, com uma proposta de mudança e resolução do problema criticado.
a maioria critica, única e simplesmente, só para poder falar mal dos outros mesmo.
afinal, somos humanos, não?

Léo Alves disse...

A Monike disse bem: é preciso diferenciar crítica de despeito.
Abs