19 setembro 2007

Jogo de três pontos

Por Daniel Brito

Desde agosto, voltei a trabalhar diariamente com futebol. Minha última experiência diária com o esporte foi em 2002, na TV Borborema.

Futebol é o meu primeiro esporte.

Assisto.
Acompanho.
Mas, incrivelmente, não tenho muita disposição para comentar sobre futebol. Assim como ler notícias de outros times que não sejam aqueles com os quais trabalho todos os dias. Quando cobria Série C, por exemplo, não fazia questão de participar daqueles calorosos bate-papo sobre a situação do Palmeira ou Botafogo.

Por que não costumo comentar muito sobre futebol?

Porque a maioria dos torcedores é burro. Vêem o futebol apenas como uma bola que tem que ser empurrada pelo atacante para o fundo das redes. Eles não entendem o caráter lúdico e até social do esporte. Daí a violência num simples bate-papo sobre o clássico flamengo x vasco.

Se você prestar atenção, todas as discussões sobre futebol rodam em círculos. Ninguém abre mão de sua própria opinião para concordar com o rival e a conversa não termina nem tão cedo.

Por que não leio sobre os outros times?

Porque a notícia de futebol tornou-se repetitiva. Disse em um post anterior que se pegar uma reportagem de tevê sobre o treino de qualquer equipe um mês atrás veremos os fatos idênticos neste momento. Sem contar com as entrevistas manjadas, muito por causa das perguntas mais do que batidas dos repórteres.

Por ter sido um torcedor em algum momento da vida, o repórter de esporte cai no erro de repetir as histórias.

As mais mais dos jornalistas preguiçosos são:

- Quando um jogador dá a volta ao mundo, defende oito clubes em quatro anos e retorna ao time de origem, o título da matéria é "Velhos conhecidos". Serve para quando o treinador do time A enfrenta o time B, que ele mesmo comandava até a rodada passada.

- Antes de um clássico, o time A é líder do campeonato e o time B é o lanterna. Quando eles vão se enfrentar, o título da matéria é "Duelo de opostos".

- Um jogador especial do time X ou o treinador muda de idade no dia do jogo contra o time Y, o texto tem que conter a informação que "tal jogador quer fazer o gol da vitória para dar de presente de aniversário aa torcida"!

O jornal O Globo tem tentado mudar essa história. Às vezes, eles pecam pelo excesso de vontade de fazer diferente, mas tem fugido muito do que foi noticiado exatamente do mesmo jeito nos últimos dez, 15 anos.

Para fugir do óbvio, a Folha de S. Paulo, usa e abusa das estatísticas. Cruzamento de informações para chegar a uma história diferente. Ao ponto de, na véspera da decisão entre Brasil x Alemanha, há cinco anos, dar destaque aa seguinte matéria:

"Estatística aponta uma Seleção Brasileira fracassada com três zagueiros".

Ou seja, porque a Seleção perdeu mais jogos com três zagueiros, significa dizer que pode perder a copa para a Alemanha. Isso foi em 2002, na Copa do Japão.

De volta ao noticiário futebolístico desde mês passado, tenho me esforçado para fazer diferente.
Agora eu sei que na prática, a teoria é outra...

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