Jurani Clementino*
Ligo a televisão e tenho a impressão de que nada de novo aconteceu. Nem em relação às notícias, que falam de antigamente, nem tão pouco ao fato de fazer TV. Mesmo com tanta insistência temos as mesmas caras de sempre, os mesmos textos vagos, as mesmas pautas que se repetem incansavelmente.
Talvez seja porque o produtor não pensou a pauta. A culpa é sempre dele. Ou porque quem sabe o repórter não compreendeu o foco da matéria e, por conseguinte o editor teve em mãos o resultado coletivo de uma incompreensão, ou seja, algo confuso, um produto deformado desde a sua gestação.
E o resultado dessa produção mal acabada, mal feita, deixa geralmente o apresentador com cara de idiota, animador de auditório, achando que está dizendo uma grande novidade. Se bem que novidade em televisão é coisa fora de moda. Foi-se o tempo dos flagrantes fantásticos e das reportagens exclusivas. Atualmente, a internet consegue ultrapassar a TV em anos luz no que diz respeito à velocidade da divulgação dos fatos. Mesmo não sendo uma ferramenta popular, a TV nem ousa mais em tratar determinadas informações divulgadas na internet como exclusivas. Simplesmente porque elas não são. E como se não bastasse a TV vem se tornando uma reprise de si mesma. Pautas e temas se repetem constantemente. E o pior são tratadas como novidades.
As fontes oficiais (secretários, presidentes, policiais, etc) dominam o noticiário com frases decoradas, institucionalizadas e cansativas. Parece que não há nada de novo para se mostrar. Com esta festinha institucional acreditamos sempre que estamos cumprindo o nosso papel como jornalistas. A notícia deve ser um produto nobre. Por isso precisa de um tratamento cuidadoso. Deve ser valorizada e respeitada desde o início do processo de divulgação que começa na feitura da pauta – roteiro a ser seguido.
Enquanto nos limitarmos a reproduzir as falas oficiais cumpriremos brilhantemente o papel de assessor de imprensa. Sem um tratamento ideal, adequado para transformar esta informação que chega dos gabinetes numa notícia útil, humanizada para quem está em casa, legitimamos a informação e tornamos os telejornais chatos, cansativos e pedantes.
O que está acontecendo? Será que falta ao meu amigo produtor o tempo necessário para uma boa produção? E ao meu estimado repórter foi privada/castrada a capacidade de criar, ousar? Será que os editores perderam a sensibilidade?
Troco de canal em busca de respostas e dou de cara com uma produção em série. Modelos que não são referência, mesmo assim, acabam sendo reproduzidos de maneira incansável. Estou à procura de contadores de histórias na TV. Algo raro. Queria ouvir e ver histórias que envolvem gente comum, desconhecidas. Histórias bem contadas com início, meio, fim e, acima de tudo, originalidade.
* Jurani Clementino é cearense, graduado em Jornalismo, Especialista em Comunicação e educação, Professor universitário e cronista. Atualmente faz Mestrado em Desenvolvimento Regional pela Universidade Estadual da Paraíba. Durante cinco anos trabalhou como produtor/editor do Jpb 1ª edição da Tv Paraíba, afiliada da Rede Globo em Campina Grande. O autor deve voltar a escrever neste espaço.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
3 comentários:
Sou amiga do Jurani e já debatemos esse assunto "N" vezes. E concordo e discordo ao mesmo tempo, do ponto de vista dele.
Não acho a TV fórmula cansada. Pode até se repetir, mas não é fórmula cansada... Ela tá passando por uma crise de identidade, com a chegada da internet, assim como o rádio passou com a chegada da televisão. Acredito que dá sim pra mudar a forma de fazer TV e ela ainda tem futuro.
A cópia da cópia se você for ver, a internet também tem... mas a diversidade é tanta que a gente num se dá conta. A fórmula também se repete na internet, mas isso é disfarçado.
A briga entre produção, reportagem e edição sempre vai existir. Mas, acho que o seu parâmetro de avaliação é apenas um...a avaliação deve ser dada também para aqueles que tentam ousar. E se a gente procurar bem direitinho a gente acha. Te garanto que a gente pode fazer televisão de uma forma diferente e os modelos não precisam ser copiados.
A internet é o novo... e a TV já é a avó...mas, isso não quer dizer, que ela deve ser deixada de lado. TV pode ser reformulada e por incrível que pareça ela ainda mexe e muito com o telespectador. Nada mais legal, do que chegar em casa e ligar a TV... reunir a família, comentar o assunto no dia seguinte com os amigos, falar a velha frase: " você viu ontem em tal jornal?". A internet ainda não faz isso. É um meio solitário, e eu como ainda tenho a visão romântica das coisas, kkkk, não gosto da solidão. TV é mais interessante, mesmo sendo humilhada por muita gente.
abraços e eu voltei aos coments...
"As mídias dificilmente superam uma as outras. As mídias convivem uma com as outras. E o que acontece é que se complexificam as relações entre elas, cada vez que uma mídia nova surge."
Marshall Macluhan
"As mídias dificilmente superam uma as outras. As mídias convivem uma com as outras. E o que acontece é que se complexificam as relações entre elas, cada vez que uma mídia nova surge."
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