Por Daniel Brito
Esta semana, percebi que estou cercado de pessoas, jovens jornalistas, ávidas para ser chefe.
Tudo bem, faz parte da vida útil de um profissional competente chegar ao topo da "cadeia alimentar". Geralmente, esse caminho começa no estágio, em seguida, reportagem bruta (hard news pesadíssimo), reportagens qualificadas (no caso de esportes, Olimpíada e/ou Copa do Mundo), fechamento da edição (como sub-editor, por exemplo), editor setorizado até chefia de redação.
Menos de 1% dos jornalistas chegam ao topo desta pirâmide, cada dia mais íngrime e cruel. Mas 99% sonham em chegar até lá.
Conversando com colegas de profissão, já neste ano, ouvi três ou quatro vezes a expressão:
"Se eu fosse o chefe daquele lugar..."
O curioso é que todos que me disseram isso completeram a frase da seguinte maneira:
"...demitiria umas 30 pessoas que não servem de nada para o jornal (e/ou TV)".
Sinônimo de chefia para esses camaradas não é saber trabalhar em equipe.
É botar para fora quem ele não simpatiza. Qualquer demissão é traumática. Desde um incompetente assumido a um caçador de furos que tropeçou em um zero de uma cifra interminável que dava o tamanho da denúncia de uma matéria de política.
Quando ouvi essas opiniões fiquei com vontade de perguntar:
"O que você falaria para as 30 pessoas que demitiria aqui dentro?".
Como disse meu grande amigo Da Silva, nem todas as verdades podem ser ditas. Não se trata de falsidade, mas uma questão de educação.
Hoje, após meus oito primeiros anos como jornalista profissional, afirmo que não faz parte dos meus planos me tornar chefe. Acredito que nem meus chefes têm esse pensamento em relação a mim, obviamente.
O meu sonho de consumo profissional, mesmo, é não ter que dar satisfação a chefe nenhum.
(E eu não estou falando em estar desempregado!!!)
Trem bala (cover)
Há 9 anos