Por Daniel Brito
Concorrente na categoria Regional Centro-Oeste no Prêmio Esso de Jornalismo 2006, a série de reportagens Amores Possíveis, da repórter Conceição Freitas surpreendeu a todos, na noite do último dia 12, no Copacabana Palace. Inclusive seus companheiros de Correio Braziliense.
O Prêmio Esso de Jornalismo, para quem não sabe ou não se lembra, é a máxima distinção no jornalismo nacional. Neste texto aqui, quero contar um pouquinho do que consegui apurar sobre a vitória de Conceição Freitas deste ano.
Em 11 matérias, a jornalista do Correio Braziliense, lotada na editoria de Cidades, contou histórias de amor que fugiram do lugar comum. Como um casal de idosos que retoma o namoro depois de 40 anos separados; a moça que aprende a linguagem de surdo e mudo para se casar com um deficiente auditivo; a catadora de lixo apaixonada por um companheiro de profissão que é viciado em bebida alcóolica, mas não o larga porque sabe que "nunca é traída".
São, realmente, história curiosas e MUITO bem contadas por Conceição. Não tenho muito contato com ela na redação do CB, mas tenho profunda admiração por seu estilo de texto.
Isso fez a diferença (não a minha admiração, mas o estilo dela).
A comissão julgadora do Esso gostou tanto da série que tirou Amores Possíveis da categoria regional e a colocou na categoria principal (melhor reportagem do ano). Normalmente, quem ganha o Prêmio Esso de melhor reportagem são os repórteres de política.
Ano passado, Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo, levou pela entrevista do mensalão com Roberto "Canalha" Jefferson. Em 2000, o Correio havia ganho com a denúncia de desvio de dinheiro da obra do TRT de São Paulo pelo então senador Luiz Estevão.
A escolha dos vencedores é feita, inicialmente, pela comissão de 26 jornalistas de diversas partes do país. Eles reúnem-se duas ou três semanas antes da noite de cerimônia e escolhem os melhores em cada categoria.
No dia do evento, pela manhã, cinco jornalistas que NÃO fizeram parte da comissão dos 26, lêem os trabalhos e escolhem os melhores entre os melhores. Todos os anos esse grupinho de cinco jornalistas muda.
Em 2006, o chefe da comisssão final era um camarada chamado Audálio Dantas. Se você tem menos de 25 anos, não deve ter na memória o imenso trabalho que esse alagoano já fez pelo jornalismo brasileiro.
Coloco, abaixo, um trecho de um texto da Unisinos que conta algumas das ações de Audálio nas redações deste país:
Trabalhou na revista O Cruzeiro, Quatro Rodas, Realidade e Veja. Cobriu, sem querer, a guerra entre Honduras e El Salvador, enquanto fazia uma reportagem sobre os pontos turísticos do México.
Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, presidente da FENAJ, da Imprensa Oficial de São Paulo, e do Conselho da Fundação Cásper Líbero.
Como escritor, escreveu três livros, porém existe um principal. "Quarto de Desejo", relata a vida da favelada Carolina Maria de Jesus. Outro livro bastante famoso de Audálio Dantas é "O Circo do Desespero", de 1976, no qual ele reúne suas principais reportagens.
Ele era presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP quando Wladimir Herzog foi assassinado.
Pois bem, como você pôde perceber pelo breve currículo, Audálio, hoje com 77 anos, é mestre da escola do jornalismo social/psicológico. Aquele que observa as coisas simples da vida e transforma numa grande reportagem.
O livro sobre a empregada doméstica mineira Carolina Maria de Jesus, que virou famosa depois do Quarto do Desejo é um exemplo.
Mais ou menos que Conceição fez com a série Amores Possíveis.
Concorrendo com a reportagem que denunciou a máfia da compra irregular de ambulâncias pelos deputados sanguessugas (também feita pelo Correio), Conceição Freitas foi contemplada com o Prêmio Esso de Jornalismo 2006.
Graças a Audálio Dantas.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
14 comentários:
De toda maneira, acho que a série da Conceição é realmente fascinante e merecia o prêmio. Graças ao Audálio, que percebeu o quanto valiosas são aquelas matérias.
É. Porque o texto do Daniel ficou meio confuso...
Não se sabe se ele atribuiu a conquista à interferência do Audálio,
ou à qualidade da matéria.
Achei tb, Daniel, que você fui um pouco do foco principal...(A conquista,óbvio!)
ERRATA: "FUgiu" no lugar de "fui"
Anônimo,
fiquei com a ligeira impressão que você NÃO entendeu sobre o que se trata este post.
Este texto é um resumo do processo de escolha da série vencedora do Esso.
Em nenhum momento eu desmereci o prêmio, muito pelo contrário. Veja o trecho abaixo, retirado do meu texto:
"São, realmente, história curiosas e MUITO bem contadas por Conceição. Não tenho muito contato com ela na redação do CB, mas tenho profunda admiração por seu estilo de texto.
Isso fez a diferença (não a minha admiração, mas o estilo dela)."
Quem sou eu para contestar a escolha do vencedor do Esso?
Ninguém, eu, humildemente, reconheço.
Em nenhum momento do texto, caro anônimo, eu desmereci Audálio Dantas.
Retirei até um trecho de uma matéria escrita sobre ele por alunos de uma faculdade do Sul.
Para um repórter de esportes, como eu, a conquista de Conceição não só me deixa feliz, como animado com a perspectiva de mudança de rumo no jornalismo a partir deste prêmio.
Obrigado pela presença no nosso blog. Volte mais vezes e comente sempre que tiver tempo.
GRande DB, quero que meu comentário acima não seja visto como uma afronta ou crítica pejorativa...
Muito pelo contrário. Sou leitor assíduo do "Filhos da Pauta" e admiro muito teus textos e dos demais colunistas que aqui escrevem.
POr isso leio sempre...
O que me deixou confuso foi somente essa passagem no final: "Graças a Audálio Dantas".
Você escreveu todo o texto elogiando a matéria de Conceição, Deixou bem claro que ela conquistou com méritos próprios, certo.
Depois falou um pouco do Esso e de Audálio Dantas, tudo bem.
No entanto, na última frase, as tuas palavras soaram como se o resultado se devesse à interferência de Audálio.
Ou ao menos à similitude existente entre o estilo de Conceição e o de Audálio. Concorda?
Sinceramente peço desculpas se lhe deixei ofendido. Nunca tive essa intenção!
Eu é que posso estar enganado ou ter feito uma péssima interpretação do texto. pode ser, não sei...
Mas , para mim, o teu texto ainda continua confuso.
Sem querer na confusão alheia, até porque esse blog me pareceu pouco visitado, mas a idéia do Daniel Brito me pareceu clara.
Veja se eu entendi:
- A série Amores Possíveis era realmente muito boa, digna de prêmio. Mas o fator determinante na conquista foi a presença, justamente Sr. Anônimo, de um jornalista com sensibilidade para contemplar as reportagens com o prêmio máximo e fugir, assim, do tradicional denúncia-e-escândalo-do-caderno-de-politica-vencedora-do-ESSO.
Eu entendi...
Meu caro Daniel, lhe admiro muito como repóter - já li algumas matérias do Correio - e gosto dos textos
do "Filhos da Pauta". Acompanho e leio todos, detalhe.
MAs tenho que concordar com as palavras do anônimo. Acho que infelizmente
aconteceu o que é muito comum quando escrevemos: às vezes pretendemos dizer algo
e acabamos escrevendo e organizando as palavras de uma forma que elas ficam impossibilitadas
de expressar o pretendido.
Refiro-me à ùltima frase de teu texto: "Graças a Audálio Dantas".
Ela foge de todo o conteúdo
e raciocínio exposto durante o artigo...
No entanto, como disse, isso não é motivo para dor de cabeça.
Desde que saibamos reconhecer esses episódios e, dessa maneira, evitá-los noutras ocasiões...
UM abraço.
Meu caro Daniel, lhe admiro muito como repóter - já li algumas matérias do Correio - e gosto dos textos
do "Filhos da Pauta". Acompanho e leio todos, detalhe.
MAs tenho que concordar com as palavras do anônimo. Acho que infelizmente
aconteceu o que é muito comum quando escrevemos: às vezes pretendemos dizer algo
e acabamos escrevendo e organizando as palavras de uma forma que elas ficam impossibilitadas
de expressar o pretendido.
Refiro-me à ùltima frase de teu texto: "Graças a Audálio Dantas".
Ela foge de todo o conteúdo
e raciocínio exposto durante o artigo...
No entanto, como disse, isso não é motivo para dor de cabeça.
Desde que saibamos reconhecer esses episódios para, dessa maneira, evitá-los noutras ocasiões...
UM abraço.
Senhores e anônimos...
realmente não é fácil se fazer compreender, como bem disse nosso companheiro João Paulo Medeiros. Aliás, é sobre "saber escrever" o texto que pretendo postar aqui até segunda-feira.
Como bem frisou o Sr. Barbalho, aqui está relatado detalhes sobre a comissão julgadora do Esso. O que eu pretendi dizer (e não fui compreendido) é que quem dá o prêmio é o chefe da comissão, respaldado pela opinião dos demais integrantes da equipe. (Esta parte não está no texto literalmente, mas tá implícito).
Neste caso, o chefe era um jornalista diferenciado. Com opiniões situadas um passo a frente dos julgadores de anos anteriores. Com a mesma capacidade da repórter autora da série vencedora de enxergar notícia onde os simples mortaus não a vêem.
De qualquer maneira, quero, mais uma vez agradecer a presença constante de Medeiros aqui; a visita avulsa de André Barbalho; e o comentário do Sr. Anônimo.
Pode ficar tranqüilo que não entendi sua opinião como "afronta ou crítica pejorativa". Se assim a tivesse entendido, teria respondido da mesma maneira.
Só peço que, da próxima vez, identifique-se. Mesmo que seja com um pseudonimo. Dá mais legitimidade ao comentário...
Ôpa. Lido e relido o texto, ficou uma percepção confusa, realmente, daquilo que o Daniel quis dizer sobre o caso. No fim, pareceu que mais pela interferência do Audálio o prêmio havia chegado às mãos da vencedora. Pois é, como dito antes, por outros, coisas da vida de todos aqueles que fazem jornalismo. Tem dia que a comunicação não sai tão bem comunicativa. Abraços a todos
Aos leitores Do "filhos da pauta" e ao DB.
Não achei o texto de Daniel confuso.
è interessante como quando escrevemos um texto, ele deixa de ser nosso e passa e pertencer a cada um de nossos leitores, cada um com sua interpretação.
Minha intenção não é defender o DB, mas deixar aqui a minha interpretação para o que ele talvez tenha tido a vontade de dizer, talvez...
Db conta a nós, leitores, quem foi Audálio e nos mostra que ele foi um dos jornalistas que mais se destacou escrevendo sobre histórias humanas, de pessoas anônimas. Neste ano o Prêmio Esso quebra o barreira das reportagens politicas e concede o prêmio a uma matéria de conteudo humano, psicológico.
Ora; foi graças ao talento e ao pioneirismo de jornalistas como o Audálio, que escreve neste estilo desde a década de 70, que hoje o Prêmio Esso abriu as portas de seu seleto círculo de vencedores e premiou uma reportagem, ou uma série, onde o foco é a história humana, individual, a vida de um personagem anônimo.
Ora, temos de admitir, mesmo que Audálio não estivesse na comissão, este prêmio de 2006 tinha de ser creditado em parte a ele, que inspirou e abriu caminhos para jornalistas de talento como a vencedora deste ano.
E cabe a nós jovens jornalistas nos inspirar nestes exemplos e formar aos poucos o nosso próprio estilo dentro do jornalismo.
Vamos olhar com outros olhos o COTIDIANO, a principal fonte de inspiração de um bom jornalista!
Assim como Audálio e Conceição.
Tenho agora duas considerações a fazer: Primeiro sobre o comentário anterior (de Rostand); depois a respeito
das respostas de Daniel.
1. Rostand, meu querido, parece que vc foi tentar esclarecer e terminou escurecendo mais ainda.
Como é que vc pode dizer " Não achei o texto de Daniel confuso", se duas frases a diante vc replica: "...deixar aqui a minha interpretação para o que ele talvez tenha tido a vontade de dizer, talvez...".
Ora, convenhamos. isso foi uma terrível incoerência!
Depois não existe essa de que o texto deixa a cada um interpretação diferente. Não se tratando de artigos jornalísticos - e mais expositivos, como o que nos serve de objeto de análise.
A linguagem, nesses textos, tem de ser clara! Isso não é um poema ou crônica literária...
O Lenildo e João Paulo devem ter percebido isso muito bem. Antecipadamente, parabéns aos dois.
2. Quanto ao Daniel, verifico o mais grave: vc aina não reconheceu
a falha, colega. Isso é um grande problema!
O seu texto está confuso. Digo e repito. Prova disso é que aqui
já surgiram vários comentários com interpretações das mais variadas.
Um abraço a todos.
ÊÊÊÊ Daniel Brito,
Tu arrumou um anônimo exigente, em?
Ele não entendeu e parece indiguinado com teu texto e tuas explicações.
Erro para mim é escrever "mortaus" e "aqui está relatado detalhes sobre(...)", como o Daniel Brito escreveu no comentário um pouco mais a cima.
Peça desculpa ao ombudsman desconhecido, agora!
Eu já apresentei todos os meus argumentos e você ainda não entendeu. Então, colega anônimo, quem tem que reconhecer a falha é você.
Outra: entendi sua crítica e não sou obrigado a concordar com ela. Vice-versa. E se eu quisesse fazer uma "crônica literária"?
E mais: como eu posso "pedir desculpa" a alguém que não tem coragem de se identificar?
Por último, Calos, seu nome é esse mesmo?
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