24 julho 2007

Beleza Panamericana

Pedro Henrique Freire

Com certeza o nosso amigo Daniel Brito pode falar melhor, com mais verdade e voracidade. Afinal, ele está cobrindo o Pan do Rio e já viu muita coisa por lá. Coisas que poucos brasileiros puderam ver. Não porque ocorreram dentro de quartos ou nos banheiros da Vila (isso também, mas não vem ao caso), mas pelo fato das TVs não mostrarem nada além da beleza panamericana.

Minha crítica começa com o estilo americanizado e parcial de se passar a informação. Pelos canais de TV, aberta, principalmente, tudo virou fantasia. Parece cinema de Hollywood. Basta algum brasileiro perder que a transmissão ganha ares de enterro. Se ganham, gritos, elogios e perguntas bobas (como você se sentiu na hora? Achou que tinha ganho o ouro? Está cansado?). Como diz um amigo, que explorou o assunto em seu blog (www.perceptivo.blogspot.com) – texto no qual me inspirei para este post – "para tudo se tem uma desculpa. Se perde no atletismo, foi o calor; no futebol, zebra".

Os repórteres/estrelas da Globo sofrem de um excesso de empolgação que acaba lhes empurrando para um poço de frustração. Eles, por exemplo, acabaram fazendo do jovem Thiago Pereira um fenômeno quase sem precedentes. Fenômeno brasileiro ele pode até ser. Mas é preciso pé no chão. Isso é Pan e não Olimpíadas. A cada melhada que o rapaz faturava, os próprios repórteres sonhavam com os jogos olímpicos. Agora, Thiago sentirá o peso da responsabilidade e a pressão que é chegar em Pequim como promessa de medalha. Será cobrado pelo povo brasileiro e escurraçado por ele, por culpa do sensacionalismo da TV.

Quero usar também comentários de Juca Kfouri. Ele também fez críticas a esse tipo de postura jornalística. "Thiago é um nadador extraordinário. Mas esqueceram de dizer que os melhores dos Estados Unidos e do Canadá não estão aqui". Juca aposta que o rapaz vai faturar um quarto lugar na próxima olimpíada. E ponto.

Por isso, aconselho, humildemente, que quem quiser saber do Pan, que leia os jornais. Sobretudo os dedicados ao esporte de fato. Eles trazem notícias da Vila e mostram o que realmente acontece por lá. Claro que existem exceções. Existem jornais que fazem uma cobertura medíocre. Mas outros exploram assuntos que só se pode ler nos periódicos. Na internet também.


Pois bem. É isso. Não vou me alongar. DB chega do Pan esses dias e já clamo por uma história sua. Se for possível, umas três. Afinal, nesse período no maior evento esportivo das américas, o que não devem faltar são idéias para posts.

06 julho 2007

Os tijolos mais valiosos

Por Daniel Brito

Até meu último dia como jornalista nesta vida pretendo me lembrar -- e repassar -- um diálogo que ouvi há 11 anos.

Deixe-me explicar a situação para citar a frase.

Em 1996, aos 15 anos, comecei a trabalhar como repórter esportivo de uma emissora de rádio de João Pessoa. A convite do saudoso amigo Werton Soares, arrumei as malas para fazer a cobertura dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Belo Horizonte. Antes, contudo, precisávamos arrumar patrocínio.

Um dos caras com quem conversamos havia trabalhado com meu pai duas décadas antes e se surpreendeu ao me ver cheio de espinhas pedindo patrocínio para a cobertura. Ele não nos apoiou financeiramente, mas disse o seguinte:

- Você já cursou jornalismo?
- Não!
- Como você já trabalha?
- Errr...eu tenho o registro de radialista. Fiz o curso técnico.
- Hum... tudo bem. Mas, olha, o que você vai aprender nesta viagem, nenhuma sala de aula da faculdade vai te ensinar.

Fazer uma cobertura jornalística fora de seu habitat natural, é sempre um aprendizado maior que o habitual. Ou, como diz um amigo: é um tijolo a mais.

O JUBs em BH foi o primeiro tijolo. Mais para alicerce mesmo do que tijolo na minha personalidade profissional. Tijolo adquirido e não atirado pelos críticos de plantão.

Nos anos seguintes fui a dezenas de cidades no país e somei mais conhecimentos.

Em Franca e Ribeirão Preto, meu último destino jornalístico, há uma semana, tinha tudo para ser mais uma cobertura tranqüila, porque já conhecia a área. Os problemas de horário, dificuldade em acessar aa internet e o ambiente hostil do público, me renderam preciosos tijolos aa minha maneira de trabalhar.

Eles serão muito importantes no desafio que colocaram na minha frente neste ano. Neste domingo, dia 8, embarco para o Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos pelo Correio Braziliense.

Sei que o que acumulei até hoje não serão suficientes para cobrir o evento como imagino. Mas vou conquistar os tijolos mais valiosos da minha carreira.

Esses, serão utilizados em desafios maiores, a cada ano...