Por Léo Alves
Minha intenção era atualizar o blog (depois de muito tempo) com a história da minha entrevista com Emerson Leão. Calma, ele não me chamou para ir ao motel como fez com a repórter Fernanda Ruiz.
Porém decidi mudar de tema e acompanhar meus colegas DB e Pedro.
A história de Leão eu conto depois.
Pois bem. Já fiz concurso público. E já fui aprovado. A primeira coisa que leva a maioria das pessoas a optar por um cargo concursado é a estabilidade.
O dinheiro também é levado em conta.
Imagino a quantidade de pessoas que está estudando para o concurso da Câmara pensando na estabilidade e nos (acho que é isso) R$ 9 mil de salário.
Recentemente fiz o concurso do MPU que certamente não vou passar. E se passar ficarei no cadastro de reserva.
Quando fiz a inscrição fiquei me questionando se seria feliz no MPU. O salário é bastante interessante para a nossa realidade.
Mas como disse Felipe (e eu concordo) o serviço público acomoda.
Não existe muita cobrança.
E quando você tenta mostrar serviço encontra funcionários mais antigos que não estão nem aí. A tendência é seguir o mesmo caminho.
A experiência que tive em cargo concursado não foi na área de jornalismo. Mas serviu para sentir que com o tempo me acomodaria.
E olha que no Banco do Brasil existia muita cobrança. Era meta aqui, meta ali, clientes reclamando, gerente e superintendência cobrando resultados.
Quando fiz a inscrição do concurso do BB estava desempregado. Quando fui chamado já estava trabalhando numa redação de jornal.
Só que eu buscava estabilidade e, claro, salário melhor. Até porque escutava muito “que jornalismo não tinha futuro, não dava dinheiro”.
E decidi largar o jornalismo e ir para a vida mansa (mero engano) de funcionário do BB.
Passei apenas onze meses. Tive sorte de em apenas cinco meses assumir a gerência de expediente de uma agência.
Muito mais por falta de pessoal que qualificação. Afinal não entendia ainda muita coisa do sistema bancário.
Daí só agüentei mais seis meses.
Pouco tempo depois comecei a sentir falta do jornalismo. Imaginava como seria vinte, trinta anos fazendo a mesma coisa.
Não era para aquele serviço que eu tinha largado o curso de Engenharia Mecânica para me dedicar ao jornalismo.
Pedi demissão.
Lembro que na época DB me falou que a estabilidade iria depender da competência do profissional.
Hoje acredito que a estabilidade não depende apenas da competência. Tem outros fatores como, por exemplo, o chefe novo ir com a sua cara.
Não me arrependi de ter saído. Aliás, sempre costumo dizer que as melhores coisas que fiz para a minha carreira foi ter ido e ter saído do BB.
Em menos de um ano de banco percebi o quanto eu havia parado no tempo.
Quando voltei para o jornal (para ganhar a metade que ganhava no BB) quase não conseguia escrever um lide.
O serviço público não é a única saída para quem quer fugir das redações. Existe vida além dele.
Eu descobri meio que por acaso um caminho gratificante: a sala de aula. Não que eu tenha saído da redação. E não pretendo sair tão cedo.
Estou no terceiro ano de minha carreira de professor do curso de jornalismo da UEPB.
Quando fui aprovado na seleção relutei para assumir. Não me achava capaz de ensinar alguma coisa a alguém.
Não era bem verdade. Percebi que os alunos gostam de interagir experiências práticas com a teoria.
Se não sou um professor que conhece profundamente os grandes autores, pelo menos tenho a experiência prática do dia-a-dia.
E o aluno adora ouvir histórias da rotina do jornalista.
Pedro ressaltou que não se ganha muito como professor. É verdade.
Mas a recompensa vem de outras formas.
É muito bom ouvir um aluno dizer que se espelha em você como profissional.
Já comentei com o DB que a responsabilidade é muito grande.
Um professor pode estimular ou desanimar o aluno com uma frase.
Reconheço que preciso melhorar minha parte teórica.
A meta é fazer um mestrado (já tenho especialização) e depois um doutorado.
Tentei, mas não fui aprovado.
Preciso me aprofundar mais nos assuntos. Melhorar para ser aprovado.
E a saída para isso é estudar.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
5 comentários:
Sem dúvida alguma, você está no caminho certo.
Boa sorte!
A discussão sobre estudar está boa. Grande Léo, muito boa sua história. Isso prova que a inquietude faz o profissional. O importante é não se acomodar!
Abçs
Quando vejo profissionais da imprensa migrando para academia, é porque seus digníssimos empregos estão ameaçados.Melhor, estão insatisfeitos com algo. E talvez com a prática jornalística. Isso é péssimo para a Academia, pois muitos destes profissionais (pseudo-professores)não possuem metodologia para ensinar. Pior, sem conteúdo. Falam qualquer coisa para os alunos. Frases descabidas, que assustam. Não conheço a imprensa paraibana. Entrei neste blog, por que sou curioso (todo jornalista é) e pensei que fosse mais visitado. Com este comentário, imagino como deve ser a imprensa e a Universidade da Paraíba. Quem perde é a Academia. E os futuros jornalistas.
O jornalismo da Paraíba tem falhas gravíssimas, mas não é por causa deste blog nem da Academia. Aliás, este espaço é pouco visitado porque tem pouca ou quase nenhuma divulgação. Nossa média é de seis acessos únicos diários. Não temos a pretensão de sermos famosos.
Eu diria até que falta recheio (como você, curioso, diz: conteúdo)para que ele seja mais visitado.
Pelo menos, nós que fazemos este espaço, não temos medo de errar ao colocar nossos nomes na rede e dar a cara a tapa (no caso, críticas), diferentemente dos jornalistas curiosos...
Jornalista curioso não é uma boa identificação. Afinal, todo jornalista é curioso. A respeito do comentário, acredito que o jornalista curioso deve fazer parte da academia e sente-se ameaçado por profissionais que migram da prática para a academia. Como jornalista curioso, você deve ter ouvido falar em Carlos Chaparro, que ganhou vários Prêmios Esso e depois migrou para a academia. Hoje é um dos grandes nomes desse universo acadêmico. Como jornalista curioso, o colega deveria também ter lido uma nota do MEC sobre a avaliação dos cursos no Brasil, na qual o Ministério faz uma ressalta que em cursos, como o de jornalismo, ter no quadro pessoas com prática profissional é tão importante quanto mestres e doutores. Em relação aos nossos empregos, modéstia à parte (falo por mim, DB e Totty) nenhum de nós tem o emprego ameaçado. Tampouco estamos insatisfeitos. E se estivéssemos já teríamos saído. Já sobre o comentário preconceituoso em relação a Paraíba, o jornalista curioso devia se informar um pouco mais sobre o Estado onde nasceu o maior nome da imprensa brasileira, Assis Chateubriand. Se o jornalista curioso não o conhece dê uma pesquisada no google. Esse parece ser seu principal instrumento de trabalho.
Como bem disse DB, neste espaço não temos pretensão de ganhar a fama. Nem tampouco ganhar dinheiro com o blog, que mesmo com tão poucos acessos incomoda um jornalista curioso. Curioso e desinformado. Acredito que o jornalista curioso com seu comentário revela que está frustrado com alguma coisa. Talvez por nunca ter conseguido ser professor universitário, mesmo que seja na Paraíba (para acompanhar seu tom preconceituoso). Ou até mesmo aluno. Mas no fundo acredito que o jornalista curioso é mais um frustrado da profissão. Em tempo: existem outros blogs (e melhores) com muito mais acessos.
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