11 dezembro 2006

Quando venci a preguiça

Por Daniel Brito

A preguiça dos tempos de colégio insistia em me perseguir.

Apurar, para quê?
Vou copiar...

Perguntar?
Deixa o entrevistado falar à vontade...

Escrever...melhor copiar o release.

Há 10 anos começava no jornalismo. Carregava essas verdades-absolutas. Era repórter de rádio em João Pessoa. Afinal, em apenas seis meses de atividades, já conseguia falar ao vivo num programa de rádio sem gaguejar.

"É muito fácil ser jornalista", presumi em setembro de 1996. Nesta mesma época já não freqüentava o colégio diariamente. Resolvi largar os estudos e me dedicar ao jornalismo.

Santa ignorância.

Não adiantava apelo de pai, mãe, irmãos, namorada, amigos, pais dos amigos. Meu negócio não era estudar. Era trabalhar em rádio. Mais precisamente dentro do estúdio da rádio "103,3 - FM O Norte".

Recebia a pauta de ir ao jogo de futebol de areia e derrubava a pauta. Apresentação de mestres de Kung Fu... nada feito. "Não tinha ninguém lá para falar sobre o evento", justificava a ausência. Resultados dos jogos do Campeonato Paraibano realizados no domingo à noite: "Tarde demais".

Queria apenas falar na rádio. Falar e ser ouvido. Como se tivesse SEMPRE algo interessante a dizer.

Duas frases mudaram a minha idéia sobre o resto da minha vida.

1 - "Ou você apura as informações direito, ou você será um profissional tão bom quanto o estudante que é agora".

Frase do meu pai às 21h de domingo, enquanto ligava para as rádios do interior da Paraíba para pegar os resultados dos jogos de mais uma rodada do Campeonato Paraibano de 1996.

Para um adolescente que reprovara duas vezes o ensino médio, o comentário atingira átrio e ventrículo direitos.

2 - "Quanto mais você for visto, quanto mais você circular, quanto mais matérias fizeres, mais chances terás de ser lembrado em oportunidades melhores lá na frente".

A frase está melhor escrita do que a maneira como foi dita, há 10 anos. Foi proferida pelo saudoso amigo Werton Soares, falecido há seis anos, e um grande professor, alertando sobre os perigos de minha indisposição de fazer matérias na rua.

Átrio e ventrículo esquerdos destroçados.

Foi o suficiente para entender que ficar trancado na redação pegando a rebarba dos outros e auto-elogiando minhas atuações me transformaria no pior dos profissonais.

Enquanto me derem a chance de escolher, prefiro continuar fazendo minhas "materinhas repetitivas".

Humildemente

2 comentários:

Toty Freire disse...

Preguiça de verdade eu tenho quando me passam uma matéria de comportamento. Sei que terei de procurar dezenas de personagens com uma história específica. Ô dificuldade da gota! Mas, no final, tudo da certo. Preguiça e jornalismo não combinam.

Abçs

Léo Alves disse...

Lendo o seu post Daniel lembrei que tem horas que a gente fica muito preguiçoso, mas o Pedro disse bem: jornalismo e preguiça não combinam. Estava até refletindo sobre a época em que passei apenas como repórter de tevê. Confesso que estava ficando preguiçoso, pois o repórter pega tudo prontinho da produção. E muitas vezes não se preocupa nem em ir além da pauta. Tem outros que já fazem até o texto antes da matéria (lembra dele DB?). O trabalho de apuração nesse caso é da produção. O repórter apenas executa (e muitas vezes abaixo da expectativa).