Por Daniel Brito
Para ser um bom jornalista, seu senso de competitividade precisa estar sempre perto da casa dos 100%. No mínimo, tem um editor de olho na sua produção, para cobrar mais pautas e de melhor qualidade. Tem aquele repórter que senta perto de você de olho para ocupar seu posto. Tem a concorrência buscando o mesmo furo que você está atrás deseperadamente. Tem ainda um prêmio legal de jornalismo para embolsar uma grana preta por uma reportagem bem produzida e tem, principalmente, o leitor/ouvinte/telespectador querendo estar bem informado.
No meio desse caldeirão, é fácil o jornalista sucumbir. Confudir as bolas. Afinal, faz-se um jornal para o leitor, para o editor, para a concorrência, ou para ganhar prêmios?
O grande lance é que existe um gigantesco e invisível insconsciente coletivo nas redações que nem sempre corresponde aos anseios do leitor. O que o jornalista quer ler ou escrever dificilmente corresponde ao que o leitor comum (aquele que já foi chamado de Homer Simpson por um apresentador famoso) está interessado.
Olha aí os prêmios de jornalismo para comprovar.
O que está em questão nessas premiações:
A capacidade de mostrar a miséria do país?
A hemorragia generalizada do sistema político?
O texto refinado?
A história pitoresca?
Não creio que sejam todas as alternativas acima.
Sim, porque as grandes redações estão recheadas de jornalistas em busca do estrelato. Caçando mais prêmios, mesmo que a pauta seja repetida. Eles querem o holofote voltado para seu nome e seus textos, o reconhecimento público.
Esquecem-se, no entanto, que o jornal é feito para o leitor....
Trem bala (cover)
Há 8 anos
5 comentários:
Nas teorias do jornalismo, o jornal DEVE ser feito para o leitor: o leitor anunciante.
O comentário ficaria mais rico se recheado de exemplos, mas nem por isso deixa de ser interessante. Os prêmios se desvirtuaram: por um lado, são vistos como "complemento salarial", para uma classe que, em geral, ganha mal; pelo outro, reconhecem feitos pontuais, mesmo que descolados de posturas mais permanentes. Com freqüência vemos reportagens (principalmente as "especiais") tratando de questões sociais; porém, os próprios jornais/revistas/tvs em que são veiculadas dedicam pouco espaço a tais temas. São, claramente, reportagens para ganhar prêmio. E ganham.
é preciso equilibrar todas as forças. o jornal é, sim, feito para o leitor. mas existem milhões deles, que pensam diferente e gostam hora de uma coisa hora de outra. matéria de prêmio também interessa ao leitor. mas resta escolher o que interessa ao maior número deles...
Existem leitores que compram o jornal apenas para fazer as cruzadinhas ou o tal do sudoku. Tem gente que assiste aa tevê apenas para saber a previsão do tempo. Existem vários tipos de leitores/espectadores e, obviamente, de jornalistas. Mas o que está em questão é a ambição do jornalista de ganhar prêmios, mais ou menos como uma nadadora que se dopa para vencer!
Se eu fosse um exímio apurador e escritor, poderia percorrer as estradas do país e encontrar toneladas de casos de prostituição infantil. Poderia, também, encontrar cifras absurdas na duplicação de qualquer rodovia. E assim sucessivamente...
O interessante é alertar as autoridades e a população sobre o problema e não publicar reportagem para faturar um "complemento salarial".
Não sei o que procuro enquanto leitora. Quero a informação. Quero emoção. Imagino que não deve ser fácil a vida de jornalista. Começo a entender um pouco.
Gostei do seu texto aqui. E questionar-se e deixar o questinamento no ar, acredito que é um bom sinal.
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