09 fevereiro 2011

O Filho está crescendo

Léo Alves

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que este post sai com mais de dois meses de atraso. Porém a correria normal de fim de ano e o surgimento de temas mais interessantes o fizeram ser relegado até esta data.

No dia 24 de novembro de 2005 Daniel Brito escreveu:

“Esta é a primeira mensagem do blog "Filhos da Pauta". Criado por Daniel Brito e Leonardo Alves, este espaço tem como objetivo contar um pouco do cotidiano de duas redações totalmente diferentes. Daniel é repórter de esportes do Correio Braziliense, em Brasília. Leonardo é repórter da TV Paraíba, em Campina Grande. Ambos contarão aqui o que viram, o que fizeram, e o que farão em seus "expedientes", se é que jornalista pode ter expediente.

Além disso, a dupla postará textos, comentários e reportagens interessantes. Não vai ser fácil manter este espaço atualizado. Então, boa sorte para nós dois...”

No dia seguinte escrevi meu post de estreia anunciando o primeiro assunto a ser abordado neste humilde espaço:

“Como disse Daniel, não será fácil manter o blog atualizado. Esse é o nosso desafio. Quem é jornalista sabe da correria que é ter que fechar os textos, produzir os VT' s. Mas dentro do possível tentaremos socializar nossas experiências do cotidiano. Procuraremos contar como foram produzidas algumas de nossas reportagens, postura adotada, direcionamento e, é claro, as dificuldades e conquistas que envolvem a produção de uma matéria. É claro que alguns momentos do trabalho é preciso ter sorte. Como aconteceu com Daniel, quando voltava da viagem de férias da Espanha e no seu vôo estava Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira. DB se 'esqueceu' que estava de férias e conseguiu uma exclusiva com o treinador. A entrevista foi capa do Correio Braziliense de quarta-feira. A história da entrevista quem vai contar é o próprio DB. Não podia ter uma história melhor para abrir o nosso blog.”

Desde a sua criação o Filhos da Pauta não teve grandes pretensões. Não pretendia – como ainda não pretende – ser uma referência no jornalismo. Como já escrevemos outras vezes aqui não somos os donos da verdade. Longe disso.

Desde 2005, muita coisa mudou. Daniel não está mais no Correio Braziliense. No intervalo de cinco anos esteve no Jornal da Tarde, Assessoria do Comitê Paraolímpico, voltou para trabalhar no caderno Cidades do Correio (onde ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo) até aportar na Folha de São Paulo.

Eu, no caso, quando comecei a escrever no FDP era repórter. Depois passei a Chefe de Produção, Editor, Editor Assistente do Globo Esporte, sai e voltei para a UEPB, até que em 2009 quase tive um infarto (eu sei que não existe ‘quase infarto’, mas é um sentido figurativo) pelo excesso de trabalho. Abri mão da editoria de esportes. Fui aprovado num mestrado. Saí da TV Paraíba em abril do ano passado e da UEPB em dezembro. Agora, estou prestes a fazer uma nova seleção para a UEPB e participo como repórter das transmissões esportivas da Rádio Cariri. Aliás função na qual iniciei minha carreira.

Mesmo com tantas reviravoltas profissionais, o blog se manteve no ar. E o melhor ganhou o reforço de Pedro Henrique Freire e Mário Coelho, que por ociosidade teve o nome excluído inadvertidamente do quadro de colaboradores.

Mas Mário Coelho vez por outra tem dado sua contribuição, assim como já fizeram Jurani Clementino, João Paulo Medeiros e outros que permitiram publicações de suas colunas no blog.

Durante estes cinco anos, os leitores mudaram. Pouca gente que era assíduo no início nem sequer acessa mais o blog. Por outro lado, apareceram 50 seguidores. Número até considerável para quem – como disse – não tinha grandes pretensões.

E sem ambições o Filhos da Pauta ganhou seu espaço. Hoje faz parte da lista de blogs do Jornal O Imparcial do Maranhão com a seguinte descrição: Jornalistas do Maranhão, Brasilia, Paraíba e São Paulo debatem os rumos da profissão.

Para quem não queria muito, foi até longe ao ser citado por um dos mais respeitados jornalistas do país. Ricardo Noblat escreveu em 6 de janeiro de 2008:

"Filhos da Pauta é um blog atualizado por três jornalistas em plena atividade. Nele, contam histórias que provocam discussões em torno da visão do Jornalismo sob o ângulo dos próprios jornalistas. Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados. Esses passarão a fazer parte da seção aí acima, do lado esquerdo, chamada 'Vale a pena acessar'".

Hoje o blog não é atualizado como antes. Uma tendência própria dessa ferramenta. O twitter tem tomado muito tempo. Mesmo assim o Filhos da Pauta vai continuar no ar trazendo histórias e discussões acerca da profissão. Por muito tempo.

01 fevereiro 2011

Vem ai o The Daily

Pedro Henrique Freire

O magnata da comunicação Robert Murdoch apresenta amanhã o seu mais novo sonho: The Daily. Um jornal feito exclusivamente para Ipad - a menina dos olhos de Steve Jobs. Murdoch gastou 30 milhões de dólares no projeto. Tudo para apresentar, segundo ele, "uma verdadeira mudança na apresentação de notícias".

A plataforma do The Daily, claro, é multimídia. Será um jornal diário, mas terá vídeos, gráficos, podcasts, além de textos e fotos. E abordará notícias, principalmente, de cultura e entretenimento. Ou seja, um portal de notícias para Ipad. É isso?

Precipitado fazer análises antes de analisar o que trará o The Daily - dono de uma redação "modesta" com cerca de 120 pessoas. O trunfo de Murdoch é usar outras plataformas da News Corp - dona do Wall Street Journal, entre outros - para capilarizar a atuação do The Daily.

Não me furto a provocar dúvidas.

É um jornal diário?

Com textos, vídeos, áudios e fotos?

Em tempo real ou com apenas uma atualização diária?

Se for tudo isso acima, no que se diferencia o The Daily de portais de internet, por exemplo?

A aposta é na popularização do Ipad e no exclusivo conteúdo editorial. O crescimento do The Daily dependerá disso. Caso contrário, o sonho de Murdoch vai lhe tirar os 30 milhões sem trazer muito.

30 janeiro 2011

O mal no jornalismo

Léo Alves

O post de aniversário de cinco anos – que está atrasado dois meses - deste humilde blog como gosta de dizer o grande DB vai esperar um pouco mais. Esta semana a jornalista Cláudia Carvalho escreveu uma coluna no www.parlamentopb.com.br que nos faz refletir acerca de uma prática que se tornou comum no jornalismo paraibano e coloca em xeque a credibilidade da profissão Estado. Com a devida autorização de Cláudia, O Filhos da Pauta reproduz abaixo a coluna.

Síndrome de Estocolmo
Cláudia Carvalho*

Na Paraíba há um adágio que diz: você vale pelo mal que pode causar.
De adágio, virou estilo de vida. Rentável e eficiente, tornou-se lema para muitos que militam na imprensa do Estado. Igual a rastilho de pólvora, a fórmula contagiou muitos que nem tinham aptidão ou formação para a comunicação e nem sabiam qual sua destinação. Mas, isso também pouco importa. Basta repetir alfinetadas, ataques, chacotas, ameaças e constrangimentos até que a vítima peça arrego e abra a carteira.

Sem romantismo, essa prática não é minoritária no jornalismo paraibano. Ela se disseminou e virou sinônimo de prosperidade, prestígio e, claro, poder.
Até aí, não está tudo bem, mas é compreensível que a tática ofensiva, uma vez gerando resultados, seja repetida à exaustão por quem não tem muitos pudores. O que chama a atenção é a reação despertada nos "alvos".

A psicologia, desde a década de 70, chamou o estranho fenômeno em que a vítima desenvolve simpatia por seu algoz de "síndrome de Estocolmo", numa referência a um famoso assalto a banco ocorrido em 1973 e no qual os reféns defendiam seus captores.
Muito longe de Estocolmo e no calor dos trópicos, muitos paraibanos de estirpe se apalermaram com seus algozes. Ao mesmo tempo que reclamam, também dão Ibope, citam, repercutem e valorizam justamente quem lhes ataca.

Questão de gosto ou falta de gosto não se discute, já dizia outro sábio provérbio. Mas, eis que surge um complicador: apesar de nem todo mundo ser vilão na estória, acaba sendo enquadrado na generalidade e topando com as pechas vis que levam à vala comum.

Causar o mal é deleite para quem gosta dele. Quero estar longe perseguindo uma utopia que ensinaram na faculdade que teimei frequentar para ter direito a um diploma cujo valor expirou numa cacetada vingativa do STF. Mas, o que vale não é o papel. É um sentimento, a vontade de acertar e de ainda teimar em querer fazer o certo mesmo que ao redor digam que essa preocupação é típica dos fracos. E haja fraqueza para reagir, devolver as bordoadas e não quedar diante da tentação de aderir ao modus operandi da estação.

Deve ter sido em meio a uma crise deste naipe que Renato Russo concebeu os célebres versos de "Há tempos" que dizem: "Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é ter coragem".

Renato não era mais um na multidão. Não ficou rico nem dominou o mundo, mas continua sendo respeitado. É uma boa marca.

*Cláudia Carvalho é radialista e jornalista premiada, com especialização em Jornalismo Cultural. Pioneira no webjornalismo da Paraíba, é apresentadora da Rádio 101 FM e mantém o blog Parem as Máquinas!

20 janeiro 2011

Um jornal de 4 milhões de leitores


Pedro Henrique Freire

O mundo discute alternativas ao jornalismo impresso. Está ficando até chato falar da sobreposição de tablets e e-reads ao papel. O imediatismo do ser humano chega a considerar palpável a mudança de modelo. Rápido assim?

Jornais são diferentes em diversas partes do mundo. Impressos no Brasil detêm características completamente distintas de jornais da Europa, que se diferenciam dos da Ásia e também daqueles que circulam na América do Norte... etc.

Fazer jornal que supere expectativas depende, principalmente, de conhecimento social e econômico da localidade de atuação. Não fosse assim, uma fórmula bem sucedida bastaria para levar jornais em todas as partes de nosso planeta azul ao sucesso absoluto, agradando leitores e pagando os altos custos da produção jornalística.

Alguém ai conhece o Times Of Índia (olha ele ai do lado)? Eu não conhecia. Mas li algo sobre ele esses dias que me intrigou. Circula com quatro milhões de exemplares por dia (isso mesmo!), é barato (preço equivale a R$ 0,10) e full color. Algo diferente de alguns jornais brasileiros além da tiragem? Suponho que não.

Se em países ricos se gasta tanto pra encontrar maneiras de manter jornais (ou ao menos suas marcas) vivos, por que a emergente Índia consegue vender quatro milhões de exemplares por dia apenas fazendo um jornal colorido e de qualidade?

É preciso analisar o país...

...socialmente: a Índia reúne várias culturas. O singelo estranhamento social é cotidiano. O Times Of Índia procura reunir diversos pontos de vista das múltiplas culturas, publica matérias de serviço e utilidade pública e reivindica para si o papel social de unir os povos em campanhas voluntariosas. Ou seja, o conteúdo é altamente identificado com a sociedade.

...economicamente: apenas 20% da população da Índia acessa a internet. Ipad lá, portanto, não é algo que apeteça a grande classe a ponto de contestarem a existência de jornais impressos. o Times sabe como ganhar dinheiro. Ele permite que empresas paguem anúncios com ações na Bolsa. Usa seu papel para especular.

O sucesso, portanto, não é em vão. O Times Of Índia sabe como e para quem vender jornal. O processo tem começo, meio e fim. E entende a organização econômica na qual está inserida.

Ele se identifica com o leitor.