Por Daniel Brito
Os (agora) famosos cartões corporativos existem desde 2001. Volta e meia um veículo de comunicação fazia o registro meio tímido do chafariz eletrônico de dinheiro público torrado indiscriminadamente. Ao longo dos anos, os gastos só aumentaram.
No primeiro debate entre os candidatos à presidência da República, na eleição passada, Lula ficou revoltado ao ser pressionado a abrir as faturas dos cartões de seus "funcionários".
- Não fffeja leviano, Alcooemim!
Ele ficou sem resposta e repetiu essa frase oito vezes para fugir do constrangimento. Por certo, ele sabe da algazarra com esses cartões durante a gestão do PSDB.
Diante das cifras obscenas alcançadas pelos portadores dos cartões mágicos no ano passado, o caso ganhou a dimensão que sempre mereceu. Está para completar dois meses que jornais, telejornais e portais escancaram o "abuso do poder econômico" em os escalões mais altos do governo.
Enquanto a imprensa posicionou todas suas baterias para os "felizardos" que têm direito ao cartão, Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, não livrou a imprensa da sua parcela de culpa.
Segundo ele, havia anos procurava os jornalistas para repassar tais informações, mas somente agora o caso veio à tona. Abramo disse também que, nos anos anteriores, os dados sobre os gastos não estavam totalmente destrinchados como agora. Deixou subentendido que a preguiça dos repórteres é a culpada pela demora na publicação das denúncias.
Até onde sei, Abramo e sua ONG são alguns dos responsáveis pela avalanche de faturas escandalosas reveladas diariamente, quase como uma tortura chinesa ao governo.
Por intermédio dele -- ainda, até onde vai meu conhecimento -- soubemos que o ministro pagou absurdos R$ 8,30 por uma tapioca; que a presidência da República fez a feira do mês numa adega e em uma casa de "carnes finas"; que a ministra da Igualdade Racial curtiu as férias por conta do nosso dinheiro e ainda chamou a imprensa de racista por denunciá-la por tal ato.
Bom, então se os cartões sempre existiram e somente agora foram devidamente devulgados, fica comprovada a tese (mais uma vez) de que vivemos numa falsa realidade. Escrevemos e acreditamos nela, também.
O governo corrobora a tese. Caso contrário, não criaria normas para o uso do cartão somente agora, depois que numseiquantos milhões já foram para as tapiocarias, free shopings, etc... Quem queria encobertar o "crime", aliás, acabou entregando outro cúmplice.
Metade da bufunfa gasta com os cartões mágicos (que o portador não paga a conta nunca e não perde o crédito!) foi sacada na boca do caixa. Se eu tirar R$ 50 do meu cartão de crédito no caixa eletrônico do Bradesco, eu pago quase o dobro de juros quando a minha fatura chegar, no mês seguinte. Então, quer dizer que o Banco do Brasil não cobra juros nos cartões corporativos, é isso?
Algum jornal já falou sobre isso?
Se sim, me avise, porque eu quero ver a posição do BB nesta história...
A sorte do governo é que o PT não é mais oposição. Quem está nessa posto atualmente também tem um amplo telhado de vidro.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
falou e disse, meu caro.. falou e disse!!
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