14 outubro 2009

A escandalização da falta de notícia

Pedro Henrique Freire

A denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, e sua família, têm fundamento. Não tivessem, o processo da Polícia Federal não teria tantas páginas. Sob censura, o Estadão teve de calar-se. Calaram-se também outros jornais. Até tinham acesso ao conteúdo sigiloso, mas não compraram a briga.

A Folha, no último domingo, comprou e voltou a carga contra a sarneyzada. E o que é notícia lá é também no Maranhão. Ai que entram em ação os reprodutores. Aqui está cheio deles. Ninguém apura nada. Todo mundo copia. Mas o histórico Jornal Pequeno (admirado e odiado por ser o 'braço armado' do antisarneísmo) vai além.

É um jornal que coloca a própria notícia como sujeito da notícia. Ou seja, além de ser reproduzida, a matéria que descreve o fato se transforma no próprio fato. Vejam o exemplo na chamada de capa desta quarta-feira:

Solidariedade ao Estadão deixa José Sarney mais encrencado

O Estado de São Paulo está sob censura prévia há mais de 70 dias. Esta arbitrariedade judicial poderia ter sido imediatamente estancada e desmoralizada se algum dos grandes jornalões brasileiros tivesse encarado os censores do Superior Tribunal de Justiça de Brasília e publicado o que faltava do relatório da Polícia Federal sobre as estripulias do clã Sarney. Os capangas do presidente do Senado – e nem o próprio – teriam a coragem de estender as sanções ao Globo e à Folha de S.Paulo. Demorou, mas aconteceu: a Folha, enfim, saiu da toca em que se abrigou desde o início de fevereiro, quando o seu dileto colaborador tornou-se o protagonista da mais aberrante coleção de escândalos da nossa história legislativa.


Entranho? No mínimo...

Para mim, são duas coisas: falta de notícia e pura ideologia perseguidora. Ocorre quando a política engole os jornais. Quando jornais desrespeitam leitores publicamente. Quando, na ânsia de gerar escândalo, se escandaliza a falta de notícia. Ou a falta de repórteres e de apreço pelo jornalismo.

Acredito no jornalismo sem causa. Ou melhor, creio no jornalismo cuja causa é próprio jornalismo. Sem aposta, confete ou meia verdade. Utopia? Tomara. Assim conseguirem persegui-lo todos os dias da vida.

Mais vale faltar uma manchete do que manter uma manchete em falta...

Humildemente...

Um comentário:

DB disse...

grande totty, neste caso o jornal estã a servico do dono e seus asseclas e nao da comunidade. talvez por isso se chame jornal pequeno.
abs