18 abril 2006

"Herrar é umano"

Daniel Brito

É impossível não errar nunca no jornalismo. Principalmente quem está em universidades, ou profissionais ultrapassados, sem espaço no mercado, tem a ridícula mania de enumerar os erros de quem está na ativa.

É horrível errar, realmente. Principalmente quando é um erro besta que acaba fazendo um estrago grande, o que não é o caso do que aconteceu com os caracteres da matéria de Da Silva no Globo Rural.

Um jornalista de Joinville me disse que lá no jornal onde ele trabalha já criaram até uma seção: ACERTAMOS

Seria exatamente o contrário do tradicional ERRAMOS da Folha de S.Paulo, Correio Braziliense e outros jornais por aí. Segundo esse jornalista, eles fazem tanta cagada que dá para contar nos dedos os acertos do jornal dele.

Mas baseado nessa história do errinho no crédito da matéria de Da Silva, resolvi contar algumas histórias de erros que tenho na cabeça agora.

O erro que está mais presente em minha memória neste momento é um do Correio Braziliense de duas semanas atrás. Era final de semana de decisão nos principais campeonatos estaduais no Brasil. Por coincidência, Botafogo, Santos, Figueirense, Ceará (todos alvinegros) foram campeões.

Na hora de fechar a primeira página do jornal, decidiram colocar uma foto do Botafogo comemorando o título. Na pressa para fechar o jornal em cima da hora, colocaram a foto do Ceará e a legenda do Botafogo. Por engano, claro.

Resultado: choveu emails, ligações e reclamações de torcedores botafoguenses na redação e na editoria de esportes, que é onde trabalho. O que o leitor não sabe, é que a editoria de esportes fecha só esportes. Quem fecha a primeira página são os chefes da redação. Ainda bem, porque se tivesse sido eu, poderia ser demitido. Os chefes que fecharam aquela página pegaram seis dias de suspensão.

O pessoal de Minas conta um caso interessante. Existe um jornal chamado Diário da Tarde, em Belo Horizonte. Pelo que me contaram, eles são especialistas em vacilar. O auge foi na divulgação do resultado do vestibular da UFMG de qualquer ano desses aí.

Quando eles receberam a lista dos aprovados em um disquete e a dos alunos que ficaram para segunda chamada em outro disquete. Acontece que eles divulgaram os nomes da galera que tava para segunda chamada como aprovado, por algum engano nos disquetes.

Será que teve confusão?

Um diagramador do Correio Braziliense foi demitido porque colocou os números da Mega-Sena trocados. Imagine a frustração do cara que pensou que tava milionário ao checar os números no Correio?

É engraçado dar uma olhada no ERRAMOS da Folha de S.Paulo. Acho que eles fazem aquilo só para sacanear. Um dia eu vi algo assim:

Diferentemente do que foi publicado na edição do dia TAL desta Folha de S.Paulo, o Brasil não tem 160.574.234 habitantes e sim 160.576.234.

Eles esqueceram dois mil brasileiros nessa contagem. Alguém deve ter sentido falta e eles corrigiram.

O grande diferencial da internet para jornal, TV ou rádio é o poder da correção. Eu, por exemplo, já corrigi esse texto aqui três vezes e ninguém percebeu que eu tinha errado antes. Se bem que ainda tem os tradicionais erros de vírgula que vão me acompanhar até o dia que eu parar de escrever.

Da Silva, por exemplo, sempre dá uma revisada nos meus textos e eu no dele. Ele mais do que eu, confesso (foi mal, Sombra!).

Errar no jornal ou na TV é terrível porque fica gravado para sempre na fita, no papel ou qualquer outro lugar. É o erro perpetuado...

Ainda bem que eu não escolhi ser médico, caso contrário já tinha matado muita gente com os errinhos que cometo diariamente no jornal...

4 comentários:

Léo Alves disse...

Os erros existem e sempre vão existir. Como você disse DB, alguns causam grandes estragos. Outros servem para a gente ri. São os casos dos PAE (quem escreveu queria dizer pai), Sassi, Lúcio Sirubim (lembra???) e outros. Muitos erros acontecem por pressa, falta de atenção, problema na digitação. Outros (como o pae e o sassi)ocorrem por falta de conhecimento do jornalista. O telespectador, leitor, ouvinte quer a informação. Por mais besta que a gente possa achar que seja o erro, o leitor está atento. No próximo post vou dar continuidade a história dos erros, contando alguns "causos" aqui de Campina Grande.

Anônimo disse...

Verdade! Quantos olhares estão em cima da gente hein? Essa do "pae" fez escola né? Isso foi só começo!
=)

Gilberto Silva disse...

Sou editor de um "jornalzinho" de distribuição gratuita em minha cidade, que como léo disse, a gratuidade dos jornais é o grande futuro, quem sabe se no futuro não estarei, por isso, nem livro de história. DB tenho uma seção parecida com o placas do meu Brasil, no meu blog, aí na legenda de uma fot, por pressa digito "CAROÇAS", a galera caiu em cima, tú olha o erros dos outros e esquece do teu!!!

Anônimo disse...

Gente, essa história de erro é sério. Hoje mesmo depois que acabou o Bom Dia Paraíba, recebí uma ligação de uma pessoa que fizemos uma matéria com ela. A matéria tratava de um projeto de pesquisa de uma mestranda da UEPB sobre a relação entre a alimentação e a saúde bucal dos idosos da cidade. Na cabeça da matéria, apresentador leu que era uma pesquisa do SESC! Imagina a reação da autora da pesquisa que está ansiosa em casa esperando sair a matéria e vê uma informação errada. Neste caso, foi erro do editor que não prestou atenção no off do repórter e falou errado na cabeça da matéria. Ela ligou para a redação e pediu caso a gente exibisse novamente a matéria para corrigir, pois como era um projeto de pesquisa dela pela UEPB, poderia
gerar problemas para ela. Quer dizer, o pior do erro é quando acaba prejudicando alguém.