29 maio 2007

Você bloga? Cuidado, tem mais chances de perder seu emprego*

O instituto britânico de pesquisas YouGov aponta que os autores de blogs que postam com freqüência correm maior risco de perder o emprego.

É que a prática de escrever os diários pessoais envolvem textos com informações confidenciais, críticas ao trabalho ou a chefes e outros temas que podem ser considerados conduta imprópria no ambiente profissional.

Há ainda, segundo a companhia, a visão de que o blogueiro usa parte de sua jornada de trabalho para escrever posts em seu blog pessoal.

A pesquisa, que avaliou dois mil blogs, concluiu que 39% deles continham informações que poderiam por em risco o emprego do blogueiro.

* Este post foi retirado do blog gjol.blogspot.com/ e publicado por Daniel Brito no computador da empresa em que trabalha.

25 maio 2007

Pense nisso

Por Pedro Henrique Freire

Não acredito que jornalista de redação possa tratar um colega mal, criticá-lo na sua presença ou ausência, ou diminuí-lo perante outros. Eticamente, na nossa profissão, isso é crime. Agora, imagina só um assessor de imprensa fazer tudo que citei acima. Como se não bastasse, esse assessor trabalha para um deputado que está atolado em denúncias de corrupção e, fatalmente, responderá um processo por quebra de decoro parlamentar dentro da casa legislativa que atua.

Pois é, conheço um assessor assim. Trata mal os jornalistas, os chama de incompetentes e vive apontando erros... quase sempre infundados.

Tudo bem que essa função requer um acompanhamento do que sai na imprensa e, sempre que necessário, um pedido de retificação de uma coisa ou outra. Afinal, erros acontecem. Acho que todo jornalista que se preze já errou alguma vez.

O problema é quando um assessor – que, enfatizo, só existe porque existem jornalistas de redação e jornais – quer ser mais realista que o rei e só reclama, critica e diz que tudo está errado.

Dia desses ocorreu um episódio extremamente constrangedor comigo. Procurei uma informação com um desses profissionais. Além de me ironizar, dizer que eu errei ao colocar uma “aspas” do seu chefe (que não estava errada), não me dá a informação que eu queria, essa pessoa ainda desligou o telefone na minha cara.

De fato, uma atitude lamentável.

Antes que eu tentasse explicar que não tinha errado, a ligação foi interrompida de propósito. Não pude dizer nada do que queria. Por isso, escrevo aqui uma carta direcionada a essa pessoa que desrespeita a lei da ética comportamental que rege o relacionamento entre profissionais de imprensa e que me causou momentos de irritação e, sobretudo, pena.

Querido assessor (ou assessora),

Tenho certeza que você não vive um bom momento. Suas tarefas e atribuições aumentaram vertiginosamente, sem contar a pressão a qual está submetida ao prestar serviço para um investigado por crimes graves. Além disso, suponho que não esteja passando por um bom momento em sua vida particular e, naturalmente, anda bastante estressada.

Quero apenas que saiba que levo em consideração todas essas coisas. Posso entender a postura agressiva com a qual trata seus colegas de trabalho, mas não posso aceitá-la como uma coisa normal. Sugiro que tente descansar, se afaste do cargo e tente resolver os problemas que te causam irritação e estresse.

Mais do que isso: quero aconselhá-lo (la) a manter uma boa relação com seus companheiros de trabalho e com as pessoas que precisam dos seus serviços. Você está de um lado que não é exatamente o melhor lugar para se fazer jornalismo. Por isso, entenda: provavelmente seu chefe será cassado e você perderá o emprego. Possivelmente, um dia irá precisar da ajuda de alguém com quem cruzou em algum momento de sua vida. Você pode até ter um bom currículo, mas se não tiver caráter, não terá um emprego.

Pense nisso

Grato

20 maio 2007

A polêmica dos salários atrasados

Por Daniel Brito

Por, aproximadamente, 36 horas pensei se valeria a pena denunciar que o time de basquete de Brasília -- líder do campeonato brasileiro, com jogadores de NBA no elenco, favorito ao título -- não paga salários aos atletas desde março.

Já me meti em confusões assim em outras oportunidades.

Em Campina Grande, como repórter da TV Borborema, um jogador me pediu para denunciar a falta dos salários um dia antes do clássico. Só joguei a denúncia no ar porque ele botou a cara no vídeo para falar. Na segunda-feira, após o jogo (que terminou empatado), um diretor chega ao treino com os bolsos cheios de maços de dinheiro.

Resultado: fui atacado por torcedores e tive que deixar de fazer reportagens. Virei apresentador aos 20 anos de idade...

Mais recentemente teve o caso aqui no Correio Braziliense da minha companheira de trabalho, Cida Barbosa. Com a experiência de ter trabalhado em Copa do Mundo, ela conseguiu dois depoimentos de atletas do Gama também detonando a diretoria por não cumprir com o compromisso mensal. Um diretor se revoltou com ela e fez uma acareação com ela e todos os jogadores no meio do campo de treinamento.

Nenhum gamense se apresentou como autor das denúncias e Cida ficou, por alguns instantes, como a mentirosa da história. O diretor desbocado e desequilibrado caiu matando nas críticas, praticamente agredindo-a verbalmente. Até que um dos caras que deu a entrevista -- e pediu para manter o nome em sigilo na reportagem -- se apresentou. Em seguida, o outro também deu um passo à frente. Logo, eles não atuaram mais pelo Gama e deixaram o clube ao final da temporada sem ter participado dos oito compromissos finais.

Na quarta-feira passada, recebi a confirmação da ausência dos salários no time de basquete profissional do DF. Liguei para um jogador e não consegui confirmar. Liguei para o pai de outro, uma pessoa próxima a mim, e ele ficou de checar. Em seguida, me retornou avisando que o filho dele não falaria. Busquei um terceiro jogador e abri o jogo.

Acompanhe o diálogo que travei na tentativa de publicar minha matéria.

- Fulaninho, o seguinte é esse: sei que vocês estão sem salários desde março, ameaçaram não jogar as partidas contra Sicrano e Beltrano e a diretoria não deu previsão de quando saldará as dívidas.
- Você, Daniel, não falou nenhuma mentira. Se quiser publicar, pode publicar. Mas faça por sua conta, porque eu não confirmo nada disso aí...
- Eu sei que tu é um dos cabeças da ameaça de greve do time. Preciso de uma confirmação oficial? Eu não cito teu nome. Dou minha palavra...
(interrompendo)- Não quero!! O mercado do basquete no Brasil é muito pequeno. Essas notícias correm rápido e salário atrasado não é novidade para mim.
- Será que tu não pode botar na mesa lá, entre teus companheiros de time, que eu procuro alguem que esteja disposto a falar, mas sem a necessidade de revelar o nome?
- Então tá. Daqui 15 minutos você me liga...

Dez minutos antes de terminar o prazo, me liga o diretor do time:
- Que história é essa de você ligar para meus jogadores exigindo declarações sobre os salários atrasados?

Foi uma longa conversa. Aliás, batalha. Mostrei para ele que sabia os detalhes dos salários, por mais que tentasse desqualificar minhas informações. Quando percebeu que estava realmente prestes a publicar a denúncia dos salários, ele desabafou:

- Pela amor de Deus! Esse time existe há quatro anos, nunca fizemos tanto sucesso, uma notícia dessas pode acabar conosco. Estamos, realmente, devendo salários, mas se eu te contar o por quê você me garante que não publica?

Dei minha palavra e o cartola me explicou direitinho a falcatrua. Não cabe aqui a história completa da dívida. Avisei ao meu editor que o time de basquete devia salários mas dera minha palavra de que não publicaria nada. Ele (o editor) ficou insatisfeito, afinal, essas matérias sempre rendem grandes leituras. Tudo isso ocorreu na quarta.

Na sexta-feira, li no Jornal de Brasília:

"Time de basquete não paga salários"

Shit. Fui furado!!!

A matéria estava incompleta. Faltava informação tipo: qual o último mês que os jogadores receberam salários? Nem isso tinha na matéria. O diretor do time sequer fora ouvido pela reportagem para dar uma justificativa.

Antes de ler essa notícia, passei um dia e meio pensando se valia a pena denunciar salários atrados de pessoas que não fazem questão de abrir o jogo para a imprensa. Nem os próprios atletas tinham interesse em detonar a história.

O que é pior: um deles ligou para o diretor para me entregar, como se a culpa fosse minha.

Lembrei-me do que meu sub-editor disse:
"Não adianta fazer uma 'boa ação' e não divulgar uma matéria polêmica, como neste caso em que o diretor implorou para que você não publicasse. Notícia não tem dono, se o outro jornal a tem, ele pode soltá-la a qualquer momento. Aí, meu amigo, quem perde é você..."

14 maio 2007

O poder do off

Pedro Henrique Freire


- Deputado, a quantas anda a relação com o governo? A insatisfação já acabou?
- Em off ou em on?

É preciso pensar rápido. Mas é sempre bom escutar o off primeiro. É de certa maneira lógico. Primeiro você escuta o “impublicável”, que é a verdade. Depois, aquelas firulas todas de um entrevistado. Isso dá base sólida para outras perguntas.

É comum ocorrer em matérias de política. Como todos sabem, políticos têm sempre algo a esconder. Minha rotina é repleta de informações em off. Com elas, eu consigo conjecturar aquela boa história da qual preciso. Não que eu vá publicar o off do cara. Mas eu fico sabendo exatamente o que se passar sobre determinado assunto.

Outro dia fazia uma das várias matérias que fiz sobre o assunto acima. Bombardeei um deputado de perguntas. Ele não cedeu. Foi quando, com jeitinho, eu perguntei. “Deputado, as atitudes dos aliados não condizem com esse discurso. O senhor pode me falar que eu não publico, eu quero apenas ficar sabendo. Qual o motivo do desentendimento?”.

Foi quando ele abriu a guarda e me falou tudo. A briga era por cargos. Deputados estavam insatisfeitos. Queriam mais espaço do governo, mais prestígio entre os secretários. Precisavam ter voz e participar das decisões.

Pois bem. Foi quando eu negociei com ele a possibilidade de publicar a história sem citar nome. E falei que escutaria outros parlamentares da base. Um deles haveria de me confirmar a história. Na mesma entrevista, busquei descobrir quem era o mais insatisfeito. Consegui e fui direto no cara.

Ainda ouvi mais seis deputados. Uns negaram. Outros não disseram que sim, nem que não. E um deles me bancou a informação. Ainda coloquei algumas aspas daqueles que não quiseram se identificar. Pronto. Tinha minha história e ela foi pra rede.

Depois eu fiquei pensando: e se eu não pedisse a declaração em off? A conclusão foi imediata: não teria a história! Ficaria sem subsídio para indagar os deputados. Teria um discurso desinformado e ninguém ia falar por livre e espontânea vontade. Enfim, a pauta cairia.

Em outra matéria que fiz sobre o assunto, quis saber do mesmo deputado como estava a relação com o Executivo. Foi quando ele me perguntou: “Em on ou em off?”. “Em off, claro!”. Ele riu e me contou outras coisas. Hoje cultivo a fonte e sempre que posso o prestigio com algumas boas aspas – mas isso é assunto para um outro post.

Enfim, passei algum tempo para conhecer o poder do off. Hoje, não faço matéria sem tentar arrancar algo que não pode ser dito. Mas é bom lembrar que isso leva tempo. É preciso estar próximo da fonte e conversar bastante antes de pedir uma declaração no tal do off.

Aprendi também que toda autoridade tem dentro da mente uma informação que vai valer uma matéria. O duro é como e quando encontrar.

07 maio 2007

A força dos blogs

Por Léo Alves

Os blogs completaram dez anos de existência. Serviram, inicialmente, como diários virtuais. Há algum tempo, contudo, deixaram de ser ferramentas de amadores. A maioria dos jornalistas tem um blog.

Comecei a utilizar esta ferramenta há pouco mais de um ano, quando eu e Daniel (em seguida, o grande Pedro) decidimos criar o Filhos da Pauta. A idéia era relatar um pouco de nossas experiências jornalísticas e discutir assuntos ligados à área. Nossa pretensão nunca foi ficar famoso. Por isso não nos preocupa muito a pequena quantidade de acessos diários temos.

Gostei tanto da experiência que há pouco mais de três meses resolvi investir em outro blog: o Esportes na Rede (http://blogdeesportes.blogspot.com/).

Como estou afastado do jornalismo impresso, pensei em reeditar na internet o estilo da coluna de esportes que escrevia no Diário da Borborema, na qual abordava notícias dos bastidores do futebol paraibano.

Mesmo longe do esporte, as notícias continuavam chegando a mim através das fontes que cultivei. Na maioria das vezes, repassava as notícias para colegas que ainda estão no batente.

Nestes três meses, o blog conseguiu dar vários furos na mídia tradicional. Eles (os furos) só ganharam força quando divulgados nos outros meios.

E não é que neste pouco tempo, o blog sofreu até ameaça de processo?

Quando publiquei a informação de que jogadores do Campinense, um clube tradicional de Campina Grande, estavam curtindo a Micarande, o carnaval fora de época da cidade. O detalhe é que o time estava mal no campeonato. A notícia foi republicada por um jornal e revoltou a torcida, que invadiu o gramado em um dos treinos.

Como o jornal divulgou a fonte, o número de acessos no meu humilde blog cresceu consideravelmente. E outras notícias como passaram a fazer parte dos noticiários.

Escuto e leio vários comentários a respeito de panelinhas de jogadores, brigas dentro do elenco e da diretoria do Campinense. Notícias que hoje são comentadas abertamente, mas que foram publicadas exclusivamente no blog. Ninguém sabe como elas chegaram a mim.

Não importa.

O que importa é que sabem que são verdadeiras, pois em todas elas procurem usar o princípio básico do jornalismo: checagem. Os jogadores que ameaçaram processar o blog (e o jornal) estão indo embora. O assunto já esfriou.

Esse episódio mostra que o blog pode muito bem ser usado como ferramenta jornalística. Desde que, obviamente, sejam respeitados os princípios éticos.

Os blogs ganham força a cada dia e se torna uma fonte de informação para muitos leitores.