Por Daniel Brito
A maior causa de mortes entre os jornalistas é o suicídio. Quando eles se atiram do alto do próprio ego.
Superestimar a profissão e sua posição dentro dela é quase que uma questão de sobrevivência. Aparece mais quem se vende melhor... (talvez por isso a gente mantenha este blog...ou não!!!!!)
Como jornalista só anda junto, não é raro participar de um papo no qual o assunto principal são as proezas pessoais.
Nesta hora, amigo velho, tudo conta. Desde a sua pergunta feita na coletiva de imprensa cuja resposta acabou virando manchete em todos os jornais, até o caso extremo de derrubar ministro, senador, governador por intermédio de seu esforço de apuração/investigação. Já houve até quem me reclamasse que leitores de jornal não prestam atenção no nome de quem assina as matérias.
O orgulho do furo dado marca a vida do jornalista. Independentemente do tamanho. Foi furo? Vira uma longa história para repórteres mais novos ou amigos de bebedeira pós-plantão. Ou posts...
Dia desses, joguei duas iscas e pesquei dois peixes gigantescos.
Entrei no blog do repórter X e comentei, com desdém, de um furo que ele se gabava de ter publicado naquele dia. Coloquei meu nome lá e tudo mais, mas sem sobrenome e meu outro email. Sem me esconder, fui lá e tasquei:
- Olha, X, se esse 'furo' for uma barrigada, você vai se retratar no jornal.
Eu, como jornalista que sofre do mesmo mal, tinha certeza de que eu estava certo e fui lá na casa do cara provocá-lo. Ele respondeu rispidamente:
- E se eu não estiver errado, Daniel, o que você vai fazer?
Dias mais tarde, o tal do furo virou um tremendo de um track e voltei ao blog do camarada, desta vez com "possidônios" (leia-se: pseudônimos), para cobrar a história. Na primeira vez que comentei, X tentou se justificar. Na segunda, não respondeu. Na terceira, nem autorizou a publicação do comentário.
É difícil admitir que errou.
O outro peixe que peguei foi com um repórter do mesmo veículo de X. Era a primeira vez que conversávamos. Atuamos na mesma área e ele rolou a bola para eu contar a história de um único furo que eu dei na vida.
Inteligentemente (às vezes eu calculo bem meus movimentos. Às vezes) citei minha história sem auto-propaganda, mas no meio da minha explicação o concorrente soltou essa:
- Ah, sim, eu dei esse furo...
Quer dizer, a história eu publiquei primeiro. Ele, duas semanas mais tarde. Mas o repórter rival tomou para si o furo e ainda veio me dizer que era furo dele.
Eu vibrei com essa declaração. Era o argumento que faltava atualizar este blog com a tese da vaidade.
Estou para descobrir qual jornalista não sofre deste mal.
SP: vaga para analista de comunicação interna
4 dias atrás
6 comentários:
esse ego que voce critica acha que se manifesta só porque a pessoa vira jornalista? Eu nao sei se as pessoas mudam tanto por causa disso, para mim parece questão de índole. Mas eu não sei, ainda estou estudando =)
Daniel, para vim vc é o melhor! (na sua área de atuação, claro) ;)
então, quer dizer, que tu deu o furo?
A vaidade é presente em quase todas as profissões, mas no jornalista ela se sobressai. Como diz aquele filme: "a vaidade é meu pecado predileto".
Por quê será que todo jornalista se acha hein? Só pq escreve e as outras pessoas lêem ou pq aparecem na TV? Todos nós sofremos desse mal, mas felizmente eu escolhi ser jornalista e não ser reporter. Isso minimiza a vaidade.
Eu acredito que o JT exagerou em sua atitude. Um repórter que tem 8 anos de casa não deveria ter sido tratado desta forma, ter seu nome exposto em todos os meios de comunicação mesmo porque é uma matéria que fala da vida de uma artista, não é uma matéria que iria influenciar na opinião pública ou impactar no cotidiano do leitor do jornal.
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