Por Daniel Brito
Aos poucos, a internet vai substituindo a televisão na vida dos brasileiros de classe média/alta. Em vez de correr para a frente da tevê para ver um noticiário ao chegar em casa, o hábito agora é disputar a cadeira do computador para acessar a internet.
Aqui em casa é mais ou menos assim.
Isso gera o (excelente) hábito da leitura e destaca a figura do "sabe-tudo". Aquela pessoa que tudo viu, tudo leu e tudo entendeu. É diálogo comum em mesas de botecos de Brasília:
- Deu no Globo.com que Clodovil xingou Marisa Monte.
- Ah, é? O que ele falou?
- Eu só vi a chamada lá, ele dizendo que ela só canta para comer...
- É mesmo? E quê mais?
- Ah, nem li o resto da notícia, só vi o título lá mesmo.
Isso é só uma ilustração do que as notícias da internet costumam causar nas pessoas. Deve acontecer em todos os cantos do país, claro. Tipo: "Eu vi, mas não li até o final".
É muita notícia disponível facilmente se esfregando na cara do internauta. Muitas delas inúteis, como esta de Clodovil, por exemplo. Mas são essas que fazem o sucesso de um portal.
Veja o caso do próprio Globo.com. Logo na Home dele tem quatro grandes espaços para notícias. Um no alto, para a manchete, e três "tripinhas" embaixo da manchete: uma para notícias gerais (inflação, Iraque, Lula), uma para esportes e outra para "entretenimento" (popularmente chamado de FOFOCA).
Na espaço da manchete há a principal notícia do dia. Hoje, por exemplo, é sobre a auditoria na TAM, e o resto, neste momento, estão lá, logo abaixo:
1 - Saddam será executado em 30 dias;
2 - Pelada reúne Diego, Robinho e Elano, em SP;
3 - Uma Thurma é operada após acidente;
Foto-legenda: China revela porcos que brilham no escuro.
De notícia, notícia mesmo, aquela que vai estar nos jornais amanhã, talvez até na primeira página deles, apenas a da TAM (que é a manchete do site) e a de Saddam. O resto é amenidade para os leitores "sabe-tudo".
Tudo bem que a Globo criou o G1 para fazer jornalismo de verdade, mas a página principal é voltada para curiosos e pessoas interessadas em fofocas.
O G1 concorre diretamente com o UOL. Pertencente ao Grupo Folha (de S. Paulo), o Universo On-Line (UOL) é o maior (e melhor) portal da internet verde-amarela. Tem de tudo. Muito do que se vê nos jornais impressos e nos telejornais aa noite saiu do UOL.
É a minha primeira parada quando acesso aa internet. Dá destaque ao jornalismo hard news e não deixa de colocar as amenidades, porém, em menor destaque na parte de baixo da página principal. Desde horóscopo aos manjados sites de bate-papo, passando por dicas de turismo até trânsito de São Paulo.
O Estadão poderia fazer frente ao UOL, mas não me parece interessado em marcar terreno no mundo virtual.
A terceira maior força no jornalismo "internético" na minha modesta, opaca e pálida opinião, é o Terra. Investe muito em formas de acesso: banda larga, internet phone, coisas do tipo. Na Home do site há mais destaque para publicidades do que para notícias. Pode entrar lá e ver.
Talvez por isso, o Terra esteja em todos os lugares. Eles têm jornalistas em vários cantos do planeta. Tinham seis ou cinco na Copa do Mundo da Alemanha, por exemplo.
Justamente porque vendem bem os espaços na capa do seu site. É muito difícil vender anúncios na internet (tema para outro post).
Sem limite de tempo e espaço e com a opção de ser lido, visto e ouvido, o jornalismo da internet está deixando de engatinhar e começando a andar com as próprias pernas.
É bom ficar atento, para não perder nenhum passo nessa revolução.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
2 comentários:
O mundo é rápido. Não dá pra ler tudo, mas de tudo um pouco. Mesmo quem não se interessa nem um pouco por informação, entra na internet e "dá uma olhadela" em alguma coisa. Ótimo texto, DB!
Valeu, DB, concordo contigo. Os portais estão crescendo e olha que vc só falou da parte textual. Há um crescimento verginoso em notícia multimídia (vídeo, podcasts, infografia interativa e uma série de outras ferramentas audiovisuais). Outro detalhe importante é que, com o acesso via celular ou smartphone, cada vez mais as notícias de Internet estão móveis, acessíveis em qualquer lugar e em todos os momentos (até em enterro e casamento). É a tal da convergência para o faz tudo da tecnologia móvel. Esse seu texto abre espaço para muita discussão.
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