25 março 2007

Editor que faz raiva

Pedro Henrique Freire

Quem aqui já teve um editor ruim? Eu já. E isso é extremamente irritante. Imagina alguém que, teoricamente, tem que entender mais que você, pega seu texto e muda. Já não é legal, né? Mais: muda pra pior. É o fim da picada!

Recentemente ocorreu de mexerem no meu texto e, no mínimo que modificaram, fizeram uma burrada. A primeira eu vi antes da publicação. Mas a segunda não deu. Foi para rede, assinado, com um baita erro de concordância.

Um deles era sobre uma matéria do Exame de Ordem da OAB. Agora, as provas serão iguais nos 27 estados e no DF. E serão no mesmo dia. Mas, por hora, somente 17 estados praticam a unificação. Os outros não conseguiram se livrar de contratos antigos para realizar as provas. Na matéria, eu coloquei assim: “Ficaram de fora Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, entre outros”.

Eu entreguei o texto e tempos mais tarde tive que acrescentar uma informação. A matéria ainda não tinha sido publicada. Quando abri para escrever o que faltava, me deparo com a frase. “Somente 17 estados realizam o exame, entre eles Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”.

Fiquei chateado. Disse: “Acrescentei a informação e corrigir um errinho lá. Aqueles estados não farão a prova. Lá tava que eles fariam”. O editor escutou, mas não disse nada.

No mesmo dia, como se não bastasse, entrego uma outra matéria. Fico lá para sanar qualquer dúvida que o editor eventualmente tenha. Mas não teve nem uma. Em compensação, acrescentou umas informações no lide e acabou errando duas vezes. Eis o texto:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília que darão lugar a 10 mil mudas de plantas nativas ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Existe ai um erro de concordância e uma falta de vírgula. Deveria ser assim:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília, que DARÁ lugar a 10 mil mudas de plantas nativas, ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Assim que li, depois de chegar em casa, liguei imediatamente para o jornal e pedi que corrigissem.

O pior de tudo é que, quem leu, acha que o errado sou eu! E, nas duas horas que o erro ficou na rede, muita gente deve ter lido.

3 comentários:

Felipe disse...

Sou editor ou sub desde sempre. Sei bem o que é isso. Também já fui repórter. Muitos processos os repórteres tomam porque o editor esquentou a notícia ou fez um título absurdo. Já fiz uma matéria sobre um congresso de informática em que, em determinado momento do texto, eu citava que a Microsoft dizia que ia avaliar como atuaria no mercado governamental depois que o Brasil passou a ter como opção a utilização do software de código aberto (Linux, por exemplo), concorrente da Microsoft. Quando eu cheguei, o título da matéria tinha sido modificado e estava: "Microsoft ataca o Brasil". E era tipo um abre de Economia. Passei uma semana atendendo telefonemas do assessor da Microsoft, dizendo que os representantes estavam enfurecidos e queriam retratação. E você fica no fio da navalha, sem querer queimar o editor, mas sem querer assumir a culpa por algo que vc não fez, sabe?

DB disse...

Nenhum repórter gosta de ver seu texto mexido. Mesmo que o editor considere que você errou, ninguém gosta de ver o texto alterado. F*da mesmo, é quando o editor destroi teu texto, como ocorreu no caso do Campbell e do Grande Predo...

Paulinho Mesquita disse...

O pior mesmo é quando nego caga no seu texto e depois você tem que atender assessor enraivecido por conta do que saiu... isso é uma merda. Você se queima com o cara...