Por Daniel Brito
Um texto como o anterior a este ("A saída é estudar") escrito por um jornalista de uma sucursal brasiliense de um grande jornal paulista resultaria em demissão. Eu explico.
A onda de concursos públicos no DF é muito grande. Dia desses, mesmo, minha dentista me revelou que estava estudando para o concurso do Ministério Público. Eu ouvi isso enquanto leva uma anestesia na gengiva. Em 2004, quando houve o último concurso para jornalistas para a Câmara dos Deputados, o chefe da tal sucursal que citei nas primeiras linhas deste post demitiu os jornalistas inscritos.
A alegação:
"Não quero repórteres acomodados!"
Na visão dele, quem vai para o emprego público se acomoda. O amigo e colaborador fiel deste espaço, Felipe CAmpbell foi o terceiro melhor concursado na prova da Agência Brasileira de Apoio à Exportação (Apex), engrossou o coro do chefão da sucursal em seu comentário na Parte I deste texto.
Imagina se eu fosse subordinado a esse cara e ele desse de cara com este texto na internet assinado por mim?
Estaria estudando para concurso agora.
Ou não.
Estudar nunca foi a minha praia. Reprovei a quinta série e o primeiro ano do segundo grau. Concluí o ensino médio na base do supletivo, no longíquo ano de 1999. Por um milagre passei em dois vestibulares (uma faculdade estadual e outra particular).
Hoje, quase 10 anos após entrar na faculdade, percebo que a saída para mim é desmentir o meu passado. É estudar mesmo. Não para concursos, mas para uma pós-graduação. Pode ser especialização, mestrado, doutorado, whatever...
Convencido pelo meu grande amigo Da Silva e por minha namorada, entendi que ser professor de jornalismo é uma saída honrosa do ambiente das redações.
Após dois ou três bate-papos com estudantes de jornalismo em São Paulo, Pernambuco e Paraíba, percebi que tão gratificante quanto apurar uma matéria sensacional e escrevê-la com todos os detalhes, é ver seu conhecimento sendo assimilado por pessoas tão interessadas quanto você era quando estava na faculdade.
Não que eu queira ser professor imediatamente. Nem num futuro próximo. Não tenho conteúdo para mais que um bate-papo informal com focas.
Daqui 15 ou 20 anos, quem sabe, eu posso estar falando as besteiras que escrevo aqui em uma sala de aula e sendo pago por isso.
A saída, portanto, é estudar!
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
Concordo, Briba. Estudar só faz bem. Ser professor deve ser gratificante. Mas talvez não seja a melhor das profissões no Brasil. Trabalha-se muito e ganha-se pouco. Mas, se comparado ao ambiente de uma redação, é como seis e meia dúzia.
Abçs e parabéns pelos textos
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