07 novembro 2009

With a little help from my friends

Por Daniel Brito

Na minha primeira semana como assessor de imprensa, descobri que fui gente boa com muita gente. Sim, porque meu primeiro desafio era promover um evento meio que inusitado em Brasília. Precisava entrar em contato com jornais e TVs do DF para que eles comprassem a minha pauta.

De uma certa maneira, tomei o cuidado de telefonar para aquelas pessoas que poderiam nutrir alguma simpatia por mim. E deu resultado... Dois jornais e quatro emissoras de TV compraram. Quantidade excelente para um assessor de primeira viagem.

Boa parcela do êxito se deveu à minha amizade com a imprensa do DF. Outra parcela era por causa do evento em si.

Não estou dizendo que minha presença era mais importante que o evento, mas vida de assessor tem dessas: se os caras da redação não vão com a cara dele (assessor), adeus espaço na mídia.

Conversando com um amigo sobre isso, ele me lembrou da frase de Nilton Santos, após ser agraciado por uma das centenas de homenagens que recebeu desde que foi bicampeão mundial de futebol, em 1962: "Já pensou se eu tivesse feito m*rda?".

Se ele tivesse feito m*rda, não seria o Nilton Santos.

O grande lance da assessoria, até onde pude perceber em quatro meses na área, é a amizade, o contato mais próximo, 'o poder do algo mais e da alegria' com o pessoal da redação. Sabendo com quem você está lidando, a chance de a pauta ser veiculada aumenta em 100% em relação a uma história vendida para quem você não conhece.

Rola até uma relação de confiança.

O assessor passa uma história exclusiva ao repórter que sabe que vai dar um tratamento diferenciado ao assunto. O repórter aceita as sugestões do assessor porque sabe que o cara nào passaria qualquer baboseira para ele...

Veja o que aconteceu comigo mesmo semanas atrás.

Precisava vender uma história aos veículos de comunicação do estado X na regiào Y do país. Liguei para quatro emissoras de TV e dois jornais além de um site. Uma emissora me atendeu e me deu retorno informando que não poderia fazer a pauta por um motivo qualquer. Ok, foi honesto. Outra pediu para retornar mais tarde e nunca mais me atendeu. Duas nem sequer me transferiram para a editoria responsável. Um jornal não me atendeu, no outro, fui extremamente mal tratado e a pauta foi ignorada.

Não queria abre de página ou cinco minutos de TV. Por não conhecer o pessoal, não consegui sequer vender a pauta. Liguei sugerindo uma matéria curiosa, como quase todas que ofereço, que podia render uma foto-legenda ou uma nota-coberta, no caso das TVs. Só o site publicou. Mais por preguiça do que qualquer outra coisa, porque eles republicaram o release ipsis litteris.

Por ter trabalhado minha vida jornalística inteira dentro das redações, me preocupo em oferecer assuntos que eu mesmo poderia fazer caso um assessor me vendesse quando eu era repórter.

Semanas mais tarde - já dia desses agora - tive que viajar para o esse mesmo lugar X da região Y do país. Previ as mesmas dificuldades e busquei ajuda dos amigos. Um camarada meu, grande amigo, que atua na cidade Z, entrou em contato com um amigo de um grande jornal impresso na tal da cidade X contando quem eu era e se ele poderia me dar um help. Fui super bem atendido, tipo very important person. Outras pessoas envolvidas no evento me colocaram em contato com uma emissora de TV, que desta vez me ouviu e adorou minha sugestão. Resultado: ampla divulgação. Melhor que a encomenda.

Nem parecia a mesma cidade da primeira tentativa.

O assessor de imprensa tem que ter uma lábia maior do que um repórter na hora de vender pautas. Teoricamente, o repórter só precisa vender pauta para um chefe, que é seu editor direto. O assessor precisa acertar a pauta com o cliente, conversar com o chefe da assessoria e iniciar a venda para vários editores de vários veículos.

Às vezes você tem uma pauta super legal na mão e oferece para alguém que você tem certeza que vai dizer sim...mas ouve não! Você vai ter que gastar a mesma energia para vender a pauta para seu segundo nome na lista e assim sucessivamente até encaixar a história em algum lugar.

É um procedimento que o jornalista não tá acostumado a seguir. Já o assessor tem que estar engatilhado a todo momento. Daí a importância de conservar a boa convivência com os coleguinhas de chão de fábrica.

"Com a ajuda dos amigos" dá para ter sucesso em assessoria.

5 comentários:

Vanessa Oliveira disse...

Primeira vez que tenho a oportunidade de ler os textos deste blog. E que ótima oportunidade ver relatos de experiências, que para mim mesma como estudante, fixa mais as funções do que professores passando isso aí em textos teóricos e que não mostram o que realmente vivenciam. Meus parabéns.

Léo Alves disse...

DB, a assessoria é uma área que hoje me atrai. Só não sei se venderia bem minhas ideias. Além do mais não sei se sou muito gente boa com meus colegas hoje pra que no futuro eles possam me ajudar.
KKKKK
PS - Seja bem vinda Vanessa. É muito bom contar com sua colaboração aqui (além da que vc já dá em sala de aula).
Abs e divulgue com a turma

Paulinho Mesquita disse...

grande DB!
chegou na assessoria e agora escreve sobre aquilo que te prometi há um bom tempo.
assunto resolvido, né?

auehaeuehuehueheuea

DB disse...

poize, ne, paulinho?
esperei só tres anos pelo texto. mas qdo quiser escrever 'alguns momentos' aqui, feel free...

Freire disse...

Vender pauta sucks. Mas é a função, né.