Pedro Henrique Freire
Após duas semanas, ja estou mais adaptado o mundo do jornal popular. Tentarei até escrever um texto curto aqui, para ser coerente com a produção do nosso Aqui-MA (hehehe). Falando nele, contarei minha mais recente experiência. Como vocês observam no título acima, o episódio fala de mulheres. A pergunta é: "Mulheres (quase) peladas, precisamos delas?".
Quando cheguei ao Aqui-MA, vi que, por um entendimento da circulação e respaldo da direção, o pessoal estava abusando daquelas modelos (que sempre 'decoram' a capa de jornais populares). As 'gatinhas' estavam sem arte e caminhavam pela estrada da pornografia (muito peladas em posições pesadamente tentadoras). Além disso, ocupavam quase meia página de tablóide (desperdício de papel?).
Olhei e pensei: não temos notícia? Nosso jornal virou folhetim para divulgar 'gostosas' desconhecidas? O que é pior? Não valorizarmos nossa produção ou fazermos um jornal machista?
Na primeira reunião com 'a cúpula' da empresa, enumerei as falhas que encontrei no jornal e argumentei o seguinte: existem jornais e mais jornais populares. Uns são muito ‘escrachados’, popularescos e sanguinolentos. Outros mais comedidos, úteis e cuidadosos. O que vocês querem? 'Queremos um popular sério', me responderam. "Mas não podemos tirar a mulher. Ela ajuda na venda. Se quiser, pode diminuir", ordenaram.
Oka, chefes!
No meu primeiro e tenso dia de trabalho, assumi a edição da capa e mudamos um pouco o formato. Mais cores, mais chamadas. Diminuímos um pouco a mulher e colocamos nela uma razoável e necessária quantidade de roupas. Mas continuava mais para 'tamanho G' do que para o 'tamanho M'.
Temia que as vendas caíssem e meus argumentos para mudança fossem logo desbancados na primeira semana.
Estava tenso e saí pela empresa colhendo opiniões. Da direção, tinha o tamanho certo que deveria usar a modelo. Fui ao setor de circulação. Perguntei a eles o que estavam achando do jornal e se aquela mulher era mesmo necessária, daquele jeito. Para minha felicidade, me disseram que ela "estava muito exagerada", "pelada demais" e as pessoas reclamavam.
Ótimo. Se a própria circulação (que só quer saber de vender jornal) discorda do tamanho da 'dita cuja' da capa, não sou eu que vou concordar. Mas não estava convencido. Pedi a eles, então, que marcassem para nós uma reunião com 10 jornaleiros e distribuidores. De preferência, um de cada bairro, para melhorar a amostra. Queria ouvir a voz das ruas.
A reunião foi marcada. Em vez de 10, vieram oito. Um deles era mulher. Conversamos bastante sobre todos os aspectos do jornal. Para minha felicidade, todos criticaram a nudez da "menina da capa" e disseram que "muitas pessoas não compram porque se sentem ofendidas". No final, cada um deles foi unânime em me afirmar que 70% dos leitores do Aqui-MA são mulheres. Fiquei muito surpreso.
Saí da reunião, diminui mais ainda a dimensão da modelo e passei a colocar uma ou outra boa chamada sobre celebridades na capa.
***
No fim da semana passada, o chefe da venda avulsa do jornal me ligou. "Olha, estou com os dados relativos à sua primeira semana de trabalho". E ai?, perguntei, ansioso. "O encalhe diminuiu de 8% para 7% e o repasse aumentou. A tiragem também aumentou em três mil jornais", me disse. Sorri aliviado. A "menina da capa" não é a principal responsável por nossas vendas.
Ps: Perdão! Não consegui escrever pouco. Tentarei na próxima.
16 Dezembro 2008
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4 comentários:
Aqui, grande predo, não tem limite de espaço. Pode escrever quanto quiser, desde que seja pertinente, como tem sido o caso de todos os textos seus, de Da Silva e do Mr. Rabitt.
Essa historia de que mulher pelada vende jornal é realmente complicada. PQ? Pq uma pessoa normal, de bom senso, sabe que foto de mulher em jornal nao vai passar de um biquini ali, uma coisa simples, nada muito escrachado. O cara sabe que se quiser ver genitalia, que compre revistas. Algumas ate sao mais baratas que o jornal. Se bem que o jornal ai custa 25c, nao é? Ai complica...
Anyway, o que vc falou sobre machismo é verdade. as vezes parece que o jornal é feito so para homens. Eu ainda acredito que é possivel dar um viés jornalistico a essas coisas. Se for para falar da gostosa do funk, que nao fique nas fotos, mas em uma materia contando sobre ela e outros bla bla blas. é claro que eu to me referindo aos jornais populares, onde esse tipo de artificio (destacar mulher gostosa) é válido. É até melhor para o leitor, que tera informacoes sobre sua musa (tem gente que quer saber disso, acredite!), e para o jornalista que tem a oportunidade de fazer um texto criativo sobre a historia. MAs como as mulheres que posam nuas sao todas do rj e sp, entao, so dá para ficar na foto mesmo, sem informacao.
Caro "futuro chefe" no O Imparcial (com salário gordo, claro). O que vende jornal é denúncia, fofoca e bastidores do futebol. Mulher pelada entra em fofoca? Sim. Mas também não precisa ocupar 1/4 da página. Não dá pra ser popularesco sem "apelar" para alguns artifícios, como "Moto Clube fecha com Viola" ou "Sampaio Côrrea anuncia contratação de Júnior Baiano". O cara vai crescer o olho pra isso. Da mesma forma que a mulher vai se interessar por um "Suzana Vieira chora a morte de seu ex". Ou até mesmo "Juliana Paes será a próxima capa da Playboy". Todo mundo lê. Mas... concordo que não precisa "estourar" uma gostosa na capa. Um "selinho" no cantinho direito é suficiente. Jornal popular pede isso.
Sem mais para o momento
Quando trabalhava no GDF, o garçom que nos servia vinha todo dia cedo me pedir, nas palavras dele, "aquele jornalizinho mais fácil que é pra pobre ler". Era o Coletivo. E tb pedia o Torcida, do JBr.
Segundo ele, ali ele tinha todas as informações que lhe eram úteis. "Futebol, as mortes, ações do governo para os pobrinhos e uma gostosa", que afinal, ele "tava velho, mas não bobo."
Mas mesmo gostando da gostosa (cacofonia!) ele sempre reclamava que na capa a foto era muito insinuante e dentro do jornal não tinha nda demais e a notícia era sempre boba.
Enfim, acho que ele queria mesmo era o q o DB disse, ver genitálias...
Mas isso foi só uma história que lembrei. Minha opinião é de que a mulher na capa chama atenção sendo pequena ou grande. Então, já que dá pra ser pequena, pq não ocupar o espaço com alguma informação útil do tipo "vai faltar água no bairro X"?
PS: mas se tu precisar de um editor pra pesquisar gostosas na internet e escrever textos criativos sobre seus atributos, sobretudo pagando bem... já sabe né?
Seguindo a lógica dos 70% dos leitores serem mulheres, daqui a pouco tu vai ter que se render aos marmanjos na capa do jornal!!
hehehehe
Torço por vc sempre! Sucesso!
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