Por Pedro Henrique Freire
Não acredito que jornalista de redação possa tratar um colega mal, criticá-lo na sua presença ou ausência, ou diminuí-lo perante outros. Eticamente, na nossa profissão, isso é crime. Agora, imagina só um assessor de imprensa fazer tudo que citei acima. Como se não bastasse, esse assessor trabalha para um deputado que está atolado em denúncias de corrupção e, fatalmente, responderá um processo por quebra de decoro parlamentar dentro da casa legislativa que atua.
Pois é, conheço um assessor assim. Trata mal os jornalistas, os chama de incompetentes e vive apontando erros... quase sempre infundados.
Tudo bem que essa função requer um acompanhamento do que sai na imprensa e, sempre que necessário, um pedido de retificação de uma coisa ou outra. Afinal, erros acontecem. Acho que todo jornalista que se preze já errou alguma vez.
O problema é quando um assessor – que, enfatizo, só existe porque existem jornalistas de redação e jornais – quer ser mais realista que o rei e só reclama, critica e diz que tudo está errado.
Dia desses ocorreu um episódio extremamente constrangedor comigo. Procurei uma informação com um desses profissionais. Além de me ironizar, dizer que eu errei ao colocar uma “aspas” do seu chefe (que não estava errada), não me dá a informação que eu queria, essa pessoa ainda desligou o telefone na minha cara.
De fato, uma atitude lamentável.
Antes que eu tentasse explicar que não tinha errado, a ligação foi interrompida de propósito. Não pude dizer nada do que queria. Por isso, escrevo aqui uma carta direcionada a essa pessoa que desrespeita a lei da ética comportamental que rege o relacionamento entre profissionais de imprensa e que me causou momentos de irritação e, sobretudo, pena.
Querido assessor (ou assessora),
Tenho certeza que você não vive um bom momento. Suas tarefas e atribuições aumentaram vertiginosamente, sem contar a pressão a qual está submetida ao prestar serviço para um investigado por crimes graves. Além disso, suponho que não esteja passando por um bom momento em sua vida particular e, naturalmente, anda bastante estressada.
Quero apenas que saiba que levo em consideração todas essas coisas. Posso entender a postura agressiva com a qual trata seus colegas de trabalho, mas não posso aceitá-la como uma coisa normal. Sugiro que tente descansar, se afaste do cargo e tente resolver os problemas que te causam irritação e estresse.
Mais do que isso: quero aconselhá-lo (la) a manter uma boa relação com seus companheiros de trabalho e com as pessoas que precisam dos seus serviços. Você está de um lado que não é exatamente o melhor lugar para se fazer jornalismo. Por isso, entenda: provavelmente seu chefe será cassado e você perderá o emprego. Possivelmente, um dia irá precisar da ajuda de alguém com quem cruzou em algum momento de sua vida. Você pode até ter um bom currículo, mas se não tiver caráter, não terá um emprego.
Pense nisso
Grato
Trem bala (cover)
Há 9 anos
6 comentários:
Olá Meninos!
Fazia tempo que não vinha visita-los!
Néééé?
heheh
Vou voltar e ler vcs, filhos da pauta!
Um assessor que trata um jornalista mal é, no mínimo, burro!!!
Relações relações....
beijos!
Pedro, não é falta de ética criticar os colegas não. O problema é só criticar, e não elogiar quando o colega acerta. Não criticar nunca não é ética, e sim corporativismo.
Abs
Concordo com você, Pedro. Um competente assessor de imprensa deve ter uma "saudável" relação com os jornalistas. E nesse caso específico o profissional precisa mais de nós repórteres do que o contrário.Pois explicações devem ser divulgadas pela assessoria. Mas escândalos... nós descobrimos, não é mesmo?!
Bj
Pergunta que não quer calar: você realmente mandou essa carta a ele? Rolou resposta?
Concordo com Mr. Rabbit: críticas são bem-vindas sim. Falta de educação é que não é.
Abs
Esse texto de Pedro realmente reflete bem um pouco das relações existentes entre assessor x jornalista de redação.
Só há um PEQUENO DETALHE que talvez esse assessor não saiba, Pedro. É que agir dessa maneira nunca é o mais indicado pra alguém que tem a responsabilidade de manter, antes de tudo, "uma boa relação com a imprensa".
Talvez esse cara, ou essa senhorita, tenha perdido algumas aulas das displicinas "ASSESSORIA DE IMPRENSA" e "RELAÇÕES PÚBLICAS"...
Não é mole conviver com assessores de políticos corruptos. Lógico que tem assessor que é chato por natureza. Atende os jornalistas achando que está fazendo um favor. Se um dia deixar de ser assessor e precisar de referências dos colegas para arrumar emprego numa redação está ferrado.
Abs
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