Por Daniel Brito
A resposta preferida das pessoas que estudam para concursos públicos é:
"É um emprego estável".
Se você mandar teu chefe tomar no c*;
correr nu pelo corredor principal;
derramar café na blusa branca da secretária propositadamente;
você não será demitido do órgao do governo.
Isso é estabilidade.
Chegar atrasado todos os dias;
faltar quatro dias de trabalho por semana;
Isso também é estabilidade.
Sobreviver a cortes de gastos, igualmente.
De todos os fatos citados, acima, o que mais aflige os jornalistas é o último.
Corte de gastos.
Nunca diga essas três palavrinhas, nem por brincadeira, em uma redação. Eu digo nas redações, porque é o meu habitat natural. Em escritórios de advocacia, indústrias, laboratórios químicos ou qualquer outra atividade, o corte de gastos deve causar espanto também.
Ao cortar os gastos, os donos da empresa querem, principalmente, diminuir o impacto da folha salarial no orçamento mensal. Não se preocupam em reduzir despesas em outros ramos, tipo papel (lixo), energia, gasolina, telefone, tinta para impressora e coisas do ramo.
Existem casos que a empresa está tão quebrada, que mesmo reduzindo a conta de telefone, o gastos com papel, impressora, cafezinho, energia, não cobre o buraco. Buraco este, causado pelo administrador da empresa.
Quem paga o pato são os funcionários. Não adianta ser um profissional aplicado, competente, "amigo da empresa", ou ter vários anos na casa. Na hora de passar a faca na folha de pessoal, nada de positivo conta pela permanência do funcionário.
Daí a vontade de ser um "funcionário estável" do governo.
Para tanto, é preciso estudar um bocado. E sempre que for perguntado por um jornalista (sobrevivente a uma redução de gastos na empresa) o motivo pelo qual resolveu estudar para concurso, responda:
"Quero um emprego estável".
Trem bala (cover)
Há 8 anos
9 comentários:
Mentira. Há anos eu via concurso como uma prisão, uma coisa acomodada. Na verdade, eu nem procuro estabilidade (porque, vc sabe, a empresa onde a gente trabalha é mais estável que muita autarquia por aí). Procura tempo saudável e horários razoáveis e a volta dos meus finais de semana. "Eu nao preciso de muito dinheiro, graças a Deus!!!"
Abs
"Graças a Deus.
E não importa, e não importa não..."
Não importa se a empresa está, aparentemente, dando lucro. Cedo ou tarde o temido e impassível passaralho passa pela redação e leva embora a estabilidade.
Aí, quem vai me defender?!?!?!
Só pelo fato de a empresa ser privada, já configura um tom de instabilidade. Qualquer um pode ser demitido a qualquer hora e não por muita coisa. Começa por ai. No caso dos jornais, o problema é que, quando as dificuldades chegam, o primeiro setor a sofrer baixas é a redação...
Humildemente...
É que os donos dos jornais continuam tão cretinos como sempre foram. são incapazes de investir na qualidade do seu produto que é o jornal. E, para isso, tem de investir na qualidade dos jornalistas. E jornalismo requer talento. Antes de mais nada, talento e conhecimento, coisas rarefeitas no mundo dos humanos. Entretanto, quem comanda sempre um jornal não é ninguém da redação, nem o chefete. Quem manda são os caras da administração e, até mesmo do marketing. Esses constituem uma canalha de incompetentes incapazes de escrever dois parágrafos. Mas sempre alimentam uma inveja atroz dos jornalistas. Muitos deles às vezes ganhando muito mais e trabalhando muito menos, mas têm uma inveja mortal do jornalista. E, para complicar ainda mais a situação, há um monte de jornalistas obtusos e petralhas de carteirinha que ainda pensam que têm a missão de fazer a revolução...hehehe E, para finalizar, é a única profissão que trata depreciativamente os colegas, que são chamados de "coleguinha". Este tipo de jornalista adora o pobrismo e sempre curte uma de vítima. É eleitor do PT, PSOL, PSTU e tudo o que há de mais atrasado na face da Terra. Argh! E é por isso que a turma da administração e do marketing dos jornais deitam e rolam. São respeitados. Sempre levam a melhor. Entenderam?
Abs
Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net
Correção de concordância: ...a turma da administração...deita e rola.
grato
aluízio amorim
Exatamente!
Dava o meu melhor na empresa onde trabalhava, e fui uma das primeiras da lista de corte, pq tinha menos tempo de casa. Há 8 meses desempregada, vejo no concurso minha salvação. Ainda bem que não estou morrendo de fome, tenho uma família que me apóia. E quando o chefe da família se ve nesta situação? Fácil falar qdo se tem 20 aninhos...duro é enfrentar uma situação destas qdo aquele ser que vc mais ama, chora de fome!
Bjs a todos!
Graças a Deus nunca fui demitido. Mas acredito que seja frustrante para um pai de família chegar um dia na empresa e saber que está desempregado. Já imaginou?
O concurso é uma boa saída. Mas concordo com Felipe quando diz que acomoda as pessoas. Além dos concursos os profissionais têm que investir em coisas alternativas para não ficarem totalmente reféns da empresa. E no jornalismo existem muitas coisas que podem ser feitas. Não existe só assessoria. Porém, qualquer caminho que se queira seguir passa pelo estudo.
Jornalismo e admnistração são coisas que não combinam. O chefe de redação anterior ao atual no correio era considerado um gênio, um revolucionário cheio de idéias incríveis. Mas levou o jornal à bancarrota com sua mania de perseguição e pseudo-independência dojornal. O atual chefe é um exemplo de administrador e chefe de redação que tem, pelo menos, respeito pelas outras pessoas. É muito difícil esperar de um chefe de redação algum tipo de bom senso no que diz respeito a gastos. É como a distribuição de renda no brasil: 10% na mão de 90% e 90% na mão de 10%. Ou seja: no caso de um jornal, meia dúzia de repórteres e editores não tinham problema algum em conseguir grana para bancar uma viagem maluca, para almoçar com algum político no Piantela e etc. E os outros 90% tinham que fazer mega-projetos estruturados e cheios de idéias legais, mas que eram devidamente arquivados pela chefia.
Bancarrota!!!
Tod mundo tem razão em muita coisa e obviamente a estabilidade é o sonho de quem pensa em ter "qualidade de vida", mas no final das contas, nessa vida nada é estável! E se a única lei fixa o universo é o movimento a grande lição é que não devemos nos apegar a nada como se fosse nosso (status, empresa, poder), mas apenas cumprir com nosso dever de forma ética, procurando dar o melhor de si, sem estresse.
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