26 janeiro 2007

Nem tudo

Por Léo Alves

Quando criamos este blog, achávamos que poderíamos escrever o que quiséssemos. Afinal, aqui é um espaço livre, onde eu, o Daniel e o Pedro somos os editores.

Mas a experiência mostrou, em mais de um ano de Filhos da Pauta, que a coisa não é como imaginávamos. Não dá para escrever qualquer coisa, contra tudo e contra todos. Até porque todos têm acesso ao contéudo do blog. Basta querer.

Qualquer pessoa que se sentir atingida pode reclamar. Tudo bem que ainda não existe uma legislação específica, mas ninguém (e nenhuma empresa) gostaria de ver seu nome manchado num espaço público.

Estou escrevendo isso, porque algumas pessoas estranharam o fato de Daniel ter mudado a linha editorial do post anterior depois de ter sido alertado por alguém que ele (o post) poderia acarretar prejuízos futuros.

Não é a primeira vez que acontece no Filhos da Pauta. Ano passado, Daniel também retirou o nome de uma pessoa de um post porque ela se sentiu atingida (também pudera, né, DB? Chamar o cara de orelhudo foi demais).

Por mais que seja um espaço nosso, não dá para escrever tudo. É preciso também medir as palavras. Afinal, vivemos em sociedade. E precisamos saber a hora certa de dizer as coisas.

Muitas verdades parecem grosserias.

Em muitos momentos, eu (e talvez Daniel e Pedro) sinto vontade de escrever uma crítica mais forte a uma empresa ou até mesmo a um colega de profissão. Mas não há como negar que seria falta de ética.

Além disso, poderia criar um mal estar (desnecessário) com o colega e até com a empresa.

Já imaginou se no futuro eu estiver trabalhando na empresa e ao lado do colega criticado aqui neste blog?

É o mercado de trabalho. Você pode até não concordar com a linha editorial da empresa, mas não está totalmente livre de trabalhar nela. Lógico que é uma questão de escolha. E neste momento vai pesar a proposta. Principalmente se você estiver desempregado.

Vejo muitos colegas criticarem a Rede Globo. Porém, não tenho dúvida de que a maioria estaria lá se recebesse uma proposta de trabalho.

No blog (como na vida) muitas vezes é melhor silenciar.

Lembro da minha aula da saudade, quando meu ex-professor Rômulo Azevedo disse:

"Em muitos momentos da profissão, precisamos ser como bambus, que se curvam, mas depois voltam a ficar firmes e retos".

Resumindo: é preciso ter jogo de cintura.

4 comentários:

Lenildo Ferreira disse...

Muito bom, Léo, o tema abordado e sua avaliação. Li no blog do colega Patrick Gléber, tempos atrás, que o dono de um blog havia sido processado e condenado, não por algo que ele mesmo escreveu, mas por um comentário anônimo no site.

Escrever é acima de tudo uma ato que requer muita responsabilidade. Cada qual tem suas próprias concepções, propósitos no que publica e projetos de vida, por isso, não há também um padrão. Cada sujeito deve saber o que pretende, os riscos que está disposto a correr, antes de ir em frente.

PArticularmente, já tive que retirar coisas do meu blog pessoal, pq um colega as interpretou mal. Não o fiz por receio de coisa como um processo, até pq ele não o faria, mas por respeito a ele. É preciso lembrarmos, ainda, que na nossa carreira de jornalista, dificilmente a gente evitará rusgas, que podem ir até as barras da Lei. A não ser que a gente faça jornalismo água-com-açúcar, chapa-branca. É a vida. Abração

Toty Freire disse...

Léo, você está certíssimo. Todo estudante de jornalismo deveria ler esse texto antes de se formar!

Abçs

Felipe disse...

É muito tênue essa linha entre a liberdade irrestrita de expressão e uma ofensa por calúnia, injúria, difamação. Mas também, se a ofensa ou crítica não causa nenhum prejuízo concreto à pessoa, é importante ter uma liberadaed, uma espécie de imunidade parlamentar. Senão, já pensou se a moda pega?

Tipo eu vou escrever um post sobre a Daniela Cicarelli criticando ela por ela ter contribuído para a censaura no youtube e aí tomo um processo?

Ou falo mal do Ronaldinho Gaúcho, digo que ele é um engodo e tomo um processo?

Ou digo que o Alckmin parece um picolé de xuxu e tomo um processo?

Ou digo que o Daniel Brito é especialista em emporcalhar banheiro de aeroporto e tomo processo?

Ai, não, Lúcio. Aí, complica!!!

DB disse...

Eu sei que o auto-elogio fede, mas,Da Silva e Pedro, tenho que dizer que estou cada dia mais viciado a este blog. Os posts estão ficando mais ou menos amarrados uns aos outros nos temas.
Este teu texto, por exemplo, Da Silva, tem ligação direta ao que escrevi sobre editores ou moderadores na internet e a outro que escrevi sobre a possibilidade de um texto despretensioso agredir alguém que, por ventura, acesse nosso humilde espaço.
Como diria Ariano Suassuna:
se for para falar mal de alguém, que seja por trás, sem esse alguém saber. Porque se for para dizer na cara, cria aquele mal estar, briga, discussao, inimizade.
Veja o caso do Felipe, por exemplo, que insiste em dizer que eu emporcalho banheiros de aeroportos.
Só quero saber como, se eu tenho prisão de ventre...
(Hora de entrar o moderador aqui!!)