28 março 2007

Graus de dificuldade

Por Daniel Brito

Criei na minha cabeça uma escala de grau de dificuldades que diferencia o jornalismo dos grandes centros ao praticado nas cidades menores. Na minha mente, coloquei na escala que vai de 5 a 10 os assuntos por editoria nos jornais e telejornais.


Partindo do princípio que não é fácil fazer jornalismo, por isso ninguém habita em level abaixo de cinco, o nível cinco, basicamente, é merecido para aqueles jornais que servem como balcão de negócios. Ou os jornais chapa-branca. Só falam bem do governo e os textos ainda são mal escritos. Isso acontece porque só quem fatura as gordas verbas estatais são os donos do jornais e eles costumam atrasar o pagamento dos funcionários, que têm salários baixíssimos.

Da nota 6 aa 9, a variação é muito sensível. È uma questão subjetiva, o que gera muita briga entre jornalistas em mesa de bar. Aí já entra em apresentação física da matéria, com detalhes da arte, estilos de textos e grau de exigência e participação dos leitores e/ou telespectadores.

Fazer uma matéria de economia -- que meu amigo Pedro tanto venera -- o grau de dificuldade oscila dos 9 para os 10 pontos. É preciso entender de macroeconomia, encaixá-la na vida de personagens humildes que possam transformar uma sopa de números em assunto compreensível para todos.

O Correio Braziliense, a Folha de São Paulo e O Globo fazem isso muito bem. Mais o CB e O Globo, na minha modesta opinião.

Cobrir política (aquela politicagem partidária, mesmo) ou políticas públicas, por exemplo, é de um grau de dificuldade nível 9. É espinhoso o terreno da crítica e elogio ao governo. Pesa a verba publicitária recebida mensalmente de um lado; o compromisso com o bom jornalismo e o dever de bem informar do outro lado dessa balança.

Um telejornal do DF, por exemplo, faz seu noticiário diário totalmente baseado nas ações do governo. Curioso é que só sai porrada. Crítica atrás de crítica.

São até bem feitas.
Mas poderiam ser mais aprofundadas.

Se quiserem encontrar lixo nas ruas, hospitais precários e ruas esburacadas, vão fazê-lo sempre. Cabe aos editores, se quiserem dar porrada no governo, começar a fazer pautas mais investigativas.

Nível 10 de dificuldade, mesmo, é fugir do oficial no esporte.

Ver e fazer o óbvio todo mundo faz.

O negócio é fazer algo diferente. Mais assuntos de interesse do torcedor, menos picuinhas jurídicas e edições apaixonadas, aliadas a textos curtos, críticos e criativos com ilustrações.

Este seria o jornalismo esportivo nota 10, na minha opinião.
Em dificuldade e qualidade!

2 comentários:

Felipe disse...

E matérias sobre potenciais promessas do iatismo brasiliense? Ou sobre a dupla candanga que ganhou o campeonato centro-oeste de squash categoria fraldinha em Campo Grande? Ou sobre a nova e talentosa nadadora brasiliense que, aos 14 anos, vai ser obrigada (tadinha!!!) a abandonar a carreira?

Toty Freire disse...

concordo com os graus de dificuldade. do ponto de vista do leitor, economia e política, eu diria, não são mais complicadas, mas, sim, restritas.

a matéria difícil, do ponto de vista do jornalista, é a investigativa. para leitor, é fácil ler aquilo que ele já entende..