Pedro Henrique Freire
Há duas semanas mudei de emprego. Virei correspondente de um jornal do nordeste em Brasília. Antes, trabalhava no portal de notícias do Correio Braziliense, o CorreioWeb. Mas meus olhinhos cresceram quando vislumbrei a oportunidade de cobrir Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios e Justiça. Tudo em âmbito nacional. O salário? Menor. Mas acho que vou aprender mais e não pensei duas vezes, fui!
Pois bem. Nos primeiros dias de "correspondência" levei o primeiro baque. Tive que me adaptar à realidade jornalística do Maranhão, pois presto serviço para o jornal O Imparcial, daquele estado. O primeiro passo foi convencer editores e o dono do jornal que a cobertura feita na capital da república se concentra na bancada de deputados deferais maranhenses, mas deve ser democrática e os interesses do governo do estado não devem influir nela.
Essa tarefa não foi tão difícil. Consegui. Me liberam para fazer a matéria que eu quisesse e ter como fonte quem eu quisesse, independente de partidos e apoios políticos. Gostei e entrei em campo. Mas, de cara, percebi que minhas potenciais fontes olham pro jornal como um adversário, algo a quem eles não devem informações e que só lhes tratam mal.
Antes de começar o trabalho jornalístico, então, encampei uma função diplomática. Me apresentava e dizia: "Deputado, sou o Pedro, correspondente de O Imparcial em Brasília. Agora vamos cobrir os trabalhos da bancada do estado". Os que simpatizam com o jornal abriam os braços, me trataram bem, disseram que dariam exclusivas e tal. Mas aquele que, erroneamente, o jornal achou, por razões partidárias, não lhes dá espaço, soltavam as piadinhas.
O primeiro falou pra assessora, quando ela disse que eu queria entrevistá-lo pra alguma coisa: "Olha, tu tens que entender que O Imparcial não dá espaço pra gente", comentou. O outro: "Vocês são oposição, né?". Ai, entro em campo. "Olha deputado, não é assim. Aqui, pretendo fazer uma cobertura equilibrada, sem entrar na pendenga política existente no Maranhão. E gostaria de um voto de confiança pra poder realizar meu trabalho dessa forma", dizia.
A partir disso, a coisa melhorou. Mas pode melhorar ainda mais. Porém, isso só o trabalho jornalístico dirá. O tempo também. Por enquanto, sigo correspondendo o jornal e tentando representar uma linha editorial isenta, coisa quase inédita pras bandas daquele saudoso nordeste, embora o jornal tenha um nome que aparente isso. Como diz meu amigo DB nas nossas proveitosas e marcantes divagações sobre jornalismo: "Você, além de repórter, é o único representante do jornal aqui". É isso mesmo, amigo.
Trem bala (cover)
Há 9 anos