11 agosto 2010

Central da revanche

Por Léo Alves

A Globo não quis alterar sua programação para exibir o primeiro amistoso da Seleção sob o comando de Mano Menezes. O assunto foi muito bem exposto pelo Saulo no post anterior. A rede preferiu manter sua Passione no ar. Atitude que levaria o torcedor comum (o que não tem TV por assinatura) a pensar que era um simples amistoso. Poderia até ser porque muita gente estava desinformada sobre a partida. Mas a maior rede de televisão do país fez questão de transformar o jogo na “hora da revanche” ou a “ hora do troco”. Era o momento certo para dar uma resposta ao técnico Dunga, que durante o Mundial da África acabou com as mordomias da Globo junto ao elenco verde e amarelo.

O Brasil venceu. Era tudo o que a tevê precisava para soltar ‘diretas’ ao Dunga. Mesmo se não tivesse vencido a desculpa seria “temos que ter paciência porque é início de trabalho”. O clima de lua de mel entre Globo e CBF já começara no Globo Esporte de terça-feira (10/08). Alex Escobar foi presenteado com a camisa 10 personalizada da Seleção. Sinceramente nunca tinha visto a emissora noticiar com tanta ênfase um presente recebido por um de seus profissionais. Achei até que fosse contra o código de conduta da empresa. Para quem não lembra Escobar foi agredido verbalmente por Dunga durante uma entrevista coletiva na Copa do Mundo.

O veneno global foi destilado à vontade no Central da Copa Especial. Um programa totalmente fora de contexto se não fosse pelo clima de revanchismo.Quantos técnicos estrearam pela Seleção e tiveram um programa para repercutir o jogo?

No programa apresentado por Tiago Lierfert estavam presentes vários convidados, entre eles, Galvão Bueno, Falcão, Arnaldo César Coelho, Caio Ribeiro e o (sem graça) Marcius Melhem, que interpreta um dos Caras de Pau, programa da emissora.

A vitória sobre o todo poderoso Estados Unidos foi a deixa para Galvão dizer que “se divertiu muito com Pato, Ganso e Neymar”. Tiago emendou ao afirmar “que o talento voltou graças a Deus”. Logo depois Marcius disse que “tava ruim torcer para Seleção. Agora tá fácil”. E ainda ironizou Dunga ao chamar a Seleção da África de time cintura dura, time do exército.

Por essas declarações já dá para perceber que Central da Copa foi ao ar apenas como revanche. E Galvão Bueno novamente foi hipócrita (é por isso que o mandam calar a boca) ao afirmar “que quem se alimenta de revanchismo sempre está mais perto da derrota que da vitória. Temos que tomar cuidado para que não venhamos a nos alimentar de revanchismo”, tentando enganar os telespectadores.

O que estava escancarado ficou ainda mais. Március disse que “era o dia do exorcismo, dia da libertação. No banco agora temos um cara que não agride jornalista e nem a gramática e usa agasalho”

Depois de Tiago dizer que a Globo tinha tido acesso a preleção dos jogadores Galvão ironizou: “que diferença hein?”. E é porque não queria revanchismo. O que menos atingiu Dunga foi Caio, que se limitou a dizer que Mano “trouxe o talento de volta à Seleção”.

O programa durou quase 42 minutos. O leitor pode vê-lo novamente aqui. Ficou claro que Mano Menezes vai ter vida fácil na Seleção porque se dispôs a cumprir o que a Globo quer. Na Central da Revanche o que se viu foram reportagens mostrando os quartos dos jogadores, o comportamento (exemplar, para eles) de Mano à beira do gramado, a intimidade do grupo. Nos bastidores está tudo acertado para que a emissora volte a ter exclusivas, acorde os jogadores a hora que quiser para dar entrevistas e outros benefícios que se acostumou ao longo dos anos.

Em retribuição aos afagos, todos (todos mesmo) seus profissionais vão apontar apenas virtudes na nova Seleção Brasileira e em Mano Menezes. Tudo está perfeito. E será assim até a nossa Copa em 2014. O pior é que muitos torcedores e jornalistas esportivos (já ouvi isso na Paraíba) vão seguir a Globo e achar que realmente o Brasil não tem problemas só porque o Dunga saiu.

O risco que corremos é de ter em 2014 um Maracanazzo ainda pior. Como é anfitriã, a Seleção não disputa eliminatórias. Os defeitos serão encobertos pela Globo. Só teremos a Copa América para medir a qualidade dos meninos de Mano. Nunca é demais lembrar que fomos desclassificados nos últimos mundiais por seleções européias. Mas como diz o Casseta e Planeta da Globo: “os seus problemas acabaram”. É o que veremos em 2014.

10 agosto 2010

Passione pelo Brasil

Saulo Duailibe*

Na noite desta terça-feira, a Seleção Brasileira faz o primeiro jogo após a eliminação da Copa do Mundo da África e do fim da era Dunga. Toda renovada, desde a comissão técnica ao time, a seleção, enfrenta os EUA, às 21h, em Nova Jersey.

Quem estava ansioso para ver a ‘Molecada do Santos’, e até uma dupla animal, com Pato e Ganso, vai ter esperar mais um pouco. A Rede Globo não abriu mão de exibir mais um capítulo da novela Passione, que passa no mesmo horário do jogo.

Agora o torcedor canarinho tem que sair de casa para poder prestigiar a nova fase brasileira e assistir a partida em botecos ou bares. Ou assinar uma TV paga. Mas a maioria vai ver Totó correr atrás de Clara e deixar uma fortuna pelo amor de uma mulher que poderia ser a filha dele.

Ou melhor, olhar Reynaldo Gianechinni tentar fazer um papel de vilão, enquanto Bruno Gagliasso faz um bígamo com duas mulheres lindas e ricas. Além de assistir uma mulher fútil, a Clô, casada com Francisco Cuoco, que interpreta um dos piores papeis da carreira, fazer de tudo pela decoração da casa nova. Este que é o único momento hilário do folhetim.

E, acima de tudo, quando as cenas vão para a Itália fica pior. Todos falam uma língua ainda desconhecida para os estudiosos: o ítalo-português. E assim também era na novela Caminho das Índias, onde o Harebaba se misturava gírias brasileiras.

Na maioria das vezes não podemos escolher o que degustar na programação da televisão. As emissoras que detém os direitos de imagem fazem o que querem e tudo pelo lucro incessante.

Um exemplo: a Globo compra o direito de transmitir o Brasileirão e libera os piores jogos para as outras emissoras. E quando não libera a mesma partida.

Na verdade, não controlamos nem mais o que pagamos. Se a televisão é minha, assisto o que quiser, mas não é assim. Pagar não é poder.

*Saulo é jornalista, editor de O Imparcial Online (www.oimparcial.com.br), portal de notícias do Maranhão

02 agosto 2010

O fim está próximo?

Pedro Henrique Freire

O rádio nasce. Será o fim dos jornais. A tevê nasce. Será o fim dos jornais. A internet nasce. Será o fim dos jornais. Agora os e-readers, os tablets chegaram... Será o fim dos jornais? Estamos diante, pra variar, de mais uma conjuntura apocalíptica para os jornais. Depois que a Apple inventou o Ipad, um tablete digital que só falta falar, a discussão gira em torno da existência (e persistência) do impresso de cada dia.

Em setembro, o tradicional e marcante Jornal do Brasil fecha seu parque gráfico após 119 anos em circulação. Economicamente, bom pra ele: não irá gastar mais com chapas, tinta, toneladas de papel, manutenção de máquina, entre outros custos inerentes a produção de um impresso.

Mau porque perde sua marca, seu charme de ser chamado de jornal, sua influência, seu leitores e sua credibilidade. Agora vai existir apenas na internet. Não será mais o Jornal do Brasil. E, sim, o Portal do Brasil. Não é a mesma coisa, convenhamos.

O que fazer para reverter essa tal “decadência”, há décadas discutida e incompreendida por todos? Eis que com os e-readers e tablets surge uma nova interpretação da crise, amadurecida naturalmente pelos trancos e barrancos causados pelo rádio, tevê e internet. Não queremos fugir do afogamento, mas estudar o melhor modelo de mergulhar e explorar com profundidade o mar dessa nova tecnologia.

“O desafio é usar os e-readers e tablets para vender conteúdo, evitando os ‘erros’ cometidos com a migração para a web. Os efeitos da gratuidade ainda assombram”. Quem fala é o estudioso em comunicação Kerry Northrup, da Western Kentucky University, que acompanha a alarmante adesão à nova tecnologia pelos Estados Unidos.

É um passo. Afinal, hoje investimos em tecnologia quase por uma imposição da modernidade. Somos obrigados a acompanhar as novidades do meio e implementá-las. Se pudermos gastar ganhando, mais justo. A crise, ninguém esconde que há. Mas é uma crise dos jornais. E não do jornalismo. E ela existe há muito tempo. A morte deste papel já esteve próxima por diversas ocasiões. Será que agora ela chegou? Não creio.