Por Léo Alves
Um profissional está na empresa há cinco anos. Nesse tempo desenvolveu atividades em diversas áreas, mudou de função, cresceu. Outro profissional está na mesma empresa há 15 anos. Porém fazendo a mesma coisa desde o dia em que chegou. Quem tem mais experiência?
Uma das definições de experiência profissional é “a bagagem de conhecimentos sobre uma profissão que alguém acumulou durante o tempo em que exerceu a profissão escolhida”. Fica claro que o primeiro exemplo é o mais experiente.
Mas o que se observa entre os profissionais é a confusão entre experiência e tempo de serviço. Para a maioria dos veteranos, experiência é tempo de serviço. Se não houver uma constante atualização o tempo de serviço só vai contar no FGTS.
No jornalismo não é diferente. É fácil escutar profissionais criticarem os jovens (muitas vezes mais capacitados e atualizados) pelo fato de eles não estarem há muito anos no batente. “Esse fulano chegou agora e pensa que sabe de alguma coisa”, resmungam.
A resistência aumenta ainda mais quando o novato tenta inovar. “Eu já faço isso há 20 anos desse jeito. Não tem lógica você que chegou agora querer mudar”, justificam os veteranos com a prepotência de quem se sente o dono da verdade.
O fazer jornalismo mudou, está mudando e vai continuar em constante transformação. Há duas semanas assisti a uma reportagem do hoje Ministro das Comunicações, Hélio Costa, feita da década de 70. Era sobre o “menino bolha”, dos EUA. Logo em seguida vi reportagens de décadas mais recentes. Uma linha do tempo que mostra a evolução da reportagem na televisão.
É preciso entender que com as novas tecnologias o público mudou. O profissional que não acompanhar essas mudanças e tendências se torna obsoleto. E como tem gente antiquada, retrógrada e arcaica nas redações achando que a forma de fazer jornalismo é a mesma de décadas atrás.
O interessante é que muitos veteranos tentam desqualificar o trabalho dos mais jovens afirmando que alguém só se torna um bom profissional depois de anos de trabalho. As redações tem muitos jovens talentosos. Talento não tem a ver com tempo de serviço. Os anos ajudam a desenvolver o talento, o que leva naturalmente a um crescimento profissional. Talvez seja por isso que há uma renovação nas redações.
Por coincidência, antes de começar a escrever este post deu uma passeada por vários sites. Num de João Pessoa, de Anco Márcio (ancomarcio.com) encontrei um tópico do autor que dizia: “Mesmo que você esteja há muito tempo no ar, nunca pense que está fazendo tudo certo e que todo mundo está gostando. Tudo na vida tem de ser reciclado, mudado, atualizado. Se parar,dança”. É a mais pura realidade.
Em tempo: não sou nenhum novato na profissão. Estou mais para um veterano que tenta (eu disse tenta) se manter atualizado.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
6 comentários:
é igual calouro de faculdade. qdo entra passa pelo inconveniente do trote e fica p*to. qdo se torna veterano, faz a mesma coisa, mesmo que 'disconcorde' mas como entrou no ciclo, nao tem porque fazer diferente.
Talvez a melhor proposta para regulamentar a atividade de jornaista é a proposta do MIRO TEIXEIRA.
Prabéns pelo blog; acesse notasjudiciosaas.wordpress.com
Grande Léo, mais uma vez teus textos nos deixam impressionado, pela simplicidade, mas pela coerência e verdade expostas. Muito bom mesmo. Só tenho uma reclamação: você precisa escrever mais, rapaz. Acesso o blog todo dia à procura de textos como esse, que nos fazem refletir bastante, mas nem sempre os encontro. rs. Mais uma vez parabéns.
Olá Colaboradores dos Filhos da Pauta! Gostaria de sugerir um assunto pra ser tratado aqui:
trabalho do jornalista nas cidades do interior (em rádio, tv, jornal, portal).
Parabéns pelo blog!
:-)
Concordo com o Daniel...
Eu falo por mim. Sou nova nas redações. Entrei com uma vontade de mudar o mundo. De revolucionar... Mas, depois de três anos pulando de redação em redação, de função em função, me dei conta que é a mesma coisa de nadar contra a maré.
Já fui estagiária, produtora, alguma coisa muito parecida com assessora de imprensa e agora estou exercendo outra função muito parecida com edição de texto... E em todas essas funções quando esbarrava com profissionais mais velhos e ia tentar dar dicas de como fazer diferente ou de como eu queria a matéria( já que eu exerço uma função parecida com edição!!!) eu recebia uma resposta/ pergunta azeda, medíocre mesmo: "ELANE, TÁ QUERENDO ME ENSINAR? EU FAÇO ISSO HÁ "X" ANOS!". Eu, humildemente, ficava calada e engolia "arranhando" a resposta/pergunta. Quando não pedia desculpas. Eu me desculpava por uma coisa que num é preciso nem dizer: a obrigação da reciclagem, da atualização de todo e qualquer profissional que quer se manter nas paradas.
Desisti de querer mudar o mundo. Recentemente me tornei mais um peso dentro da redação. Fazendo o meu e esperando, quem sabe um dia, ganhar a tal experiência que vem com os zilhões de anos de trabalho.
Vivendo e (des)aprendendendo.
abraços e ótimo post.
É... o medo de ver o jornalismo um pouco mudado assusta e incomoda muita gente. Será que existe profissionais mais retrógrados do que nós, jornalitas? Creio que não... A culpa todo é do ego.
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