Por Léo Alves
Num post anterior falei sobre o caso do Estadão que suscitou o debate sobre a imparcialidade jornalística. Saindo dos exemplos nacionais, nos concentremos na pequenina e heróica Paraíba. Na terra de Assis Chateaubriand os jornais e tevês apóiam projetos políticos de candidatos. É a moeda de troca. Apoio garante bons contratos de publicidade no futuro. É incrível como esse pessoal ainda acha que o leitor/telespectador/ouvinte é burro.
Basta dar uma olhada nas colunas políticas dos jornais locais para perceber o lado de cada um. A Paraíba se divide entre os que se intitulam Cassistas (apóiam o ex-governador Cássio Cunha Lima, eleito para o Senado e barrado pela ficha limpa) e Maranhistas (os do lado do ainda governador José Maranhão).
Descobrir o comprometimento político dos colunistas e editores de política não é difícil. No caderno de política de um dos impressos uma expressão é frequente e revela a tendência pró Cunha Lima: “o senador de mais de um milhão de votos”. Precisa de mais alguma coisa? Quando escreve algo sobre José Maranhão é crítica.
O mesmo jornal mostra sua preferência ao insistir que Cássio irá assumir o senado. A candidatura dele foi indeferida e o caso está no TSE. Não que o assunto não seja notícia. O problema está na forma de escrever, demasiadamente apaixonada.
Em outro jornal, a editoria de política nunca foi capaz (pelo menos nunca li) de fazer um elogio a gestão de Cássio, que passou seis anos no governo. Qualquer ação, por melhor que fosse, era anunciada acompanhada de críticas. Muitas delas sem fundamento, que revelavam a insatisfação de quem durante muitos anos do governo Maranhão foi contemplado com gordos contra cheques. Na maioria das vezes sem aparecer na repartição pra cumprir expediente.
Se durante seis anos esses profissionais criticaram a gestão Cunha Lima, nos últimos vinte meses a postura foi bem diferente depois que Maranhão voltou ao poder. Cássio foi cassado pelo TSE. Elogios e mais elogios ao governo com o intuito de convencer a população da boa administração e ajudar na reeleição.
Maranhão não foi reeleito. A aliança de Cássio com Ricardo Coutinho (ex-prefeito de João Pessoa) saiu vitoriosa. Para muitos colegas de imprensa a vitória representa a garantia de um bom salário na nova/velha gestão. Os perdedores buscam uma relocação no mercado da política.
Não deveria ser assim. Infelizmente é. No estado, 46% (segundo o colega Josusmar Barbosa) dos empregados estão no setor público. E uma parcela desse percentual é formada por jornalistas. Infelizmente, de novo. Daí não dá pra pensar em imparcialidade. E essa certamente é uma das razões que na Paraíba as eleições nunca acabam. As conjecturas políticas para as eleições municipais de 2012 já tomam conta do noticiário político. Muita gente querendo garantir uma ‘boquinha’ na máquina pública.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
Uma realidade muito próxima do Maranhão, amigo Léo. Belo texto. Grande abraço!
Pedro
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