Por Léo Alves
A Folha de São Paulo mantém em seu quadro de funcionários um ombudsman. Segundo o jornal “o ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação”.
Na pequenina e heróica Paraíba nenhum jornal tem ombudsman. Pelo menos eu não conheço. Os jornais são feitos à ótica dos editores. Existem os canais de comunicação com o leitor (em que pese sejam poucos utilizados ainda) para receber as críticas e sugestões, o que em alguns casos serve para mudar uma ou outra coisa no impresso.
Se os jornais não tem um profissional específico que possa comentar a postura do veículo em determinados assuntos sob a ótica do leitor que levem à reflexão e até mesmo mudanças, os impressos de Campina Grande contam com um ombudsman informal: o radialista, ou melhor, o âncora (ou os âncoras) dos radiojornais. Eles não são funcionários do jornal, mas são profissionais do meio jornalístico que diariamente comentam pelo menos as notícias de primeira página.
Há três meses o Diário da Borborema publicou na sua coluna Binóculo o tópico ‘Desrespeito’: “Tem coisas que só existem em Campina Grande. Tudo bem que a imprensa brasileira nunca foi unida. Mas, em nossa cidade chega a ser um desrespeito o que alguns companheiros que trabalham em rádio fazem com o pessoal do meio impresso. Ninguém tem o direito de macular a imagem de um jornal ou de um profissional, utilizando-se de um microfone só porque a matéria não lhe agradou. Corrigir no ar os erros alheios também não é muito ético”.
Não sei ao que (e a quem) se refere a crítica do jornal. Mas demonstra que o pessoal do impresso perdeu a paciência com os comentários dos colegas de rádio, que segundo a notícia tem o tom pejorativo.
Diariamente escuto os jornais no rádio campinense, que em sua maioria, se baseiam na leitura dos jornais do dia e de notícias da internet para levar as informações aos ouvintes. Como não existe equipe de produção nas rádios – salvo algumas exceções – o pessoal se vale do que já está pronto para conduzir um programa de cerca de três horas.
E mesmo se apropriando das notícias produzidas pelos impressos, na maioria das vezes os âncoras fazem comentários sobre as matérias. “Essa matéria a gente já trouxe ontem aqui no programa”, comentam. Uma constatação óbvia. O rádio tem como característica a instantaneidade. Tem por obrigação antecipar as notícias do jornal.
O grande problema é que muitas vezes os comentários tentam ridicularizar e até colocar em xeque a credibilidade do jornalista que escreveu a matéria.
Quando o rádio passa a noticiar a maioria das matérias que estão nos jornais há uma inversão. O detalhe é que o pessoal lê na íntegra a matéria do jornal, quando todo jornalista sabe que a linguagem do impresso é diferente do rádio. Não existe o famoso script (existem exceções, repito). Mas essa foi a solução encontrada pelos jornalistas para manter os programas no ar. O problema está na estrutura das equipes de jornalismo das rádios. Isso é assunto para o próximo post.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
2 comentários:
os jornais e as radios da paraiba sao merecedores de criticas, mas ao fazer isso no ar, em publico, os radialistas envolvem quem tem absolutamente nada a ver com a historia, que é o ouvinte. a ultima coisa que o ouvinte quer saber esse jornalismo comparado de quitanda. os radialistas, que se escondem em gigantescos telhados do mais fino vidro, deixam bem claro que fazem 'jornalismo' nao para o publico, mas para a concorrencia. o que é lamentavel. quem perde é a cidade, o estado, a populacao e os proprios jornalistas...
Exatamente. Faz bastante tempo que, infelizmente, essa prática vem sendo disseminada aqui no Estado. Especificamente em Campina Grande, onde moro, trabalho e escuto as rádios todas às manhãs, a maior parte das 'críticas' feitas são ainda completamente inconsistentes; como bem citou um exemplo o grande Léo. Claro que o jornal impresso peca muito, todos os dias, com falhas muitas vezes até difíceis de explicar. Mas esse 'trabalho' feito pelos 'jornalistas do rádio' campinense é lamentável.
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