Por ...*
A revista inglesa The Economist é uma das maiores (e melhores) publicações do planeta. Trabalhar nela é motivo de orgulho para qualquer um. Qualquer jornalista que se preze sonha em ver o nome lá assinado em algum artigo.
Mas quem trabalhe na Economist sabe: ninguém assina matéria por lá.
O princípio é o seguinte:
"O texto é da Economist e não do jornalista".
Mais ou menos isso aí.
Imagina a frustração daqueles jornalistas que adoram aparecer mais que a notícia que escreve se trabalhassem na Economist?
Conheço gente que seria capaz de recusar uma oferta de emprego na revista por causa disso.
No New York Times, alguns repórteres com nomes de judeus tinham que abrevia-los para não deixar o jornal com cara-de-judeu. Isso foi na década de 1950, no período pós-guerra. O NYT foi erguido por sionistas.
Tenho um companheiro de trabalho que me parou na redação dia desses para reclamar:
"Há oito anos escrevo matérias sobre ******* e tem gente que ainda pergunta meu nome. Será que eles não lêem quem assina as reportagens?".
Não tinha a intenção de desapontá-lo, mas fui sincero:
"Não, eles não lêem quem assina as reportagens".
Ao leitor comum, não interessa quem escreveu o texto. Quem se importa com isso são os jornalistas, intelectuais, ou personagens criticados na reportagem.
Jornalista que gosta de aparecer tem que ir para televisão fazer gracinhas, como eu (confesso) já fiz bem no início da minha carreira.
* Este texto foi escrito por um dos filhos da pauta. Desde que foi publicado, não pertence mais a ele, e sim ao blog.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
8 comentários:
é quando o veículo tem tanta credibilidade que vira marca. duro é sustentá-la. o mais comum nos dias de hoje é a marca ir se apagando com o tempo, a cada reportagem encomendada..
Muito bom. E jornalista é bastante vaidoso, mesmo. Para o bem e para o mal.
Interessante é que na tevê as pessoas também pouco prestam atenção nos nomes dos repórteres, pois é comum confundir os nomes. Isso, para quem é vaidoso (boa parte é), é uma alfinetada. É bom para provar que as pessoas estão interessadas na notícia, ou melhor, numa boa reportagem. Não importa quem a faça. Repórter que quer aparecer mais que a notícia beira o ridículo.
Pelo menos aqui, por eliminação, a gente já sabe que quem escreveu foi o Daniel.
A Economist pode se dar ao luxo disso. O NYT também (nem todas as matérias são assinadas). Isso é um fenônemo brasileiro, de colocar o repórter como responsável por tudo, sendo que existe uma cadeia de produção das notícias. É claro, pra quem é jornalista por conta da vaidade, não assinar é o pior dos castigos.
Opa, o anônimo sou eu, Mário.
É exatamente isso. Até meados da faculdade, quando a gente nem estágio fazia, eu mesmo não fazia idéia de que havia assinaturas em textos.
As pessoas, de uma forma geral, naõ fazem noção ou não tem interesse ou simplesmente não pararam para pensar no sistema produtivo de uma notícia. (A maioria delas) Não associam algo que estejam lendo a uma pessoa em si. Não lêem um texto com uma aspas ferrenha e pensam "ah, esse texto... só pode ser do Daniel Brito". Ou coisa do tipo. Ninguém para pensar nisso, a não ser que seja do jornalismo ou muito ligada ao jornalismo.
E quando o texto do jornal é uma cópia de uma matéria feita por outro jornalista? E ainda: esse jornalista ainda assina como se fosse ele quem escreveu...
Aqui em Pernambuco tem um jornalista que faz isso. Devem existir vários, mas esse já é consagrado. Todos sabem que ele faz isso e ele não está nem ai. A Gazeta Mercantil faz vista grossa...
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